Bota diz estar ‘bem encaminhado’ por jogos em Brasília

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Sempre atrás de dinheiro, os clubes do Rio costumam eleger tendências como solução. Foi assim com a Timemania; os grupos de investimento e os programas de sócio-torcedor. Sem estádios no Rio — o que entrega a falta de estrutura — eles resolveram agora aproveitar o clamor da Copa da Confederações para jogar nas novas arenas e, assim, faturar em bilheteria. Nessa onda, Botafogo e Fluminense aportam neste domingo, em Recife, às 18h30m, para o “Clássico Vovô”.

A ideia foi do Alvinegro, que desde o fechamento do Engenhão não tem uma casa fixa. O clube aposta na oportunidade de jogar nos estados onde tem potencial para encher as arquibancadas. Tanto que negocia com o Distrito Federal a realização de cinco dos 17 jogos que fará como mandante este ano.

— A situação em Brasília está bem encaminhada. Visitamos o estádio e gostamos muito — disse o diretor-executivo Sérgio Landau.

Quem também vive lua de mel com o estádio é o Flamengo. O Rubro-Negro tem dois jogos marcados para o local (Vasco, no dia 14, e ASA de Arapiraca, no dia 17) e deve anunciar em breve um pacote de mais sete partidas.

— É realmente um mercado novo. Nos dá a oportunidade de levar o Flamengo para mais perto dos 75% de seus torcedores que estão fora do Rio — afirmou o presidente Eduardo Bandeira de Mello, que, no entanto, garantiu não ter desistido do Maracanã, embora clube e Consórcio estejam longe do acordo. — Continua sendo nossa prioridade.

Ficar longe de casa tem suas consequências. A primeira é o desgaste físico do time. Mas as limitações vão além:

— No momento, isso é a salvação da lavoura. O faturamento vai ser muito maior do que no Engenhão. Mas eles têm que ter sua casa. Para fazer programa de sócio-torcedor, vender carnês de ingresso e explorar outras receitas além da bilheteria. Não conheço um clube no mundo que não tenha sua casa — explicou Amir Somoggi, especialista em estudo de administração esportiva.

Os clubes não estão de olhos fechados para o problema. O Fluminense decidiu priorizar a proximidade física ao invés das arquibancadas cheias e jogar em Macaé até que saia a parceria com o Maracanã. Já o Botafogo está perto de assinar aluguel de dois anos.

— Os custos são altos. Tem taxa das federações (do Rio e do estado em que a partida ocorrer), do estádio, a operação… Os R$ 6 milhões de arrecadação do Santos x Flamengo não são o padrão. Não sei se essa onda vai durar — observou Landau.

Agenda dos estádios tem até formatura

Até a Copa do Mundo, os administradores dos estádios terão um grande desafio pela frente: mantê-los em funcionamento e rendendo dinheiro. Neste sentido, vale apelar para shows, formaturas, feiras de automóvel e, é claro, jogos de futebol.

A Arena Pernambuco, local do clássico deste domingo, tem contrato com o Náutico para receber jogos pelos próximos 30 anos. Na quinta-feira, seu estacionamento receberá uma feira de um fabricante de caminhões. E, no dia 3 de agosto, será palco para um festival de música.

— A Arena tem camarotes, área vip… Queremos mostrar para nossos clientes que estamos prontos para oferecer espetáculos de alto nível — disse Sinval Andrade, presidente do Consórcio Itaipava Arena Pernambuco.

O Castelão fez contrato com dois clubes (Ceará e Ferroviária) e, no dia 8 de setembro, irá receber a cantora Beyoncé. A estrela americana também se apresentará no Mineirão, que sediará jogos do Cruzeiro como mandante e alguns do América-MG. A cantora ainda se apresenta no Mané Garrincha, em Brasília, o preferido dos times do Rio.

A Fonte Nova não verá Beyoncé, mas terá a gravação do DVD de Ivete Sangalo, em dezembro. Além dos jogos do Bahia como mandante e cinco partidas do Vitória até dezembro, o estádio tem um espaço que vem recebendo convenções e festas de formatura.

Fonte: Extra Online

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