Goleada para rival, goleada sofrida em semifinal e demissão de técnico. Revanche, virada para cima do “coirmão” e disputa de título. Dois cenários que parecem não pertencer ao mesmo time, mas essa foi a montanha russa vivida pelo Botafogo no Campeonato Carioca. Um começo conturbado, com protestos de torcida e jogos apáticos para um time reconhecido por sua vontade e entrega. O clube de General Severiano chega à sua sétima disputa de Carioca do jeito que gostam seus torcedores: com emoção, do preto ao branco.

15 jogos depois, a equipe da estrela solitária chega à final do campeonato contra o Vasco. São 4 empates, 7 vitórias e 4 derrotas. Todos os resultados negativos foram para os rivais cariocas, sendo dois para o Flamengo. Assim como na vida, no futebol não há nada melhor que um dia após o outro: foi o Botafogo o responsável por tirar o Flamengo da disputa da finalíssima, após ganhar a equipe rubro-negra por 1 a 0 no Maracanã.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)

Taça Guanabara: para aprender

Na Taça Guanabara, o aproveitamento abaixo do esperado do Botafogo e uma eliminação vexatória na Copa do Brasil resultou em protestos da torcida, com direito à ataque ao ônibus que levava os jogadores. Era o cenário perfeito para uma temporada conturbada e o Botafogo sabia que precisava reverter a situação. Ainda assim, não conseguiu: foram apenas 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota.

Seria até uma campanha regular se não fosse por essa única derrota: um verdadeiro vexame frente ao maior rival, Flamengo, pela semifinal do primeiro turno. O 3 a 1 foi suficiente para tirar o então técnico, Felipe Conceição, do cargo e trazer Alberto Valentim, um dos responsáveis pela reestruturação da equipe no segundo turno.

Três dias após a demissão de Conceição, o Botafogo anunciou Alberto Valentim. Seu único trabalho como profissional havia sido pelo Palmeiras em 2017, quando terminou o Campeonato Brasileiro como vice-campeão. Chegou ao Botafogo sob desconfiança da torcida, que pedia o retorno do ex-técnico Cuca. Em seu primeiro jogo, só 9 dias depois da sua admissão, venceu o Nova Iguaçu, fora de casa, por 2 a 1. Era a primeira rodada da Taça Rio e já era possível ver uma cara nova no alvinegro, assinada por Valentim.

Taça Rio: em busca da melhora  

Se a primeira impressão é a que fica, Valentim chegou com saldo positivo ao Botafogo. A vitória contra o Nova Iguaçu foi como a perda de um peso nas costas para a comissão técnica e jogadores do clube. A mudança não se limitou à tática da equipe e à confiança dos atletas, estava na escalação também: foram seis mudanças nos titulares. O Alvinegro de Valentim era mais rápido, trabalhava melhor a bola e a troca de passe antes de entrar na área, abrindo mão dos chutões.

Com a nova assinatura, o time de General Severiano venceu o Cabofriense e o Bangu, empatou com o Volta Redonda, mas esbarrou em Vasco e Flamengo. Contra o Vasco, uma partida movimentada decidida apenas aos 38 minutos do segundo tempo deu a vitória ao clube de Zé Ricardo. A vaga nas semifinais só foi garantida porque o Fla (quem diria?) venceu a Portuguesa e garantiu o Botafogo.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)

Apesar de ser um time mais organizado taticamente e, dessa vez, as vaias não recaírem sobre o treinador, o retrospecto ruim contra os rivais já fazia as críticas ecoarem na torcida novamente. A nuvem de desconfiança voltava a pairar sobre o Nilton Santos. Restava o título da Taça Rio para amolecer os corações botafoguenses.

A perda do capitão e a chegada à finalíssima

Como se a virada sofrida para o Vasco não fosse suficiente, o Botafogo ainda perdeu, nesse mesmo confronto, o capitão da equipe e um dos melhores jogadores do campeonato, João Paulo. Era o cenário perfeito para dar errado de novo. Como diria Augusto Frederico Schimidt, presidente do Botafogo entre 1941 e 1942: “o Botafogo tem a vocação do erro”.

Na semifinal contra o Vasco, o clube da Zona Sul Carioca devolveu o placar: se aproveitou do problema com bola aérea do time de Zé Roberto e fez 3 a 2 em cima do rival, com direito a comemoração especial de Igor Rabello em homenagem a João Paulo. O jovem zagueiro, inclusive, foi vaiado em grande parte do primeiro tempo e se redimiu no segundo marcando o gol da vitória.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)

Chegada à finalíssima da Taça Rio, o carrinho de montanha-russa do Botafogo resolveu descer de novo. No Maracanã, viu o outro “coirmão” Fluminense levantar a taça no gramado após aplicar uma goleada de 3 a 0. O alvinegro viu seu lado direito sofrer muito com os garotos Pedro e Ayrton do Flu e, numa péssima atuação da defesa, não conseguiu levar o caneco para casa.

Era a hora da semifinal contra o Flamengo e a memória dos botafoguenses eram ocupadas por todos as idas e vindas do campeonato e as derrotas críticas para seus rivais. Apesar de distante, a derrota contra o Fla na Taça Guanabara parecia querer fazer visita. Sob a desconfiança não só da torcida, mas de todos, provou que esse Botafogo era o da garra, da vontade. Era outro. E, como a tua estrela, brilhou e tirou o Flamengo da final do Carioca com um placar magro, de 1 a 0, mas suficiente.

Agora, Alberto Valentim e sua equipe têm a chance de terminar a montanha russa do Carioca no alto e dar a essa história o final mais feliz. Sem João Paulo, mas com fome de título, o Botafogo faz a primeira partida da final nesse domingo de Páscoa (01), às 16h, contra o Vasco, no Nilton Santos. Entra em campo para deixar a frase de Augusto Frederico Schimidt para trás e lembrar a emocionante de Vinícius de Moraes, que explica todo o cenário vivido até aqui: “O senhor sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?”.

Fonte: Vavel