O Botafogo está de portas abertas para transformar seu futebol em empresa, como sugere o estudo feito pela Ernst & Young e encomendado pelos irmãos Moreira Salles. O vice-presidente executivo, Luis Fernando Santos, em entrevista à Rádio Brasil, lembrou as dificuldades do projeto, mas afirmou que a diretoria está empenhada em colaborar.

Segundo o estudo, o ideal é o clube já começar a “Botafogo S/A” (nome fictício) para 2020.

— Existe um caminho duro a ser trilhado, uma vez que nós temos o projeto conceitual que deve ser detalhado. E o tempo para aplicação é muito curto. Temos até o início de janeiro, porque essa mudança só pode ser feita na janela, ou seja, no intervalo em que não há nenhuma competição sendo realizada. A expectativa é a melhor possível sobre os resultados que serão trazidos ao Botafogo, uma vez que no primeiro momento nós tornamos o Botafogo administrável. Há cinco anos, em 2014, estudos feitos naquela época demonstravam que nós tínhamos uma necessidade de R$ 350 milhões de dinheiro novo para sanear o clube. Gestão não basta. Depende de recursos financeiros. As cobranças vão aumentando à medida que você não consegue resolver parte da dívida no primeiro ano, ela vai acumulando para os anos seguintes. Ou seja, os R$ 350 milhões que eram necessários em 5 anos não foram aportados e hoje a gente precisa de R$ 300 milhões em um ano – explicou Luis Fernando Santos.

– Nesse ponto que todo esse projeto está focado, em resolver as dívidas de curto e médio prazo e tornar o Botafogo administrável ao longo do tempo, gerando caixa suficiente não só para remunerar os investidores, mas também para melhorar o nível do departamento de futebol. Existe uma ligação quase que direta entre orçamento do futebol e resultado das competições. O Botafogo ao longo dos últimos anos tem se mantido na primeira página da tabela com um orçamento de clube da Série B. Isso se deve certamente a toda estrutura profissional que existe no departamento de futebol e, claro, ao empenho e dedicação dos atletas. Eu acho que é um caminho, uma necessidade, e a diretoria do Botafogo está profundamente empenhada em fazer com que este projeto se torne realidade. Não há nenhum obstáculo. Não existe. Nós somos botafoguenses e queremos o melhor para o Botafogo. Todo nosso conhecimento será aplicado e transferido para quem quer que seja para que o projeto dê certo – garantiu.

Um risco para o projeto é um possível rebaixamento, como alertado pela Ernst & Young e pela própria diretoria do Botafogo.

– Seria desastroso. Ao contrário do que ocorria no passado, que o time mantinha os recursos no primeiro ano de Série B, hoje o clube que cai, se não tiver dinheiro em caixa para suportar um ano de operação de departamento de futebol sem contar com recursos externos, ele praticamente vai começar a brigar de igual para igual com os outros times da Série B, tornando o retorno muito mais difícil – alertou o vice-presidente executivo.

Fonte: Redação FogãoNET e Rádio Brasil