Seedorf completa um ano no Rio e em sua intensa passagem

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Neste sábado, 6 de julho, faz um ano que o Rio de Janeiro ganhou um morador dos mais ilustres. Seedorf desembarcou no Brasil para vestir a camisa do Botafogo e iniciou sua história no futebol brasileiro. Foram 12 meses intensos, com muitas vitórias, algumas derrotas e conquistas. O holandês virou exemplo a ser seguido de atleta profissional e agora já se sente em casa para ser o líder que sempre foi em sua vitoriosa carreira.

O tempo também foi suficiente para todos no Bota conhecerem melhor algumas das manias do craque, que, aos 37 anos, segue uma programação especial de treinamentos para manter sua condição física e suportar todas as partidas. A esta altura, nenhum desavisado vai chegar no ônibus e diminuir a temperatura, já que todos sabem que o holandês odeia ar condicionado. O motorista Maurão é o encarregado de “defender” o termostato.

Em sua chegada ao Rio, o camisa 10 já pôde perceber que seria tratado como um ídolo. O aeroporto lotou de alvinegros, que foram dar as boas-vindas e comprovar que o sonho estava realmente se realizando. Em bom português, ele agradeceu o carinho e prometeu muita disposição para defender o Glorioso. A presença de Seedorf mudou a rotina alvinegra, e o clube ganhou destaque tanto na imprensa nacional quanto internacional. A apresentação oficial aconteceu dia 7, antes da partida contra o Bahia, no Engenhão. O holandês chegou de helicóptero e entrou no gramado com toda a pompa que a ocasião pedia, com uma chuva de papel picado e torcida enlouquecida. Era só uma prévia.

Então com 36 anos, o holandês nascido no Suriname assombrou com sua condição física nos treinamentos que antecederam a estreia. Nos testes, deixou os mais novos para trás. Até o primeiro jogo, dia 22, foram 16 dias de espera e ansiedade. Era a hora de ver de perto a qualidade técnica do camisa 10. Quase 35 mil alvinegros foram ao Engenhão para ver o astro, e, apesar do resultado negativo – 1 a 0 para o Grêmio -, o meia teve boa atuação e deixou seu cartão de visitas.

A primeira vitória veio no dia 28 de julho, o 1 a 0 sobre o Figueirense, em seu terceiro jogo pelo Bota. O primeiro gol demorou um pouco mais. Foi no dia 4 de agosto que Clarence Seedorf, de falta, balançou a rede e ajudou o time a virar para cima do Atlético-GO, no Serra Dourada, por 2 a 1. As maiores emoções ficaram reservadas para 2013. Sob o comando de seu líder dentro de campo, o Botafogo fez uma grande campanha no Carioca e não deu chance para os concorrentes: venceu a Taça Guanabara, a Taça Rio e ficou com o título estadual. O camisa 10 teve a sua primeira conquista e ainda foi eleito o melhor jogador da competição.

Emoção, choro(s) e música

Neste período perto de Seedorf, os brasileiros puderam observar um lado emotivo do craque, que, apesar de já ter conquistado alguns dos títulos mais importantes do mundo, viveu intensamente cada momento. A primeira vez que o camisa 10 chorou em campo não foi de alegria. Em uma partida do Brasileiro de 2012, contra o Atlético-GO, no Engenhão, vencida por 4 a 0 pelo Botafogo. O holandês fez um dos gols, mas machucou a coxa ainda no primeiro tempo e deixou o gramado lentamente, chorando enquanto era aplaudido pela torcida alvinegra.

 A segunda vez que Seedorf chorou em campo foi um somatório de emoções. Ele fez três gols (pela primeira vez na carreira) na vitória sobre o Macaé e ainda tinha recente em sua memória a lembrança da perda de sua avó, que havia morrido dias antes no Suriname. O craque não conseguiu segurar as lágrimas. O último choro foi, talvez, o mais inesquecível para os botafoguenses. No dia da conquista do Carioca, Seedorf, o mesmo que já ganhou quatro vezes a Liga dos Campeões, derramou lágrimas para celebrar mais um triunfo na carreira.

Mas o que realmente acompanhou Seedorf constantemente neste um ano de Brasil foi a música. Ele se mostrou um bom cantor e conseguiu influenciar o elenco com seus gostos, como o reggae de Bob Marley, que tomou conta do vestiário. Houve até dança característica para comemorar gol. Foi a canção “One Love” do cantor jamaicano que se tornou símbolo da conquista do Carioca. Na comemoração do título, na sede lotada de General Severiano, o craque soltou a voz e foi acompanhado pelos torcedores.

 Menino do Rio

A Cidade Maravilhosa não era território desconhecido para Seedorf, casado com a brasileira Luviana e acostumado a passar férias no Brasil. O holandês logo se instalou no Leblon, bem perto do mar e da ciclovia na qual foi visto algumas vezes pedalando, sempre com um boné e fone de ouvidos. Outro programa que o camisa 10 gosta é jantar fora com sua família. Em pouco tempo, ele aprendeu a se locomover pela cidade e passou a dirigir sozinho para os treinamentos.

Expulsão e banco dos réus

Um dos momentos que Seedorf não gostaria de lembrar neste período no Botafogo foi sua polêmica expulsão na vitória sobre o Madureira por 2 a 1, em Moça Bonita. Já nos acréscimos, o holandês recebeu um cartão amarelo por se recusar a sair de campo por onde indicava a arbitragem. Ainda assim, ele insistiu em sair pelo lado oposto ao que havia sido orientado. e acabou levando o cartão vermelho.

O detalhe importante da situação é que o meia não deveria ser substituído. Quando o incidente ocorreu, o Glorioso havia acabado de realizar sua última alteração, com a entrada de André Bahia no lugar de Cidinho, machucado. Seedorf sentou no banco dos réus, se explicou e acabou sendo apenas advertido. O Bota chegou a entrar com um recurso para tentar a absolvição e deixar o jogador com a ficha limpa.

Garoto-propaganda e projetos engavetados

Seedorf visita o Nova Iguaçu (Foto: Nova Iguaçu)
Seedorf comandou um treino para jovens do Nova Iguaçu (Foto: Nova Iguaçu)

O Botafogo viu na contratação de Seedorf a chance de ter um personagem e tanto para alavancar seus projetos de marketing. Uma das principais ações do craque foi tentar atrair mais sócios para o clube, e o resultado foi considerado bastante positivo. Logo que o meia chegou, uma camisa comemorativa com a frase “Seedorf Glorioso” foi criada e também fez sucesso. Apesar disso, poucos produtos relacionados ao holandês foram criados. O departamento de marketing ainda não chegou a um acordo com a empresa que cuida da carreira do atleta sobre alguns detalhes, como o percentual que ele teria nas vendas. A ideia é ter bonecos, capas para celular, bandeiras e outros produtos personalizados.

Em uma viagem do time para Brasília, Seedorf palestrou para crianças de uma escola local. O objetivo era tornar esta prática mais recorrente, mas aquela foi a única vez que o evento aconteceu.

Fonte: Globoesporte.com

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