Médico não desiste de Jobson e diz: álcool é maior problema

Compartilhe:

 Durantre três meses no começo do ano passado, o médico Roberto Hallal, torcedor do Botafogo, acompanhou de perto os passos de Jobson. Ele o levou até mesmo para conhecer o cantor Roberto Carlos, procurando tirá-lo do ambiente ao qual o jogador estava acostumado a frequentar.  Hoje, ao ver o atacante sem clube, fora dos planos do São Caetano, time para o qual havia sido emprestado, o psicanalista lamenta a situação do ex-paciente, cujo retorno foi recusado pelo Botafogo, mas não desiste.

Hallal diz que Jobson precisa entender a necessidade de receber ajuda especializada. Para o médico, o álcool é o maior inimigo do jogador, que chegou a se envolver com drogas e foi suspenso por doping em 2011.

– Pessoas que usam tóxicos precisam de longos tratamentos. Mas em três meses comigo o Jobson deixou de usar, mostrando que se tratava de um usuário que não chegava a estar no vício, mas a questão do álcool atrapalhava – disse Roberto.

Apesar de reconhecer o problema com a bebida, o médico não trata Jobson como alcoólatra. Para ele, é muito mais uma questão social, e não há como fazer um julgamento moral do comportamento do jogador, de 25 anos de idade.

– O incentivo ao uso do álcool é algo terrível. Todo mundo está comprometido de alguma maneira com o álcool, até mesmo no esporte, com a propaganda do álcool. O alcoolismo não tem programa. Conseguimos quase eliminar o tabaco no Brasil e ninguém fez nada contra o álcool, que é tão destrutivo quanto outros tóxicos – comentou.

Jobson está emprestado ao São Caetano até o fim do ano, mas o clube paulista já disse que não vai mais utilizar o jogador. O Botafogo não aceita a devolução e um novo destino está sendo procurado. A situação é mais um agravante na busca pela sua recuperação.

No clube paulista, ele voltou a enfrentar problemas fora de campo: primeiro foi parar na delegacia, acusado de violência contra sua mulher, e depois foi detido por desacato. Anunciado como grande reforço do São Caetano no início deste ano, o atacante em momento algum conseguiu se firmar como titular.

– A última vez em que falei com ele foi antes de ir para o São Caetano. Ele precisa de ajuda e, se tivesse um pouco de humildade, pediria. Não faz isso até por falta de orientação cultural. As respostas dele são muito primitivas. Se experiência corrigisse, ele já teria mudado. Nada é mágico. Ele não consegue ter uma vida regrada. Se aceitasse uma ajuda por esse nível, poderia estar em campo e render o que se espera de alguém que faz esporte coletivo – disse.

A decisão do Botafogo de recusar a volta do jogador não foi condenada por Roberto Hallal, que entendeu a atitude do presidente Maurício Assumpção. Mesmo com todos os problemas, ele não desiste de Jobson.

– O presidente fez o que achou que deveria na época e desistiu. Eu não desisti. Enquanto o ser humano está vivo dando manifestação de erro, está deixando rastros de humanidade. Uma mudança de cultura demora muito. Entendo as urgências do clube em torno do atleta, que não tenha o tempo necessário que o Jobson exige – comentou o psicanalista.

Jobson tem contrato até 2015 com o Botafogo. O jogador já passou por Bahia, Atlético-MG, Barueri e São Caetano desde que assinou pela primeira vez com o clube carioca em 2009.

Fonte: Globoesporte.com

Comentários