O ano de 2015 foi diferente para o Botafogo. Após um começo desacreditado e com poucos recursos, o clube fez uma campanha satisfatória no Campeonato Carioca e conseguiu, com alguma tranquilidade, o acesso e o título da Série B do Brasileiro. E uma peça fundamental no trabalho foi a contribuição de muitos jovens oriundos das categorias de base. Jogadores como Fernandes, Luis Henrique, Gegê, Diego, Jean e tantos outros foram utilizados e puderam, além de se apresentar à torcida, mostrar seu futebol pela primeira vez em um nível profissional.

Essas portas têm sido abertas pelo Botafogo nos últimos anos e o responsável pelo trabalho nas camadas inferiores é Manoel Renha. Gerente das categorias de base do Alvinegro, ele conversou com o FutRio.net e fez uma análise sobre a temporada alvinegra, com foco nos garotos que subiram. Ao todo, foram nove jogadores promovidos durante o ano – seis deles chegaram a ser titulares em uma partida da Série B.

– Foram muitos jogadores que receberam oportunidades neste ano. Diego, Jean, Dierson… O próprio Fernandes ainda poderia estar jogando nos juniores, estava no seu último ano de sub-20, mas foi pinçado para o time principal já no começo do ano. Acredito até que alguns jogadores foram poupados durante a temporada pela necessidade de subir para a Série A, para não jogar uma responsabilidade muito grande sobre eles. Mas todos corresponderam bem – afirmou.

Renha acredita que, para que os frutos possam ser colhidos a médio e longo prazo, é fundamental dar aos jovens jogadores a oportunidade de se ficarem no clube e dar a eles a melhor estrutura possível. O dirigente lembrou os casos dos meio-campistas Gabriel e Daniel, que brilhavam pelo clube até o ano passado, mas acabaram deixando o Botafogo por conta de atrasos nos salários:

– É importante tentar manter esses meninos pelo maior período de tempo possível. Num passado recente, perdemos alguns garotos porque não houve o cuidado de melhorar um salário, ter uma multa rescisória maior, e até de não se pagarem salários, como foram os casos do Gabriel e do Daniel, em 2014. Se tivéssemos esses jogadores para essa temporada, seria uma encorpada boa no elenco, e com jogadores feitos em casa.

Para 2016, a expectativa é, novamente, de um orçamento apertado para a montagem do elenco. A saída para formar um plantel barato passa diretamente pelo aproveitamento dos garotos e é a isso que o Botafogo deverá voltar a recorrer. O zagueiro Rabello e o meia Leandrinho já serão os primeiros aproveitados na pré-temporada, mas nomes como Mauro e Ribamar também vivem expectativa. Manoel Renha espera ver, mais uma vez, a garotada do Glorioso capaz de buscar seu espaço no time profissional também no ano que vem.

– O Botafogo gasta uma quantia razoável com a base todos os anos porque acredita que é possível revelar jogadores identificados com o clube, mas é mais uma questão de estratégia de gestão. Um dos poucos acertos da gestão anterior foi justamente esse investimento, no começo. Demos continuidade, tivemos poucas mexidas e a comissão técnica foi mantida. Contamos com a revelação de jogadores feitos em casa e creio que a aposta é grande para 2016. A infraestrutura de nomes experientes no time principal é fundamental, mas os garotos que vêm aí têm boas chances de vingarem – encerra.

Fonte: FutRio