Uma das etapas na construção de times de futebol que sejam bem-sucedidos é a criação de uma identidade. Talvez, a partir daí, seja possível compreender por que Vasco e Botafogo , tão próximos na tabela de classificação, se encontram pela segunda vez no Campeonato Brasileiro após cumprirem trajetórias tão diferentes. Nesta quarta-feira, às 21h30, jogam em São Januário um Vasco que, limitações à parte, ganhou um estilo reconhecível, e um Botafogo que é uma tela em branco — afinal estreará hoje Alberto Valentim , seu terceiro técnico no ano.

Desde o jogo do primeiro turno, disputado há quatro meses e meio, mudaram percepções e expectativas sobre os dois times. São duas caminhadas praticamente opostas. Naquele 2 de junho, o Botafogo pisava o campo do Nilton Santos para a sétima rodada do Brasileiro com nove pontos e um aproveitamento de 50% que superava previsões pré-competição. Deixou o campo com 12 pontos e 57% de aproveitamento após o gol de Diego Souza decidir o clássico e colocar o alvinegro em oitavo lugar.

Já o Vasco, que era dirigido por Vanderlei Luxemburgo apenas pela terceira vez, saía de campo na lanterna do Brasileiro, com só três pontos e aproveitamento de apenas 14%.

Desde então, a dificuldade de aliar agressividade à posse de bola do Botafogo foi se tornando um problema crônico. Se antes o time superara problemas de desempenho com resultados, aos poucos a tabela do Brasileiro passou a ser mais fiel às atuações e às carências do elenco. Desde o primeiro clássico, o Botafogo somou só 18 pontos em 18 rodadas, um aproveitamento de 33% que, se fosse projetado para todo o Brasileiro, o colocaria na zona de rebaixamento.

Em campo, Eduardo Barroca tentou alterar a forma de jogar da equipe, buscou um jogo mais direto, mas o time, que tinha dificuldade com o modelo original, tampouco chegou a absorver as novas ideias. Barroca foi demitido e o clube inicia hoje a aposta em Valentim.

Mais do que a 13ª posição com 30 pontos, cinco acima da zona do rebaixamento, o que preocupa no Botafogo é o viés de queda. Um dos desafios é melhorar o desempenho ofensivo. O time só marcou 22 gols, o quinto pior ataque do torneio.

Guarín pode estrear

O número de gols marcados é idêntico ao do Vasco. Mas o rival de hoje, embora siga com dificuldades técnicas, ao menos pareceu mais bem resolvido quanto às ideias, à identidade. Vanderlei Luxemburgo fez o time se organizar mais defensivamente e assumir sua proposta de marcação forte e saída rápida para o ataque. Se o resultado não foi brilhante, ao menos nas últimas 18 rodadas o aproveitamento subiu a 51,8%, com mais 28 pontos somados. Caso mantivesse em todo o campeonato o desempenho que teve desde o último encontro com o Botafogo, o Vasco seria o oitavo colocado no campeonato.

O time, que sofrera 13 gols nas sete primeiras rodadas — média de 1,8 —, a partir dali levou 17 em 18 jogos, média de 0,94. Ainda assim, o peso do mau início ainda se faz sentir. Tanto que o time tem 31 pontos, só um a mais do que o Botafogo, e busca pontuar para se distanciar da zona de perigo.

No Vasco, a novidade é o meio-campista colombiano Freddy Guarín, que está relacionado e ficará no banco de reservas pela primeira vez. Em compensação, Luxemburgo não terá o jovem Talles Magno, que está na seleção sub-17. Felipe Ferreira deve ser titular, atuando por trás de Ribamar. Com isso, Marrony passa para o lado esquerdo do ataque. Outro que pode entrar é o volante Bruno Gomes, na vaga de Andrey.

Fonte: O Globo Online