O Botafogo terá um novo presidente nos próximos três anos. Neste sábado (25), 1.996 sócios decidirão o futuro do clube, em eleição que acontecerá no Ginásio Oscar Zelaya, na sede de General Severiano, de 9h às 21h (de Brasília). O novo mandatário ficará no clube de 1° de janeiro de 2018 até 31 de dezembro 2020. A disputa será entre a “Chapa Ouro”, com Nelson Mufarrej (Presidente) e Carlos Eduardo Pereira (Vice-Presidente Geral), de número 21; e a “Chapa Preta e Branca”, com Marcelo Guimarães (Presidente) e Mauro Sodré (Vice-Presidente Geral), de número 18.

Durante a campanha eleitoral, os candidatos à presidência concederam entrevistas exclusivas ao Esporte Interativo. Na véspera do duelo, confira um “debate” com os principais temas questionados pelos torcedores:

PRINCIPAL PROPOSTA

Nelson Mufarrej – “A principal proposta é o seguimento da recuperação do Botafogo, onde nós temos o foco principal no rígido controle da gestão orçamentária, o que não tinha. O orçamento era feito só para ser aprovado no Conselho Deliberativo. Hoje não. Todos são envolvidos para se fazer um orçamento sério. É obrigatório todos os vices-presidentes seguirem o que foi traçado no orçamento. A responsabilidade fiscal é muito importante e não era seguida. Recebemos o clube com encargos e salários atrasados. Trabalhamos pela gestão transparente”.

Marcelo Guimarães – “Vou despolitizar o clube. O clube está muito politizado. O atual grupo é fechado e a gente vai iniciar essa mudança pela profissionalização das atividades de meio. Vamos contratar profissional de mercado. Chega de amigo da praia, chega de amigo de política. Sinceramente, não acredito que alguém ache que um voluntário sem meta, sem dedicação exclusiva e sem objetivo possa render mais que um contratado do mercado, um profissional sênior que traz com ele toda bagagem de networking. É isso que a gente vai fazer: profissionalizar para fazer o futebol ter um desempenho cada vez melhor”.

CAPTAÇÃO DE RECEITA

Nelson Mufarrej – “Nós temos processos incentivados nas áreas de esportes olímpicos, como basquete, vôlei, remo e também para a base. Nós estamos trabalhando nisso. Com esses projetos incentivados, a receita vai melhorar. O que se vai gastar nesses esportes olímpicos vai se reverter para o futebol. Esse é um ponto importante, assim como os parceiros. Hoje nós temos um departamento comercial que está captando empresas na rua que possam investir na marca Botafogo. Esse resgate da marca é importante”.

Marcelo Guimarães – “Nós temos hoje duas placas de publicidade no Nilton Santos. Abandonaram o circuito publicidade. O nosso estádio é única atividade que gera receita numa escala muita modesta, que sou favorável, é uma visita guiada. Eles (atual grupo) não compreenderam que temos na mão arena olímpica. Em qualquer lugar do mundo, a arena olímpica é um ponto central turístico. Nós temos que botar o Nilton Santos na rota de turismo da cidade. Vamos fazer uma amostra olímpica para colocá-lo na rota do turismo. E vamos criar uma amostra Nilton Santos, com vista a evoluir para um museu. Já temos peças espetaculares. Vai ser montado no estádio”.

CONTRATAÇÕES

Nelson Mufarrej – “A diretoria tem a preocupação com a espinha dorsal que o Jair Ventura montou. Nós temos hoje um orçamento enxuto. Nós temos que ficar com os pés no chão. Não adianta querer comprar jogadores que não temos condições (de pagar). Chega de dívidas. Por isso que a receita do futebol diminuiu, porque temos que pagar penhoras e multas contraídas pelas diretorias anteriores. Não queremos nada que possa trazer problemas e dívidas ao Botafogo”.

Marcelo Guimarães – “Falta a esse aguerrido e respeitável time do Botafogo uma ou duas peças acostumadas com título. O campeão é a referência. O campeão faz a diferença. Hoje sofremos cronicamente com a falta de gol. Fomos eliminados de duas competições sem fazer gol. Esse time é aguerrido, que unido funcionou, mas oscila muito. A gente precisar dar a ele personalidade campeã. É isso que vamos fazer”.

COMISSÃO TÉCNICA E DIRETORIA

Nelson Mufarrej – “Vamos manter a comissão técnica. Não faz sentido trocar, está dando certo. Só se eles quiserem sair, aí não poderemos fazer nada. Ninguém é insubstituível. Mas dentro do que pensamos e desejamos, o Jair, o Antônio Lopes e a comissão técnica ficarão até o fim do meu mandato em 2020”.

Marcelo Guimarães – “Quero campeões treinando o Botafogo. O Jair Ventura é um ótimo treinador, quero a permanência dele. Quero gestores acostumados a ganhar títulos, uma diretoria que seja capaz de fazer um planejamento relacionado a plantel. O Jair eu tenho muita admiração. A prata da casa sempre tem que ser considerada. Não tenha dúvidas que ele tem que ser respeitado. Mas falar sobre mudança no futebol não ajuda neste momento.

MONTILLO

Nelson Mufarrej – “É uma pessoa de um caráter muito bom. Ao chegar no ponto que não se sentia bem para o futebol, resolveu abandonar. É evidentemente que sempre fica aquela vontade de voltar. Com a cabeça mais fria, está treinando. Ainda não fomos procurados por ele, mas se acontecer, iremos avaliar. Isso tem que ter uma avaliação do departamento médico e de toda comissão técnica para que, se eu for eleito, fazer uma avaliação se podemos e devemos contratá-lo. É um jogador que sempre gostamos e temos um carinho grande. Tomara que possa vestir a camisa do Botafogo”.

Marcelo Guimarães – “Ele cativou todos nós. Lamentavelmente, não pelo futebol, mas pela atitude. Quem não se emocionou com a verdade que ele expressou ali? Mas é preciso avaliar. Com todo respeito que tenho a ele, será avaliado. Um jogador com histórico dele, com atitude dele, tem que ser respeitado. Mas o fato concreto é que contrataram pensando no Montillo do Cruzeiro, que já não existia mais. O Montillo já não jogou em bom nível no Santos. Enfim… Será recebido, será ouvido. Vamos torcer que ele volte a jogar aquele futebol que esperávamos e ele não chegou a jogar”.

MARECHAL HERMES E CAIO MARTINS 

Nelson Mufarrej – “Caio Martins fatalmente, no início, será para jogos do sub-20 e sub-17. É o que estamos imaginando. Mas vão ter outros projetos para adequar o Caio Martins. Marechal Hermes foi totalmente degradado pela antiga gestão. O que tinha foi destruído, não tem nem banheiro, deixaram só o mato. Alguns botafoguenses limparam o local, estão levando o master para jogar lá. Talvez isso sirva de local para peneira para base”.

Marcelo Guimarães – “A gente vai precisar fazer uma avaliação. A gente sabe que o sub-15 treina em Caio Martins. Marechal está fechada. A gente tem o futebol feminino que se tornará obrigatório. É possível que a gente pense em Marechal Hermes para esse fim, por exemplo. A gente tem o master do Botafogo. Quem sabe não pode ser abrigado nesse espaço”.

Fonte: Esporte Interativo