Cada jogo é uma história diferente, com situações coletivas e particulares que motivam cada jogador. E no Brasileiro de 2008 a força para o gol de Zé Carlos, o decisivo da vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, no Estádio Nilton Santos, pelo Brasileiro de 2008, veio das arquibancadas. Seu filho Jean, à época com três anos, estava lá e foi o combustível para o jogador que saiu do banco, substituiu Leandro Guerreiro, lesionado, ainda no início do jogo e, aos 34, de cabeça, bateu o goleiro Marcos em domínio alvinegro no dia dos pais.

– Foi um dia especial, um jogo importante. O Ney Franco tinha chegado no clube, iniciado um trabalho e estávamos com uma invencibilidade. Eu vinha de titular com o Ney, fazendo gols, só que naquele jogo eu fiquei no banco. No comecinho da partida o Leandro Guerreiro sentiu uma lesão, eu entrei como um meia e fui feliz com um gol. Foi um momento muito marcante e especial também por ser dia dos pais. O meu filho fez uma homenagem no dia do jogo, a Globo conseguiu focá-lo na arquibancada e fizeram uma matéria muito legal. Uma coisa emocionante que nem dá para descrever. Fico muito feliz e grato com tudo isso, com o Botafogo relembrar jogos marcantes que fizeram pelo clube. Eu tenho um carinho tão grande pelo Botafogo, um dos melhores anos meus no Brasil foi naquele Botafogo de 2008 – lembrou Zé Carlos.

Zé Carlos chegou ao Botafogo após três anos no futebol japonês com a principal virtude do potente chute e marcou gols com a camisa alvinegra, sendo naquele ano o vice-artilheiro da equipe na temporada, atrás apenas do atacante Wellington Paulista, atualmente no Fortaleza.

– A minha passagem pelo Botafogo foi uma coisa especial por ter feito uma boa temporada em 2008. Acredito que foi um dos clubes que trabalhei no Brasil e tive um aproveito muito bom. Fui o vice-artilheiro da equipe com 17 gols, ficando atrás somente do Wellington Paulista. Foi uma fase muito boa com o Cuca jogando como um meia e usando o que eu tinha de melhor, que era o chute. As faltas também, tanto eu como o Lucio Flávio. Foi um clube que marcou muito a minha carreira e fiquei feliz. Tinha vindo do Japão depois de três anos fora e no meu primeiro ano no Brasil eu consegui encaixar como uma luva, com tudo dando muito certo. Fiquei muito feliz, foi uma passagem muito boa no clube e até hoje tenho um carinho muito grande pelo clube – lembrou.

CAMINHADA SEGUE NO FUTEBOL

– Não só acompanho como estou vivenciando ainda o futebol. Muitos torcedores não sabem, mas atualmente sou o treinador do Sub-17 do Goiás e tem um ano e oito meses que estou trabalhando com essa categoria. Em 2016 cheguei ao Goiás como auxiliar do Sub-20, em 2017 treinei o Sub-20 e fui campeão goiano, estive no profissional como auxiliar do Sílvio Criciúma por duas vezes e graças a Deus as coisas estão acontecendo no clube. Tenho um carinho muito grande pela entidade e tenho um sonho de dirigir a equipe do Botafogo, que seja na base ou no profissional. Foi um time que me acolheu muito bem e tenho esse objetivo. Vou buscá-lo e tenho certeza que tenho tudo para conseguir – projetou Zé Carlos.

Neste sábado Botafogo e Palmeiras medirão forças novamente, desta vez pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2019. Com nove pontos somados, o Alvinegro ocupa a 7ª colocação, enquanto o rival lidera a competição com treze pontos. A partida, de mando do Botafogo, acontecerá no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, neste sábado(25/05) às 16h. Zé Carlos assistirá a partida e destacou o bom trabalho feito por Eduardo Barroca.

– Acompanho o trabalho do Barroca, sou fã e gosto muito das ideias de jogo dele com as saídas de bola, coisa que trabalho aqui na base também. Pede para trocar o passe, não rifar a bola. No jogo aqui contra o Goiás ele fez muito isso, mas infelizmente o poder ofensivo não funcionou para criar chances claras. Mas a saída de bola do Botafogo melhorou muito. Reparo isso nele desde 2017 quando estava pelo Goiás na Taça São Paulo. Foi ao Corinthians e também mudou esse conceito de jogar. Agora no Botafogo ele está demonstrando novamente que gosta dessa ideia de sair jogando. Estou acompanhando. O Botafogo não começou a temporada muito bem, mas agora já começou a engrenar e espero que continue tendo os resultados para terminar o Brasileiro bem – disse o agora treinador de base.

Para Zé, fica a boa lembrança do dia que foi decisivo para o Fogão na vitória pelo Campeonato Brasileiro e também o carinho pela camisa que vestiu. Onze anos depois, o jogador abre o coração, acredita ter dado seu máximo pelo Alvinegro e aproveitoou a oportunidade para falar aos alvinegros.

– Foram doze meses especiais no clube, com respeito a minha pessoa e que procurei me empenhar ao máximo com essa camisa. Teve uma situação em 2008 que ficou marcada que foi a nossa desclassificação na Copa do Brasil na semifinal para o Corinthians, no Morumbi. Foi nas cobranças de pênalti e naquela ocasião o Felipe defendeu a minha cobrança e a gente não conseguiu alcançar o nosso objetivo do título, mas isso acontece só com quem cobra, está lá dentro. Mas a torcida sabe também que pude fazer gols decisivos naquele ano, bonitos, e fico feliz. Alguns lembram muito desse pênalti, mas tenho minha consciência tranquila que dei o meu melhor. Sou muito grato e sempre que estou no Rio procuro visitar. Tenho amigos no clube… O Flávio, que é fisioterapeuta, o Zé, mordomo, o nosso grande Xuxu, massagista. São amigos, até hoje temos contato e nos falamos. Quero deixar o meu abraço aos torcedores e meu agradecimento por tudo. Fico feliz por ter sido o vice-artilheiro da equipe naquele ano e estou sempre na torcida pelo clube – encerrou Zé Carlos.

Fonte: Site oficial do Botafogo