Os jogadores de futebol, em sua maioria, são oriundos de bairros mais pobres e passam por algumas dificuldades para se tornarem atletas profissionais. Com Wenderson, volante do Botafogo, a história não foi diferente. Com apenas 15 anos, passou em uma peneira do clube e, sem saber, usou dinheiro emprestado para pagar as passagens dos quatro ônibus que pegava para chegar a Caio Martins, local de treinos das categorias de base na época.

A revelação foi feita por Anderson, pai do garoto, muito tempo depois. E ficou na cabeça de Wenderson, que tratava o futebol como profissão mesmo quando ainda era uma criança. Meses depois, ao assinar seu primeiro contrato profissional, o jovem não teve dúvidas com o que fazer com o salário: dividiu a grana com o pai.

“Foi a maior felicidade do mundo. Todo mundo em casa feliz demais. Muitas crianças queriam estar no meu lugar, sei disso. Depois do primeiro contrato, foi só alegria. Fiquei maluco quando entrou meu primeiro salário na conta. Dei metade pro meu pai, comprei roupa pra mim e guardei o da passagem. Tem que dar aquela caprichada no visual [risos]”, disse Wenderson ao UOL Esporte.

“Até conseguir o primeiro contrato, passei por muitas dificuldades. Meu pai nunca teve muito dinheiro e teve que pegar dinheiro emprestado várias vezes. Tudo para eu ter o dinheiro da passagem para poder treinar. Futebol para mim sempre foi trabalho desde os meus 15 anos. Eu só soube do dinheiro emprestado depois. Ele me contou bem depois. Fiquei muito triste por ele ter passado por isso. Por outro lado, fiquei feliz porque ele confiou muito em mim e deu certo”, completou o volante.

Wenderson é daqueles que é apaixonado pelo local onde cresceu. Irajá, para o volante, é mais que o bairro onde mora, mas sua raiz. Ele leva a sério a história de nunca esquecer de onde veio. Tanto que pretende seguir por ali por muito tempo. Nem mesmo a mudança na rotina com inauguração do CT nos próximos meses muda sua cabeça. E olha que o trajeto vai quase triplicar: de 12km para 33km.

“Não pretendo sair daqui, não. É a minha raiz. Treinar no Recreio não será ruim porque é contra fluxo, não pego trânsito. Tenho muitos amigos e não consigo ficar longe deles não. Tem nosso futevôlei, às vezes é só sentar na praça para jogar conversa fora. Nível do futevôlei é bom, mas tem uns que só completam porque quebram muito [risos]”, comentou.

Fã de Sérgio Busquets, do Barcelona, Wenderson vê a maioria dos jogos do clube catalão para aprender com o volante espanhol. Mas ele também tem suas referências dentro do Botafogo. O “monstro” Bochecha é quem ele mais se espelha. Nem mesmo as vaias de parte da torcida para o amigo mudam a admiração.

“Rickson e o Bochecha são meus irmãos. Bochecha é em quem eu me espelho. Muita categoria. Eu era meia e fui recuado para jogar de volante. Aí passei a observar a forma como ele jogava. Ele é um monstro com a bola no pé. Não dá para entender quando vi ele sendo vaiado. Ele é monstro. Mas aquilo foi um momento e acho que pegaram no pé da pessoa errada”, afirmou o volante.

“Eu gosto de jogar de primeiro volante. Tenho boa marcação e qualidade para construir as jogadas de frente. Até por isso observo o Busquets. Gosto muito de ver os vídeos dele. Fico vendo os jogos e vídeos dele para aprender a me movimentar com inteligência em campo. Isso ajuda demais”, finalizou.

Fonte: UOL