Geração de 93 envia carta ao presidente do Botafogo, se diz ‘renegada’ e vê solução na base

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Por FogãoNET

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Geração de 93 envia carta ao presidente do Botafogo, se diz ‘renegada’ e vê solução na base
Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Os campeões da Copa Conmebol de 1993 (antiga Sul-Americana), os quais representam alguns dos maiores ídolos da história do Botafogo, escreveram uma carta aberta que será entregue à direção atual do clube apontando caminhos para o futuro.

Na carta que será endereçada à Durcesio Mello para evitar os erros cometidos no Brasileirão, estes ídolos afirmam que o caminho para o Botafogo se recuperar na Série B será apostar na base, apontando justamente para da decisão da competição em 1993 contra o Peñarol, com jogadores “dedicados” e revelações.

Logo no início da carta, a chamada Geração de 93 afirma que é “renegada” dentro do clube por anos, mesmo terem sido responsáveis pelo título de “maior expressão internacional” da história do clube alvinegro carioca.

Em outra parte da carta, é citada que na época também haviam algumas dificuldades que os jovens também experimentam hoje em General Severiano. As instalações “precárias” e a falta de alimentação mais consistente, sobrando apenas arroz, feijão e ovo.

Por fim, ressaltou que o time conseguiu surpreender a imprensa na época, que já considerava o Botafogo um fracassado antes da competição se iniciar e antes da decisão. A Geração de 93 foi capitaneada por Carlos Alberto Torres, falecido pouco depois da Copa de 2014.

Leia a carta divulgada pelo site “GE”:

“Carta aberta ao presidente e à diretoria recém-empossada do Botafogo de Futebol e Regatas,

Permitam-nos uma rápida apresentação: somos a geração de 1993, por anos renegada dentro do clube, mas que deu ao Botafogo o seu título de maior expressão internacional. A maioria de nós foi criada dentro das divisões de base alvinegra, em uma época de vacas magras em Marechal Hermes. Magras não, magérrimas. Acreditem em nós: não foi fácil levar o título sul-americano para a galeria de troféus da antiga sede do Mourisco-Pasteur.

Por esse motivo escrevemos aos senhores – temos certeza de que o exemplo e o legado da nossa geração serão muito úteis para a reestruturação que o nosso querido Botafogo tanto precisa nesse grave e delicado momento.

Começamos pelo lugar-comum das nossas dificuldades que tantas outras jovens gerações alvinegras também experimentaram: tudo era difícil em Marechal, a começar pelas instalações e, principalmente, pela alimentação. Muitas vezes nossa comida se resumia a arroz, feijão e ovo. No almoço e no jantar.

Não eram tempos fáceis. Definitivamente.

No entanto, diante dos obstáculos – por maior que fossem – jamais esmorecemos. Pelo contrário. Crescemos com o DNA alvinegro, e nos agigantamos diante das adversidades. Seguramente, daí veio a força que anos depois nos levou a conquistar a Conmebol.

Ao subirmos para o profissional, a dificuldade era ainda maior. Experimentamos uma época em que o Botafogo apostava em medalhões consagrados e pouco espaço havia para nós, as “crias” de Marechal. Contudo, como diz o ditado popular “aquilo que é do homem o bicho não come”, e a nossa hora acabou por chegar.

Sorte a nossa, e sorte ainda maior do Botafogo: faríamos a estrela solitária brilhar como nunca.

Ao nosso grupo de jovens se somariam alguns jogadores experientes vindos de fora do clube. Cada um com a sua história de vida e cada qual com a própria trajetória no futebol. Um traço em comum, no entanto, uniria todos nós: o amor ao preto e branco da camisa alvinegra.

Comandados por ninguém menos que o eterno “Capita”, um técnico que – assim como a sua comissão técnica – exteriorizava o amor ao Botafogo em todos os seus atos e declarações, fomos em frente diante de um desafio monumental: conquistar um título internacional oficial, algo que apenas seis clubes brasileiros detinham à época.

Naquele longínquo ano de 1993, muitos duvidavam de nós. Próximo à nossa estreia na competição, alguns jornais já antecipavam um “novo vexame à vista”. O pior, no entanto, ainda estava por vir – às vésperas da final, frente ao multicampeão Peñarol (naquele exato momento o clube mais vitorioso do mundo), muitos apostavam em uma sonora goleada e que a competição se encerraria já no primeiro jogo em Montevidéu.

Faltou, contudo, combinar conosco. De ilustres desconhecidos passaríamos a protagonistas – de nossos próprios destinos e do destino do Botafogo. Enfrentando um frio de 7 graus, a hostilidade da torcida uruguaia (em um tempo em que isso significava muito mais que simples vaias) e jogando com menos de 48 horas de descanso em relação à nossa última partida pelo Brasileiro, arrancamos um sofrido empate no Centenário.

No Maracanã, eles não perderiam por esperar. Vencemos na bola, apesar da violência do time adversário. Naquela noite de quinta-feira, 30 de setembro de 1993, fizemos 70.000 alvinegros explodir de alegria com a maior conquista do clube. É verdade que ficamos a ver navios na nossa premiação: ganharíamos parte da renda do jogo em caso de conquista, mas como os portões do velho Maracanã foram abertos, nada sobrou para nós. Pouco importa. Nosso amor à camisa e, principalmente, a felicidade daquela torcida ainda machucada pela decepção de 1992 foram inesquecíveis.

Só quem esteve lá consegue dimensionar esse sentimento.

Fica, assim, a nossa lição que muito pode servir ao atual momento do clube. Não temos dúvidas de que a solução para o Botafogo está em suas divisões de base, em garotos que – como nós – amam essa camisa como se torcedores fossem. Aos jogadores que vierem de fora do clube, também legamos o exemplo de 1993: não é necessário contratar grandes craques, basta trazer gente comprometida com a grandeza que é jogar no Botafogo.

Soluções simples que, assim como em 1993, poderão fazer com que o nosso clube volte ao lugar de onde jamais deveria ter saído.

Daqueles que querem ver a Estrela Solitária brilhar soberana na América novamente,

Geração 1993

Carlos Alberto Torres “Capita” (In Memorian)
Ademar Braga (preparador físico)
André Silva 93
Alexandre “Agulha” da Silva Braga
Bernardo Pasqualette (autor do livro Conmebol 1993)
Carlão 93/95
China 93
Cláudio Silva
Eliel Henrique 93
Eliomar 93/95
Marcelo Carioca 90/93
Regílson Soares
Rogerinho 93
Sandro Silva
Sinval”

Fonte: BolaVIP e GE

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