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‘Plano A’, ‘vital’ e ‘paizão’: personagens do título do Botafogo de 2010 destacam Joel Santana

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Joel Santana mostra prancheta que usou na final do Campeonato Carioca de 2010, conquistado pelo Botafogo em cima do Flamengo no Maracanã
Fernando Soutello/AGIF

A alegria havia se transformado em um cenário terra arrasada. Era janeiro de 2010 e a torcida do Botafogo havia aparecido no Estádio Nilton Santos para prestigiar a estreia de Loco Abreu. Viram, na verdade, um show de Dodô, atacante do Vasco, que marcou três gols na goleada de 6 a 0 do Cruz-Maltino. Foi um dia que provavelmente todo botafoguense gostaria de esquecer, mas que também foi um marco na equipe que viria a ser campeã carioca alguns meses depois.

Após a goleada, Estevam Soares foi demitido. Um dia depois, foi anunciado que Joel Santana seria o substituto. O resto é história. Com o “Papai Joel”, o Botafogo se revigorou, superou a derrota para o Vasco, se tornou competitivo, venceu os dois turnos do Campeonato Carioca e, consequentemente, levantou o título de campeão estadual.

O LANCE! recolheu depoimentos de pessoas envolvidas – tanto dentro quanto fora de campo – no título que deu fim a uma série de três vice-campeonatos seguidos para o Botafogo, que completa exatos dez anos neste sábado. O primeiro é André Silva, vice-presidente de futebol da época, ao explicar que Joel Santana foi a prioridade da diretoria na busca por um novo técnico.

– O Joel foi o primeiro nome. Lembro que a gente falou de outros nomes caso ele não aceitasse, mas foi o primeiro. Ele era o plano A. Se ele não aceitasse, a gente tinha falado de Celso Roth, mas ele tinha uma rejeição muito grande por parte da torcida, e o Ney Franco. Foram os nomes que a gente pensou – relembrou.

A diretoria precisava de uma alternativa rápida depois de uma goleada para um dos maiores rivais. O nome de Joel Santana surge, de acordo com André Silva, em uma reunião com os três nomes mais fortes do futebol do Botafogo em 2010. Acima de tudo, a qualidade do treinador em conquistar Estaduais prevaleceu.

– Surge em uma reunião entre eu, Anderson (Barros) e Maurício (Assumpção). Não me lembro ao certo quando saca o nome do Joel, mas quando falam dele a gente lembra da qualidade que ele tinha para ganhar Estadual. Sabíamos da nossa necessidade de ganhar aquele Carioca, ligamos para o empresário dele. Acertamos tudo bonitinho e o Joel me pediu para ficar no camarote no primeiro jogo para conhecer a equipe. Foi um jogo em São Januário, o Jair Ventura, auxiliar permanente daquela época, comandou a equipe e a gente ganha em um jogo muito sofrido (2 a 1 contra o Tigres), mas tirou o peso da derrota de 6 a 0 – afirmou.

A apresentação de Joel Santana foi o começo de novos dias para o Botafogo. Em sua primeira coletiva, o treinador chamou os holofotes para si e transformou um noticiário carregado. Ele levou um currículo para a mesa, declarou que o Botafogo lutaria pelo título e bateu no peito:

– Só faltava eu nesse carioca, agora a festa vai começar. Esse negócio de Rei do Rio tem que respeitar, que sou eu. Faltava o convidado principal. Sabemos a qualidade dos outros clubes, mas estamos machucados – afirmou, durante a apresentação no Alvinegro.

Além do paizão: a visão do dia a dia

Prancheta, óculos e frases icônicas são, provavelmente, os três melhores elementos para definir Joel Santana. O “Papai Joel”, como ficou conhecido entre os jogadores, é um personagem icônico no futebol carioca – e até mesmo em proporções nacionais. Para Jair Ventura, auxiliar técnico permanente da equipe campeã em 2010, as qualidades do comandante iam além da gestão de elenco.

– É difícil listar a principal lição que eu aprendi com o Joel. Fui privilegiado de ter vários treinador como auxiliar, aprendi demais com todos. Uma coisa que me chamava a atenção era a facilidade que ele tinha de enxergar o jogo e mudar a partida dentro do vestiário. Lembro que às vezes eu descia e passava tudo que eu via, ele ficava me olhando e perguntava “Acabou?”. Aí ele passava pelos jogadores e dizia tudo que eu falei , eu ficava feliz, mas logo depois vinha um monte de coisas que eu não tinha visto. Era muito bom nessa situação de mudança tática e ele venceu muitas partidas assim, no intervalo. A gente tem esse pose de paizão com ele, mas ele tem uma leitura fantástica. Poucos têm essa capacidade – garantiu.

