Com lotação máxima, sergipanos se despedem do Batistão

Compartilhe:

Aos 47 minutos do segundo tempo, Bruno Mendes, do Botafogo, recebeu bola dentro da área, ficou cara a cara com Marcelo Lomba, do Bahia, e bateu para fora. Esta foi a última jogada no campo do Estádio Lourival Baptista, o Batistão, na vitória dos baianos sobre os cariocas por 2 a 1, pelo Campeonato Brasileiro, diante de mais de 13 mil torcedores pagantes. Após 44 anos, a principal praça esportiva de Sergipe finalmente fecha para ampla reforma e só volta a receber jogos de futebol em 2015, quando vai se tornar arena.

Oficialmente, as obras só devem começar na próxima semana. Na terça-feira, o governador em exercício, Jackson Barreto, assina ordem de serviço e entrega o local para a construtora baiana MRM, vencedora da licitação. Segundo o governo, serão investidos R$ 15 milhões. O dinheiro será usado para dar ao novo estádio uma capacidade de 18 mil lugares, todos com cadeiras numeradas; arquibancadas cobertas; nova iluminação e nova fachada.

No último jogo do Batistão, Bahia venceu Botafogo de virada (Foto: Filippe Araújo / FSF)
No último jogo do Batistão, Bahia venceu Botafogo de virada (Foto: Filippe Araújo / FSF)

– Já está tudo certo, na próxima terça-feira, 7h30 da manhã, Jackson Barreto (governador em exercício) assina a Ordem de Serviço de reformas do Batistão. Não temos mais como protelar. Os engenheiros da construtora vencedora já vão avaliar o local nesta quinta-feira e não teremos mais atividades aqui. É para o bem do futebol sergipano, é um sacrifício que valerá muito a pena – disse Maurício Pimentel, secretário do Esporte e Lazer do Estado.

O adeus dos torcedores e profissionais

A despedida não envolveu times sergipanos, mas mobilizou muitos torcedores locais para o Batistão. Alguns nem torciam para Bahia ou Botafogo. Foi o caso do advogado Aguinaldo Santana Filho. Com a camisa do Sergipe, ele levou o seu pai, torcedor alvinegro, para ver de perto Seedorf e companhia.

– Não perco um jogo do Sergipe aqui no Batistão. Hoje trouxe meu pai (Aguinaldo Santana) que é botafoguense doente. Fiquei feliz com a decisão de reformar o Estádio, já estava na hora. Vai deixar saudades, tenho muitas lembranças, boas e ruins, mas é necessário. Não esqueço do Estadual que ganhamos em 1992. O jogo estava empatado e Rocha fez aos 43 minutos, foi a partida mais tensa e com final feliz que tive aqui – conta o advogado.

Quem conhece bem o Estádio é o massagista do Sergipe, Neguinho. Ele garante que viveu grandes emoções dentro de campo e nas arquibancadas.

Torcedor do Sergipe leva o pai botafoguense para despedida do Batistão (Foto: João Áquila / GLOBOESPORTE.COM)
Advogado leva o pai botafoguense para o Batistão (Foto: João Áquila / GLOBOESPORTE.COM)

– Vim acompanhar o jogo de despedida do Batistão. Não poderia deixar de vir. Recentemente este lugar me proporcionou uma grande alegria, que foi o título do Sergipe após nove anos de jejum. Foi um sufoco grande, mas ganhamos. Para a nossa sequência será ruim, pois teremos que jogar fora de Aracaju por um bom tempo. Mas será melhor para o futuro do esporte aqui em Sergipe. Vai oferecer melhores condições para quem trabalha e e mais conforto para os torcedores, além de atrair mais clássico como este (Bahia e Botafogo) – disse Neguinho.

Briga por um pedaço do Batistão

A reforma vai beneficiar outras praças em Sergipe. A única definição é quanto ao gramado, que vai servir à escola do esporte no bairro Santa Maria em Aracaju. A iluminação artificial está sendo bastante disputada por muitos prefeitos do interior, mas tem boa possibilidade de continuar na capital e servir ao João Hora e Sabino Ribeiro.

– Muitas coisas serão doadas. A única coisa que está definida é o gramado. Não temos destino para a iluminação, cadeiras entre outras coisas. Tem muita gente dizendo que vai para time A ou B, ou para outros estádios, mas nada está definido e quando isso acontecer será noticiado – garantiu Maurício Pimentel.



Fonte: Globoesporte.com
Comentários