Entre os torcedores cariocas, o botafoguense é o único a lavar a alma em 2015. Não que voltar à elite do futebol brasileiro seja motivo de comemoração, mas a última temporada fez o alvinegro resgatar a autoestima ou, ao menos, parte dela. Mesmo com um time inferior, o Botafogo fez frente a Vasco, Fluminense e Flamengo no Campeonato Carioca. E, enquanto os outros torcedores acompanharam campanhas decrescentes ou sofríveis no Brasileiro, o alvinegro viu a evolução do time ser premiada com o título da Série B.

— Um clube como o Botafogo nunca perde a dignidade. Mas ficamos com a autoestima abalada no ano passado. E conseguimos recuperar parte dela em 2015. Temos um caminho longo no ano que vem, mas 2015 deu mais confiança ao clube para continuar essa caminhada — disse o presidente Carlos Eduardo Pereira, no desembarque do time após a conquista da Série B, lembrando que não só de futebol vive o clube. — Também fomos tricampeões estaduais no remo em 2015. Isso também ajuda a recuperar a autoestima.

O resgate da autoestima abalada com o segundo rebaixamento da história do clube — o primeiro foi em 2002 — começou logo na primeira competição do ano, com o vice-campeonato no Carioca. Mesmo com um elenco de Série B, o time terminou em primeiro na classificação geral, passou pelo Fluminense na semifinal e jogou de igual para igual com o Vasco na grande decisão.

O título estadual não veio, mas a confiança estava restabelecida para o principal desafio do ano: voltar à elite. Este, por sinal, foi um dos grandes méritos da diretoria. Sem falsas promessas, manteve o foco no objetivo mesmo nos momentos mais conturbados da temporada. Entre eles, a eliminação precoce na Copa do Brasil, ao perder para o Figueirense em pleno Engenhão.

Uma eliminação que, acompanhada da sequência ruim de resultados na Série B e críticas de pouco espaço aos jogadores da base, fez René Simões perder o cargo de treinador. À época, até os jogadores ficaram surpresos com a demissão. Afinal, o time liderava a Série B, e René tinha aproveitamento de 66,6%.

Competência em números

A saída de René abriu espaço para a volta de Ricardo Gomes ao futebol. O novo treinador encaixou-se bem dentro da realidade do clube, que estabeleceu um teto salarial de R$ 50 mil para jogadores. A única exceção foi o goleiro e ídolo Jefferson. Uma eficiente política de gestão foi capaz de manter o ídolo e mapear e contratar atletas experientes em Série B.

Conviver dentro dessa política não foi fácil. O Botafogo perdeu jogadores importantes, mas as reposições deram conta do recado. Dentre elas, a chegada de Neilton, um dos xodós da torcida na reta final, e a revelação do atacante Luís Henrique, promessa de um futuro otimista para o supersticioso torcedor alvinegro. Logo em sua estreia entre os profissionais, o atacante mostrou categoria e oportunismo para marcar dois gols na goleada por 5 a 0 sobre o Sampaio Corrêa.

Assim como os gols não mentem sobre o potencial de Luís Henrique, os números comprovam a eficiência da campanha na Série B, mesmo que nem sempre tenha empolgado seu torcedor. O time liderou 28 rodadas e ficou fora do G-4 em apenas uma. Além disso, apresentou o ataque mais positivo(60 gols marcados) e a defesa menos vazada (30 gols sofridos).

Fonte: O Globo Online