Natural do Rio de Janeiro, mas totalmente identificado com Chapecó. Esse é Camilo, destaque do Botafogo, mas que tem raízes na Arena Condá, local que se destacou ao vestir a camisa da Chapecoense em 2014 e 2015. Saiu para se aventurar na Arábia Saudita, mais precisamente no Al-Shabab. E todo o carisma do meia o fez construir grandes amigos por lá. Alguns deles que se foram na tragédia do ano passado, quando o avião da equipe caiu rumo a Medellín. E o jogador conta como foram aqueles dias:

“Passou um filme, até porque eu tinha contrato com o clube até o final de 2016. Então, foi um dia muito difícil pra mim e pra minha família. Eu e minha esposa choramos muito, agarrei a minha filha… Um dia de loucura, muito triste mesmo, uma sensação horrível”, afirma Camilo, que revela como foi recebeu a triste notícia do acidente:

“Foi a caminho do treino, bem cedo. Até então, não sabia de nada. Meu irmão me avisou sobre o acidente e entrei em estado de choque, de desespero, com a notícia. Realmente, foram muitas pessoas, muitos amigos. Fiquei praticamente dois anos lá, alguns conviveram comigo, eram muito próximos, como o Bruno Rangel. Tínhamos um grupo daquele elenco no Whatsapp, com Gil, Ananias, Danilo, Dener…”.

Logo após a tragédia, Camilo afirmou que mesmo com toda o clima pesado pós-tragédia, ele entrou em contato com os familiares dos antigos companheiros. E todo o drama e desespero daqueles mais próximos se transferiu para sua vida:

“Entrei em contato com a família do Bruno, a Gi e os seus filhos. Choramos muito, foi um desespero total naquele momento, realmente muito duro, muito difícil falar sobre isso”.

Por conta das atuações pelo Glorioso, Camilo conseguiu chegar à Seleção Brasileira. E todo o sucesso do meia é fruto, segundo ele, de um trabalho feito na Chape. Se fosse possível, admitiu que estaria na Arena Condá para essa partida contra os colombianos e deixou no ar uma suspense por um retorno ao time no futuro:

“Vou acompanhar a partida, sim, estarei na torcida. Vai ser também um jogo de gratidão por tudo o que os colombianos fizeram. Tenho um carinho muito grande pelo clube, muita gratidão mesmo. Quem sabe um dia eu não volto para agradecer tudo o que a Chape representou na minha carreira?”.

Dos sobreviventes da tragédia, admitiu que a amizade com o defensor Neto ultrapassa as quatro linhas. Camilo admitiu que usou o momento pós-acidente para dar forças aos amigos:

“Converso muito com o Neto. Jogamos muito videogame, eu aqui e ele lá. Estive com ele na seleção, almocei com ele no dia seguinte, inclusive. E já fiz alguns contatos com o Ruschel e com o Follmann também, para dar força pra eles”, finalizou.

Chapecoense e Atlético Nacional se enfrentam nesta terça-feira (4 de abril), pela Recopa Sul-Americana, às 19h15, com transmissão do FOX Sports. O confronto de volta acontece no dia 10 de maio, em Medellín.

Fonte: Fox Sports