Na reunião entre os quatro grandes times cariocas com o juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e de Grandes Eventos, apenas o Botafogo defendeu a manutenção da torcida única na final da Taça Guanabara, marcada para este domingo, no Engenhão. Flamengo e Fluminense, que disputarão a partida, vão recorrer da decisão.

O vice-presidente do Botafogo, Nelson Mufarrej Filho, disse que o clube manterá o voto pela torcida única até que a polícia esclareça a morte do torcedor botafoguense Diego Silva dos Santos, em 12 de fevereiro. Ele foi golpeado com espeto de churrasco do lado de fora do Engenhão, no dia da partida do seu time contra o Flamengo, ainda pela fase de grupos da Taça Guanabara.

“O Botafogo entende que as investigações não terminaram. E tão logo terminem, e seja dada satisfação à sociedade, o Botafogo vota pela torcida mista. Mas a sociedade está pedindo esta resposta”, afirmou. Ele lembrou ainda que outros três torcedores foram baleados na briga entre as duas torcidas. “Tivemos a sorte de um guarda municipal ter socorrido pai e filho antes que eles tivessem os corpos incendiados.”

Para Mufarrej Filho, a garantia de segurança no jogo dada pelo major Sílvio Luiz, comandante do Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios, não foi suficiente. “Ele disse que estaria o efetivo do Gepe de 110 homens, mais reforço de 40 ou 50 policiais. Mas o Gepe faz o policiamento na parte interna do estádio. Não tinha nenhum representante da PM que pudesse garantir a segurança no entorno do estádio”, afirmou.

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, disse que o major Sílvio Luiz representava a PM na reunião e que a segurança havia sido garantida. “Flamengo, Fluminense, Vasco, a Ferj apresentaram todos os fatores a favor da torcida mista e o juiz preferiu manter a decisão. Agora nos resta recorrer. Somos contra a torcida única porque entendemos que pode ser até mais perigoso do que a torcida dupla”, afirmou. “Essa decisão surpreendeu o Flamengo porque a partida contra o Vasco, em Volta Redonda, com as duas torcidas, transcorreu sem problema algum.”

Bandeira de Mello disse que caso não obtenham o recurso, Flamengo e Fluminense se reunirão para debater como será a partida de domingo. Para ele, um dos caminhos possíveis poderia ser o adiamento da partida, mas a hipótese já foi afastada pelo diretor de Competições da Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj), Marcelo Vianna.

Cacá Cardoso, vice presidente do Fluminense, também defendeu a realização da partida com as torcidas. “Torcida única vai contra a beleza e a história dos clássicos do Rio”, afirmou.

Contrariado, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, foi o primeiro a deixar a reunião. “É uma decisão judicial. E eu não concordo com essa decisão”, afirmou, ao sair do gabinete do juiz Guilherme Schilling.

Fonte: Estadão