As inscrições atrasadas de jogadores de oito clubes brasileiros na Libertadores e Sul-Americana -como Fluminense, Corinthians, Atlético-MG, entre outros – foram resultado de um erro da CBF. Essa é a informação da Conmebol ao analisar o seu sistema. Serão os clubes que vão responder pela irregularidade, embora o tribunal já tenha mostrado que vai punir com multas e advertências.

Na quarta-feira, a Conmebol anunciou que havia 21 clubes com problemas de inscrições atrasadas na competição sul-americana, o que constitui uma irregularidade. São times do Chile, Venezuela, Paraguai e Brasil. Entre brasileiros, estão o São Paulo, Atlético-MG, Botafogo, Santos, Fluminense, Corinthians e Chapecoense. Todos foram denunciados ao tribunal de disciplina por irregularidade.

Pelo que o blog apurou, o processo de inscrição de jogadores na Sul-Americana e na Libertadores funciona com três passos: 1) Os clubes inserem uma lista chamada de “boa fé” dos seus jogadores no sistema da COMET, da Conmebol 2) As federações nacionais entram no sistema, conferem as listas e validam a regularidade dos atletas 3) As federações nacionais fecham uma lista definitiva que é assinada por seus dirigentes, fechadas e enviada à Conmebol. Tudo tem que ser 72 horas antes de cada fase e os passos estão previstos no regulamento.

O erro aconteceu porque as quatro associações nacionais, incluindo a CBF, não realizaram o segundo passo, isto é, validaram a lista dos jogadores. Essas federações fizeram, sim, o terceiro passo que é enviar a lista definitiva para a Conmebol. Assim, a Conmebol entende que, na prática, os jogadores estavam regulares, mas houve um erro administrativo que tem que ser punido.

Em entrevista à Fox da Argentina, a diretora jurídica da Conmebol, Monserrat Jiménez, afirmou: “Na maioria dos casos, o que ocorreu é que esqueceram do segundo passo.” Segundo ela, o atraso foi entre alguns minutos e 24 horas.

Embora o erro não tenha sido cometido pelos clubes, são eles os responsáveis por garantir que as inscrições ocorram de forma correta pelo regulamento. Pelo artigo 49 do regulamento, no parágrafo 1o, está dito que “é de exclusiva responsabilidade dos clubes a coordenação com suas associações membros para garantir que o processo seja finalizado de acordo com as diretrizes descritas pela Conmebol”.

Assim, são eles que respondem no tribunal, apesar de ser responsabilidade da CBF fazer as validações. A infração não é considerada dentro da Conmebol porque há o entendimento de que os jogadores estavam regulares. Ainda assim, o caso foi enviado para o tribunal disciplinar. É improvável a punição esportiva com perda de pontos porque há o entendimento de que ao menos os jogadores estavam regulares.

Ainda assim, o Defensor já estuda processar o Atlético-MG. É possível que todos os casos sejam julgados em conjunto. Procurada a falar sobre o caso, a CBF informou que ainda estuda o que aconteceu em relação às inscrições. O Atlético-MG afirmou não ter cometido nenhum erro.

O caso é diferente do Barcelona de Qauyquil que foi punido com perda do jogo por 3 x 0 diante do Defensor. Isso porque o clube uruguaio entrou com um processo alegando irregularidade da inscrição de Sebástian Perez. Neste caso, documentos mostram que a transferência só foi completa no dia 5 de fevereiro quando o prazo para inscrições acabava em 4 de fevereiro. Houve um erro da federação equatoriana.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL