Usamos cookies para anúncios e para melhorar sua experiência. Ao continuar no site você concorda com a Política de Privacidade.

Jogos

Carioca

25/04/21 às 00:00 - Nilton Santos

Escudo Botafogo
BOT

X

Escudo Macaé
MAC

Carioca

17/04/21 às 16:00 - Maracanã

Escudo Fluminense
FLU

1

X

0

Escudo Botafogo
BOT

Copa do Brasil

14/04/21 às 21:30 - Frasqueirão

Escudo ABC
ABC

1

X

1

Escudo Botafogo
BOT

Na Série A, menos de 1% das torcidas participa da escolha dos presidentes

19 comentários

Compartilhe

Durcesio Mello - Eleição no Botafogo
Vitor Silva/Botafogo

Três eleições de clubes chamaram a atenção em 2020. Em plena pandemia, Internacional, Bahia e Santos realizaram votações históricas. No gaúcho, mais de 29 mil participaram do pleito que elegeu Alessandro Barcellos — recorde nacional do futebol. No tricolor baiano, quase 12 mil manifestaram sua vontade no processo que manteve Guilherme Bellintani. Na Vila Belmiro, Andrés Rueda venceu a disputa que mobilizou mais de 8 mil. Apesar disso, em nenhum dos casos a participação chegou a 1% das torcidas, o que mostra como dar voz aos torcedores na principal escolha de suas agremiações é um desafio.

Alguns dos eleitos tomam posse nesta segunda, como Durcesio Mello (Botafogo), Duílio Monteiro (Corinthians), Barcellos (Inter) e Sérgio Coelho (Atlético-MG). E um levantamento feito pelo GLOBO aponta que a democracia plena não é realidade na Série A. Dos 20 membros, aquele em que a maior parcela da torcida participou da última eleição foi o Bahia. Ainda assim, o número de votantes representou 0,57% dos torcedores.

Em 19 dos 20 clubes vigora o modelo no qual os dirigentes são escolhidos pelo voto. Em cinco deles, a eleição é indireta. Ou seja: somente conselheiros (e não o conjunto de sócios) participam. Trata-se de um grupo ainda mais seleto.

O São Paulo é um exemplo. Dono da terceira maior torcida do país — cerca de 16,8 milhões, segundo pesquisa do Datafolha de 2019 —, o tricolor elegeu Julio Casares, que recebeu 155 dos 234 votos de conselheiros (houve ainda 17 que abriram mão de opinar). Ou seja: uma fatia de 0,001%.

Dentro desse universo de apaixonados, que torcem e consomem o dia a dia do clube, os programas de sócios-torcedores ganharam relevância nas finanças e campanhas de marketing nos últimos anos. O Internacional, por exemplo, tem 126 mil associados, seguido por Grêmio (85 mil) e Vasco (83 mil).

— Incluir os sócios-torcedores é um desafio necessário. É evidente que ainda estamos falando de instituições que juridicamente são estatutárias. Muitas vezes estes modelos trazem benfeitores que ao longo do tempo investiram mais no clube e isso precisa ser harmonizado junto com novos investidores — diz Bruno Maia, especialista em inovação e novos negócios no esporte.

Clubes sem votação

Em clubes menos populares que também elegem presidentes de forma indireta, o poder de escolha está nas mãos de um grupo ainda menor. E vícios dos estatutos fazem com que eleições sejam raras. O Atlético-GO é emblemático. O clube não passou por votação ao longo da última década, já que não houve mais de um candidato. Neste caso, é aclamado pelos conselheiros. A cerimônia que deu o aval para o atual, Adson Batista, contou com cerca de 40 integrantes do conselho.

— Alguns clubes da Europa já trabalham com a ideia de votos com pesos diferentes dependendo da categoria. Eles permitem que a pessoa cresça pela fidelização, passe a ter mais história junto ao clube e, naturalmente, tenha uma voz mais pesada. Eu gosto deste modelo misto em que você preserva os sócios estatutários com maior peso, mas abre porta para que novas cabeças e classes sociais tenham opinião num clube que, hoje, não é mais uma associação de bairro. São clubes nacionais, e isso precisa ser refletido de alguma forma — completa Maia.

Grêmio e Ceará escolhem seus presidentes com o voto direto dos sócios. Mas também não preveem votação em caso de candidatura única — cenário que seus atuais mandatários assumiram.

A única exceção de toda a Série A é o Red Bull Bragantino. Desde 2019, ele funciona como clube-empresa. Ou seja, sai o modelo em que a administração é feita por dirigentes eleitos pelos sócios e entra a gestão empresarial. O negócio passa ser de natureza privada.

— Clubes de futebol profissional exercem atividade empresarial. Devem se estruturar como empresas e pagar impostos. Assim como em países como França, Espanha e Portugal, o Brasil precisa regulamentar o mercado para melhorar o ambiente de negócios. A estrutura empresarial permitirá que investidores tenham influência na proporção do seu respectivo investimento. Ao contrário do que acontece hoje, com pequenos grupos se organizando politicamente para exercer o poder — diz o advogado Pedro Trengrouse, que coordena o curso FGV/Fifa/Cies.

Como a adoção deste modelo ainda engatinha no Brasil, é importante olhar para outras soluções. Os números positivos das eleições realizadas no Inter, no Bahia e no Santos se devem à adoção do voto on-line. A discussão é antiga, e a resistência à sua adoção foi derrubada com as necessidades impostas pela pandemia. A julgar pelo sucesso, irá permanecer mesmo após a pandemia.

— O processo presencial jamais vai ser deixado de lado. Ele vai perdendo força, porque os aplicativos e o que vier a surgir no futuro vai ocupando espaço. O futuro do clube está na mão do sócio — diz Lauro Hagemann, vice de administração do Inter.

Fonte: O Globo Online

Comentários