O ano é 2013. O Botafogo, brigando nas partes de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, tem problemas no meio-campo por lesões e suspensões. Contra o Criciúma, fora de casa, em setembro, Oswaldo de Oliveira aposta em um menino da base: Octávio. No primeiro jogo como titular, o meia faz um dos gols da partida, vitória por 2 a 1.

O começo de Octávio pelo Botafogo foi digno de filme. O meio-campista, hoje com 26 anos e atuando no Beroe, da Bulgária, contudo, não conseguiu engatar uma sequência no clube de General Severiano nos meses seguintes. Em entrevista ao LANCE!, o atleta comentou sobre este panorama.

– Pude aprender muito com jogadores consagrados, como Jefferson, Seedorf, Bolivar… até o próprio Oswaldo de Oliveira. Fomos campeões estaduais em 2013 e da Série B na minha volta da Fiorentina (em 2015). Muitas vezes o atleta precisa de uma sequência pra ganhar confiança e ritmo pra fazer o seu melhor, e acredito que algumas vezes essas sequências foram interrompidas. Não é algo que eu guardo pra mim, levo como aprendizado. O futebol é muito mais rápido do que parece, sou muito grato ao clube – afirmou.

‘Não pise na bola no meio-campo’

O holandês, inclusive, foi responsável por dar conselhos a Octávio. Na época, o meio-campista tinha 19 anos e vivia diariamente com um de 38. O jogador revela, inclusive, uma das dicas que o ex-camisa 10 lhe deu.

– Tenho muitas lembranças no clube. Na base tínhamos um time muito forte da geração 93 e 94. Quase todos daquele time titular viraram profissionais. Em 2012 fomos campeões invictos na Alemanha com Jair Ventura. Uma lembrança do profissional que eu levo para minha vida toda foi um conselho do Seedorf. Ele disse para não pisar na bola na zona do meio campo, eu tinha esse costume. Depois disso, eu não piso mais – revelou.

Na época de Octávio, os jogadores formados nas categorias de base não eram maioria na equipe titular do Botafogo, algo que é diferente do que acontece atualmente. O meio-campista reitera a torcida pelos meninos criados em General Severiano mesmo de longe.

– A base do Botafogo é muito qualificada, sempre revelando bons jogadores. Com alguns problemas financeiros, esse processo com o profissional é antecipado. Todos que vêm da base querem suas oportunidades. É o sonho de todo jovem, mas temos que ter paciência, porque nem todos estão prontos. Às vezes, por falta de paciência, se perde um talento. Estarei sempre na torcida pelos garotos de General, e sempre na torcida pelo Glorioso – disse.

Novo coronavírus

Octávio está no Beroe desde o ano passado. Pelo clube búlgaro foram quatro jogos e um gol marcado. Assim como no Brasil, as competições e atividades no país europeu estão paradas. Mesmo de longe, o meio-campista torce para que o panorama melhore em terras tupiniquins.

– A situação do vírus aqui na Bulgária está um pouco controlada. Voltamos a treinar e os jogos vão retornar dia 5 de junho, pelo menos essa foi a informação que recebemos. Passar esse momento longe das pessoas que amamos é muito difícil. Por mais que eu esteja aqui com minha esposa, nós nos preocupamos com nossos pais no Brasil, onde a situação está evoluindo rapidamente – colocou.

Octávio, inclusive, acredita que o futebol, neste momento, deve ficar em segundo plano. Para ele, as atividades e jogos só devem retornar quando os órgãos responsáveis tiverem certeza que a situação está segura.

– Sentimos falta das nossas rotinas, dos treinamentos, das resenhas no campo, do nervoso antes de começar uma partida. Nós queremos que o futebol volte o mais rápido possível, mas que isso seja feito quando tivermos uma resposta do Ministério da Saúde que estamos seguros. Enquanto não temos isso, devemos seguir os cuidados que nos foram dados. É ter paciência, que vamos passar por esse momento.

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Fonte: Terra