Quase dezenove anos depois, Sidão está de volta ao São Paulo. Indicado por Rogério Ceni, o mais novo goleiro do Tricolor já defendeu o clube, em 1998, com apenas 15 anos de idade. Ele acabou dispensado no fim daquela temporada e rodou muito – chegou a desistir do futebol em 2004 – até desembarcar de volta no Morumbi para a maior e melhor chance de sua carreira, como ele mesmo descreve, em entrevista exclusiva ao Blog. Na conversa, por telefone, o provável titular do São Paulo em 2017 conta que passou os últimos dias treinando no CT, fala do encontro com Rogério Ceni, da chance de brigar por títulos, do tempo longe da bola…

BLOG: Como tem convivido com a ansiedade de estrear pelo São Paulo?
SIDÃO: A expectativa está muito grande. Não vejo a hora de começar a treinar com os companheiros para viver o dia a dia do São Paulo. Vai ser no dia 4 de janeiro. Já iniciei a contagem regressiva.

É verdade que você esteve treinando no CT da Barra Funda nos últimos dias?
Perguntei se poderia manter a forma e liberaram para que eu usasse o Reffis. Fiquei fazendo academia até o dia 23, quando viajei com minha esposa (Monike) e meu filho (Davi) para Campos do Jordão. Foi legal, porque estou com 93 quilos, perto da minha forma física ideal.

Você iniciou esse ano como reserva do Audax e terminou como um dos destaques do Botafogo e reforço do São Paulo. Qual o balanço de 2016?
Passei a minha vida toda sonhando com uma temporada como essa. Acabei virando titular do Audax no meio do Paulistão, fui para o Botafogo e o time todo conseguiu uma arrancada incrível, assinei com o São Paulo… Só posso agradecer a Deus.

Por que preferiu jogar no São Paulo em vez de continuar no Botafogo?
Sou muito grato ao Botafogo, mas quis voltar a São Paulo para ficar mais perto da minha família. O Davi nasceu recentemente e eu queria muito acompanhar de perto seu crescimento, ao lado da minha esposa.

Jogar no São Paulo é a maior chance da sua carreira?
Com certeza, é a maior e melhor chance da minha vida como jogador. E ela chega no momento em que mais me sinto pronto. Não sou mais um menino, ganhei experiência, aprendi a dar valor e estou seguro de que vou dar conta do recado.

Você falou em dar valor. Já foi diferente?
Já, sim. Quando eu estive nos juniores do Corinthians, por exemplo, tinha uma vida bem menos regrada. Gostava de sair, não me dedicava tanto. Acabei pagando o preço e cheguei a abandonar o futebol com 22 anos de idade.

Por que parou?
Porque eu só conseguia jogar em clubes muito pequenos e não recebia salário. Então, fui trabalhar como segurança, fazendo ronda de moto. Até o dia em que encontrei na rua o dono do Taboão da Serra, que já me conhecia. Ele não se conformou em me ver fora do futebol e me contratou.

Isso foi em 2003, mas você só voltou a jogar em um grande clube 13 anos depois.
Rodei bastante. Passei por União Mogi, Rio Claro, Luverdense, Sampaio Corrêa, Grêmio Prudente, Icasa, Audax… Acabei virando até um cara chato nos clubes, porque falo para os meninos darem valor às chances que têm. Foi assim com a garotada que subiu da base do Botafogo.

O que você dizia?
Para eles aproveitarem e darem valor. Vários dos que subiram da base não achavam novidade estar no Botafogo, mas eles jogam em um time grande. Isso é especial. Eu conversava com todos e usava a minha trajetória como exemplo.

Pouca gente sabe, mas você esteve no São Paulo.
Foi em 1998, no juvenil. O time tinha Kaká, Júlio Baptista, Márcio… eu me lembro que fui jogar no São Roque, que tinha uma parceria com o São Paulo. O Kaká também esteve nessa. Não cheguei a jogar uma partida oficial pelo São Paulo e me liberaram no fim do ano, com o fim do contrato.

Como imagina que será trabalhar com o Rogério Ceni?
Ainda não tive a chance de falar com ele pessoalmente, mas tenho certeza de que ele será um grande treinador. Pela liderança que tem, pelo conhecimento tático, por tudo o que representa no São Paulo. Quero muito conquistar títulos ao lado dele.

Fonte: Blog do Jorge Nicola - Yahoo! Esportes