O final de ano sempre nos traz um clima bom de paz, amor e esperança através do espírito natalino. Mas a ceia dos botafoguenses tem, além da rabanada, do tender e daquele arroz com passas trazido pela sua tia, a apreensão de quem não sabe o que esperar da temporada de 2016.

Estamos a 8 dias da reapresentação e até agora o clube só confirmou o zagueiro anônimo Joel Carli. Segundo a mídia, outros nomes “só faltam assinar”, como a renovação de Neílton e as contratações do zagueiro Emerson, do volante Larrea e do também desconhecido meia Damián Lizio.

A questão não é apenas um simples atraso de planejamento – o que já seria preocupante por si só -, mas sim a repetição de um ciclo que se repete anualmente no Botafogo e justifica todo e qualquer fracasso recente do clube.

1) O atraso na reformulação do grupo, aliado à incapacidade de mapear o mercado com antecedência e competência. O Botafogo dispensou – de maneira correta, diga-se – quase todo o seu elenco profissional. Visto que isso não pode ter sido decidido só ao fim do campeonato, era de se esperar que o departamento de futebol já tivesse amaciado o terreno futuro. Não o fez.

2) O presidente anuncia que “com certeza, o Botafogo terá um time bastante competitivo em 2016”. Isso cria uma expectativa na torcida, que vai sendo minada a cada dia sem reforços e com especulações de nomes bizarros – como o primeiro e único reforço anunciado, o desconhecido argentino Joel Carli, reserva do Quilmes, time figurante no campeonato argentino.

3) (e mais grave) O Alvinegro começa o ano com o time ainda em processo de montagem e passa por cima da pré-temporada. O clube ainda não aprendeu, em todos esses anos, que o período de treinos é fundamental para todo o resto da temporada – principalmente para os times mais fracos, como será o nosso. As lesões começam a pipocar e atrapalham o clube durante todo o ano. Não precisa nem ir muito longe para buscar exemplos: basta ver como o Atlético-PR se prepara para enfrentar o péssimo calendário brasileiro.

4) Independente do resultado do campeonato estadual, o clube diz que vai guardar uma “gordurinha no orçamento” para trazer reforços para o Brasileirão, o que raramente acontece – e, quando realmente chega alguém, está obviamente fora de forma e em um estágio físico completamente diferente do resto do elenco, prejudicando a campanha nacional do Glorioso mais uma vez.

De olho em 2016, ainda temos um agravante. Sem o Estádio Nilton Santos durante toda a Série A, não sabemos onde o Botafogo irá jogar. O clube pagou o mico de fazer um evento para anunciar o Caio Martins como casa para só depois declarar que não tem dinheiro pras obras – e ainda cogitar a possibilidade de se juntar à dupla Fla-Flu nas reformas do Luso-Brasileiro. O cenário é tenebroso.

Portanto, amigo botafoguense, lamento dizer que o Papai Noel não passará em General Severiano neste Natal. O Botafogo até foi um bom menino em 2015, mas o futuro é preocupante e, até agora, indecifrável. Sigamos esperando o dia em que nossos dirigentes não repitam o mesmo ciclo errado esperando resultados diferentes e certos.

Boas festas e um feliz 2016 a todos!

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC