“Sempre digo aos jogadores: Ramón vai explicar tudo que está bem na sua carreira, eu vou explicar tudo que está ruim. Nos completamos bem”. A frase de Emiliano Díaz, em entrevista a uma emissora paraguaia, em abril, resume bem a parceria que o filho e auxiliar mantém com Ramón Díaz, novo treinador do Botafogo. Enquanto o pai se recupera de cirurgia — a retirada de um nódulo da garganta — , o italiano naturalizado argentino de 37 anos comandará o alvinegro e oferecerá as duas faces deste “ramonismo”. Aos torcedores, a intensidade e a entrega. Aos jogadores, a sinceridade e a vivência de quem deixou os gramados há pouco tempo. Emiliano começa já nesta segunda-feira, quando o Botafogo recebe o Red Bull Bragantino, às 20h, no Estádio Nilton Santos.
Nascido em Nápoles, na Itália, durante a passagem do pai como jogador pelo Napoli, Emiliano é o mais velho dos filhos de Ramón. Destino quase inescapável em uma família rodeada pelo futebol, buscou uma carreira nos gramados, assim como o irmão mais novo, Michael. Estreou como profissional no River Plate, em 2002, sob o comando de Ramón — substituindo Eduardo Coudet, ex-técnico do Internacional. Mas a vida nos gramados não era o que o futuro reservava de melhor para ele.
— Não estava à altura dos clubes por onde passei. Pelo menos do River e do San Lorenzo, não estava. Estava em outro nível, agora como treinador você analisa. Era de outra categoria, de um clube menor — avaliou o auxiliar, na mesma entrevista.
De fato, a carreira de Emiliano não emplacou: o então meio-campista rodou por clubes menores da Argentina e do Uruguai. Chegou até a reecontrar o pai no Oxford United, na Inglaterra, mas resolveu pendurar as chuteiras após apenas oito anos, em 2010. Começava ali uma parceria profissional e duradoura de muita cumplicidade entre pai e filho. Em comum, a paixão pelo jogo e pelo River Plate.
Emiliano integrou a comissão técnica de Ramón no Independiente, mas só se tornou auxiliar na terceira passagem do pai pelo Monumental, em 2012. Juntos, resgataram o River Plate e, em 2014, levaram a equipe ao primeiro título do Campeonato Argentino desde a queda à segunda divisão, em 2011.
Além da parceria à beira do campo, Emiliano é um grande defensor do legado futebolístico do pai na imprensa e nas redes. Os dois seguiram juntos em passagens por Paraguai, Al- Hilal, Al-Ittihad, Piramyds FC e Libertad.
Na passagem pela Arábia Saudita, chegou a lembrar o gênio forte de Ramón em episódio curioso: após ser provocado por um torcedor, rasgou uma camisa do Boca Juniors que recebeu. Depois, pediu desculpas e explicou que o conflito não tinha relação com o clube.
Contato próximo com jogadores
Como é possível se observar em suas redes sociais — Emiliano tem mais de 200 mil seguidores no Instagram e mais de 100 mil no Twitter — o auxiliar mantém contato próximo com os elencos dos clubes em que trabalha. Com uma experiência mais próxima dos jogadores da atualidade, dá conselhos individuais e é uma das principais peças no criterioso esquema de preparação da comissão técnica de Don Ramón para partidas, que envolve muito estudo do adversário, por meio de softwares de tática e gravações em vídeo.
Como técnico interino do Botafogo nos próximos dias, terá a missão de iniciar um trabalho que exigirá muito da parte física e do comprometimento tático dos jogadores alvinegros. Seu estilo direto também será necessário na recuperação da confiança do elenco, que tem dificuldade em transformar a posse de bola em oportunidades no ataque.
Para a partida de segunda, o Botafogo terá dois reforços e um retorno. Recuperado de Covid-19, Diego Cavalieri voltará ao gol alvinegro, enquanto o lateral-direito Marcinho — retornando após recuperação de cirurgia no joelho— e o meia Cesinha, recém-contratado, estão relacionados.