– O Botafogo será rebaixado com sobras no Campeonato Brasileiro.
– Ficar na metade de cima na tabela é muito para o Botafogo.
– O Botafogo acabará morrendo na praia na briga para ir à Libertadores.
– Colo-Colo, Independiente del Valle, Olimpia: um desses eliminará o Botafogo.

De um ano para cá, você deve ter ouvido alguma destas afirmações, aliás, é bem provável que tenha escutado todas elas, em diferentes momentos. Não é preciso que ninguém diga que o time da Estrela Solitária destroçou análises, ignorou o pessimismo, muitas vezes vindo da própria torcida, e, dessa forma, estreará nesta terça-feira, às 21h (de Brasília), na fase de grupos do principal torneio do continente, encarando o Estudiantes, da Argentina.

É bem verdade que pouca gente vê façanha no que o Botafogo vem fazendo nos últimos meses. Sempre se prefere colocar o próximo desafio como intransponível, quando o anterior é superado. Até por isso, a primeira partida dos comandados de Jair Ventura na Libertadores vem ganhando proporções diferentes ao jogo inicial de outros brasileiros particiantes.

Em meio a comemoração por entrada no G-11, por badalação de contratação vinda da segunda divisão do Campeonato Chinês, a equipe de General Severiano segue ofuscada, ganhando menos destaque. Em um futebol definido pela lógica de mercado, em que exposição na mídia reflete em mais receitas, o clube já entra derrotado, em meio a uma concorrência desigual, em que o nada é notícia, às vezes.

A história desse Botafogo é tão grande, que o maior ídolo da atualidade, Jefferson, se machucou, ficou mais tempo fora do que se esperava e deu espaço para que outro goleiro, Gatito Fernández, se agigantasse e virasse herói de classificação. Camilo, por sua vez, virou mais do que o queridinho da torcida, virou Mito. Rodrigo Pimpão, diante de suas limitações, se tornou um símbolo, ao encarnar o verdadeiro espírito da Libertadores, que não é o da briga, do dedo na cara de rival, mas sim o da entrega incansável.

Não pense você que, subverter a lógica, derrubar favoritos, contrariar críticos, gere oba-oba. Pelo contrário, afinal, a torcida alvinegra exerce com maestria o sagrado direito de cornetar e já sobrou para diretoria, técnico, jogadores e até para o departamento médico nos últimos meses. É um direito de quem vem empurrando o time em campo, dos que foram 40 mil contra o Colo-Colo e 30 mil contra o Olimpia.

A partir de hoje, fica o convite para que vejamos o Botafogo com outros olhos, não mais com os da dúvida. O time que estreia hoje na Libertadores pode não ser brilhante, não tirar 10 em jogo bonito, mas é um dos mais organizados do país. Nele, Carli virou um zagueiro de respeito, Aírton um volante que esqueceu as pancadas e passou a jogar bola, e por aí vai, Montillo vai se esforçando para encontrar espaço.

É claro que apostar no Alvinegro como campeão da competição parece loucura. Obviamente, não se trata de algo realista no momento, aliás, se cair na fase de grupos, não haverá demérito e as expectativas já terão sido superados. Pode se afirmar, com absoluta certeza, no entanto, que não é mais possível duvidar desse Botafogo.

Fonte: Blog do Bruno Guedes - ESPN.com.br