A noite de quarta-feira será especial tanto para o Botafogo, quanto para Eduardo Hungaro. O clube volta à Copa Libertadores após dezoito anos de ausência. O técnico, por sua vez, encara o maior desafio da jovem carreira, que até 2014 consistia em trabalhos como auxiliar, em categorias de base ou em times de pouca expressão.
Hungaro não nega a ansiedade pelo momento. Pelo contrário: garante que um pouco de nervosismo é fundamental para a uma partida como a de quarta, contra o Deportivo Quito, na capital equatoriana. Mas os 21 dias de pré-temporada, dois amistosos e uma partida oficial – vitória por 2 a 1 sobre o Madureira, na última quinta-feira – do grupo principal deixam a confiança em alta para a decisão.
“O trabalho foi muito bem executado desde o primeiro dia. Fizemos uma excelente pré-temporada em Saquarema, e complementamos a preparação no Engenhão. Tudo que a gente imagina como necessário de preparação para a disputa de quarta a gente conseguiu executar. A expectativa é a melhor possível. Quanto à ansiedade, todo mundo está tranquilo na medida do possível. Não pode estar tranquilo demais para esse jogo. A ansiedade está controlada. É uma competição diferente, de atitude muito forte. Temos condições de fazer um bom jogo na quarta”, sentenciou Hungaro.
O lateral esquerdo Julio Cesar admitiu um “friozinho” na barriga antes de a bola rolar, mas garantiu tranquilidade do grupo durante a partida.
“Está todo mundo tranquilo, bem concentrado e sabendo da importância da partida. É normal dar friozinho na barriga, mas na hora que a bola rolar esquece. Se Deus quiser vai dar tudo certo”, complementou o camisa 6.
Seedorf fica no passado
As mudanças entre o time que garantiu a classificação à Libertadores. com a 4ª colocação no último Campeonato Brasileiro e aquela que, enfim, disputará a competição internacional, não são numerosas. Mas são significativas: principais nomes do setor ofensivo do Botafogo em 2013, Seedorf e Rafael Marques deixaram a equipe. Os substitutos diretos são Jorge Wagner e Ferreyra, que estão confirmados como titulares diante do Deportivo Quito.

Hungaro não quer saber de comparações ou de lamentações pelas perdas no início do novo ano. Um pouco mais exaltado ao ouvir a pergunta de um dos jornalistas presentas à sala de imprensa do Engenhão, o treinador novamente mostrou confiança no grupo atual do Botafogo.
“Você (jornalista) está falando do Seedorf, né? Adoro o Seedorf, respeito o Seedorf, mas temos que ultrapassar isso. O que foi a atuação do Jorge Wagner contra o Madureira? Vimos o Lodeiro também com uma movimentação excepcional. Em qualquer atividade profissional as situações de entrada e saída são absolutamente normais. Eu não gosto de ficar cultivado perdas. O Seedorf foi um cara que marcou o Botafogo, teve uma história curta e linda aqui dentro. Mas agora é outro momento, outro grupo. Não podemos ficar olhando para trás. Temos que olhar para frente, e quando eu vejo o grupo treinar eu não tenho motivo para ficar lamentando quem saiu. Tenho que valorizar quem está aqui dentro. Ele estão bem e farão uma grande temporada”, concluiu.
Julio Cesar fez coro às palavras do “chefe”, e lembrou a experiência dos reforços. Além de Jorge Wagner e Ferreyra, Bolatti e Rodrigo Souto disputam outra vaga no time nesta quarta-feira. O argentino seria o titular, mas pode virar desfalque graças a um problema no pé. Todos os quatro atletas já disputaram outra edições da Libertadores.
“A base é praticamente a mesma, saíram dois jogadores. Os que chegaram são experientes, estão acostumados com a competição, que é diferente”, lembrou Julio Cesar.
O time titular do Botafogo contra o Deportivo Quito será: Jefferson; Edílson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Gabriel, Bolatti (Rodrigo Souto), Lodeiro e Jorge Wagner; Ferreyra. A partida acontece às 22h, no estádio Olímpico Atahualpa, na capital equatoriana. O jogo de volta está marcado para o dia 5 de fevereiro, também às 22h, no Maracanã.