O Flamengo pode declarar guerra à Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Parte do comitê gestor rubro-negro está disposto a ir ao limite no embate, mas até quinta-feira prevalecia a opinião da ala moderada, do consenso. O cenário na Gávea começou a mudar após a polêmica reunião de sexta, na qual o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, teria sido ofendido pelo da Ferj, Rubens Lopes.

Os moderados defendiam um caminho: esgotar todos os meios diplomáticos. Mas depois do embate na Federação, o grupo mais radical ganhou força, ainda mais ao perceber que há apoio da torcida. A tendência, hoje, é o Flamengo partir para o confronto aberto. O raciocínio do grupo é de que após mudar a governança do Flamengo, é hora de liderar as transformações no esporte nacional.

Uma reunião nesta segunda-feira definirá o caminho dos rubro-negros. Ações na justiça provavelmente virão e a escalação de time reserva não está descartada. No grupo a revolta é grande e as conversas deverão avançar. Parte do grupo que defende o embate com a Ferj pretende, inclusive, envolver a Rede Globo na discussão.

Ao menos publicamente, a detentora dos direitos de transmissão dos jogos do campeonato carioca tem se mantido afastada da polêmica. Mas o Flamengo possui recursos que podem fazê-la se mexer, caso da utilização do time B no Estadual, levando titulares a amistosos, como faz o Atlético Paranaense desde 2013. O obstáculo é a redução do elenco, pois várias promessas da base foram emprestadas.

Unidos contra a Ferj, Flamengo e Fluminense não têm relações exatamente amistosas. É uma aliança institucional e nenhum lado está convicto quanto à possibilidade de o outro acompanhá-lo até o final. No Fluminense, o maior ponto de discórdia é a divisão do dinheiro da TV. Tricolores não concordam com a diferença entre suas quotas e de outros clubes com as do rival carioca e do Corinthians.

Os milhões da TV podem ser um ponto de afastamento entre os clubes nessa batalha contra a Federação. Tricolores admitem que Ferj e CBF poderão ameaçar os clubes. Contudo, nas Laranjeiras sabe-se que tendo o rival ao lado a chance de vitória aumenta e até a possibilidade de a Globo entrar na discussão é bem maior. A guerra só começa.

Fonte: Blog do Mauro Cezar Pereira - ESPN.com.br