Um dia após ser confirmado o rebaixamento do Botafogo para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, Vágner Mancini deu palestra no primeiro fórum da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF), da qual é vice-presidente, e chegou a sorrir. O técnico lembrou que acumulou funções no clube, recebendo diversos dirigentes, mas não conheceu o responsável pelo departamento financeiro.

“O diretor financeiro do Botafogo, aliás, nem conheço”, disse Mancini, que está há seis meses sem receber os direitos de imagem, que representa quase a totalidade do seu salário. Mesmo assim, se esforçou até perder do Santos nesse domingo, na Vila Belmiro, e ficar sem chances de evitar a Série B nacional.

“Muitas vezes, é correto o treinador chegar duas horas antes do treino para pensar no treinamento, em quem poderá voltar a treinar depois de lesão. Mas, no Botafogo, eu tinha que chegar porque minha sala servia de atendimento para psicólogos, médicos, gerentes… Eu cuidava de logística de viagem, do comportamento dos atletas com psicólogos. Não são atribuições do treinador. É uma estrutura mal formulada que gera peso e desgaste maiores porque você interfere integralmente em outros setores”, falou o técnico.

Mancini não sabe se permanecerá no Botafogo e, no momento, participa da transição para a gestão de Carlos Eduardo Pereira, eleito presidente do clube na semana passada. Agora, trata publicamente os problemas que conviveu e que culminaram no segundo descenso da história da agremiação alvinegra.

“Vivemos uma falta de estrutura, de capacidade e de arranjo em todos os setores, faltou investimento financeiro. Isso foi determinante para o Botafogo ser rebaixado. Mesmo atuando em diversas áreas, não foi possível fazer com que dentro de campo resolvesse o que está fora. Até porque é a estrutura de fora que precisa dar respaldo”, prosseguiu.

Mancini citou o que encontrou neste ano como exemplo do que ocorre no futebol brasileiro. “Temos hoje uma estrutura falida do futebol. É necessário recuperar alguns conceitos para sermos o melhor futebol do mundo não só dentro de campo”, opinou, lembrando que pôde trabalhar melhor no Atlético-PR vice-campeão brasileiro em 2013.

“Muitas vezes, o técnico faz o papel do diretor executivo. No Atlético-PR, tínhamos o Antônio Lopes, que foi um técnico vitorioso e fazia um ele entre diretoria e técnico. Era uma equipe que funcionava. Quando a estrutura funciona e você se dedica só no campo e no futebol, há um tempo maior para estudar adversários e se qualificar. O ganho no dia a dia deixa você se dedicar muito mais ao seu atleta, que já está vindo mal formado”, declarou o treinador.

Fonte: Gazeta Press