Jair, que viria a ser treinador do Botafogo seis anos depois, acompanhou Joel Santana no dia a dia durante a campanha vitoriosa de 2010. O comandante mais novo faz questão de ressaltar, mais uma vez, a importância do “Papai Joel” além desta figura fora de campo, apesar de também elogiar a gestão de vestiário do ex-técnico.

– Por ele ter essa marca da paizão, parece que a importância é mais no ambiente. Isso é importantíssimo, mas o Joel tem muito trabalho. Ele tinha esse perfil de paizão sim, é uma gestão muito boa, mas ele dentro do campo é muito bom, a leitura de jogo é fantástica.. Foi meio a meio para dentro e para fora do campo. Foi importante nos dois aspectos. Ele teve grande virtude dentro do campo, não à toa conquistou tantos títulos durante a carreira – completou.

Relação com os jogadores do Botafogo

Uma estratégia interessante para conquistar a confiança das pessoas em um lugar novo é por meio do humor. Parece que Joel Santana usou esta tática, de acordo com Caio Canedo, que ficou conhecido como “Talismã” carinhosamente pelo próprio treinador. O atacante, atualmente no futebol asiático, contou que o comandante, antes da primeira partida, deu uma engraçada declaração e, desta forma, tudo pareceu mais tranquilo.

– A grande mudança foi mesmo fora de campo. O elenco era praticamente o mesmo. Foram as conversas que traziam o jogador mais para perto dele. O Estevam também fazia isso, mas o Joel tem um jeito especial, demonstra muito carinho e amor. Teve um fato curioso como exemplo. O Joel ia estrear contra o Tigres, estavam todos na academia esperando que ele fosse apresentado. Ele chegou e disse “Rapaziada, a partir de hoje é um novo capítulo. Não quero saber se vamos enfrentar jacaré, morcego ou tigre”. Ali todo mundo já deu risada, já criou um ambiente mais descontraído. Dali em diante tudo mudou. A confiança e o ânimo aumentaram muito. Ele é um cara bem paizão – lembrou.

Caio vivia o primeiro ano como jogador profissional em 2010. Contratado junto ao Volta Redonda para integrar a equipe sub-20 do Alvinegro no ano anterior, se destacou e teve a oportunidade no time principal. Foi acolhido por Joel e, entrando no segundo tempo dos jogos, foi uma arma letal daquela equipe. O jogador revela que até hoje mantém contato com o “Papai Joel”.

– Foi um grande parceiro. Me dava muitos conselhos, falava para esperar que minha hora iria chegar, para continuar trabalhando firme. Foram muitos conselhos e ensinamentos diários nos treinamentos. Quase uma relação de pai e filho. Também pedia muito para eu não me deslumbrar, para manter a cabeça no lugar. Ele me ajudou a ser um homem e um profissional melhor. Quando era preciso, também dava puxão de orelha, cobrava firme. Há alguns meses mandei uma mensagem para ele. Ele me respondeu pedindo um tapete do Aladin (risos) – contou.

Novato de um lado, experiente do outro… Jefferson, que ainda então dava os primeiros passos para se tornar um ídolo do Botafogo, também destaca a forma de comunicação de Joel Santana. O goleiro conta que a chegada do treinador foi de suma importância para a conquista.

– Nós chamávamos de Papai Joel porque ele era um cara que conversava muito, não ficava aquela coisa pesada. Ele brincava e deixava o ambiente muito mais leve para a gente poder correr para ele dentro de campo. Era um cara completo e inteligente. A chegada dele foi vital para esse título – afirmou.

Além da parte da conversa, o ex-goleiro também faz questão de ressaltar a visão de Joel dentro de campo. Vale ressaltar que, ao chegar, o treinador passa a adotar uma formação com três zagueiros, dois volantes e dois alas, o que dá resultado – antes, o Botafogo atuava em um 4-4-2.

– O Joel é uma pessoa completa. É muito inteligente, foi um treinador que entendeu a competição. Tanto que ele tinha dois, três jogadores que ele colocava na hora certa, o Edno e o Caio, principalmente. Eram dois jogadores praticamente titulares no banco para colocar justamente na hora que estava precisando. Ele montou uma equipe boa, o treinamento era objetivo – finalizou.

Fonte: Terra

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