Ney Franco foi técnico do Botafogo entre 2008 e 2009. Lembra? Em entrevista ao “Charla Podcast“, o treinador fez elogios ao clube e lembrou como foi a contratação, em um episódio curioso e pitoresco.
– A minha passagem no Botafogo é muito bacana também, cara. Peguei um time para livrar de rebaixamento, conseguimos. Eu acho que é a primeira vez que eu vou contar isso em entrevista. O Botafogo, não sei qual treinador que saiu, não sei se foi o Cuca, o Bebeto (de Freitas) me ligou. Eu vim no Rio, aqui em Ipanema, me reunir com o Bebeto na casa dele. Tinha o auxiliar dele, o (Ricardo) Rotenberg, fizemos uma reunião. Gente boa. Apaixonado com o jogador argentino, né? Saí da casa do Bebeto meia-noite, uma hora da manhã, contratado pelo Botafogo – iniciou.
– E o Botafogo, no final de semana, iria jogar contra o Náutico lá em Recife. Eu estava morando em BH na época. Eu falei, “vou pra Belo Horizonte, eu tenho que pegar minhas coisas, tira uma passagem para mim de lá, encontro com vocês em Recife”. Ficou combinado dessa forma, entendeu? Bom, aí no outro dia, sete da manhã, peguei um voo para BH. Na hora que desci em Belo Horizonte, cara, meu telefone cheio de ligação do Rotenberg. “Cara, eu queria te falar uma coisa. A gente contratou o Geninho”. “Mas estava acertado, acertamos tudo aí. Estou com a lista dos jogadores aqui. Vocês pediram até palpite para definir os 20 jogadores que viajariam. Bebeto definiu pelo Geninho“. Bacana, tranquilo. Bom, passou, cara. Aí o Geninho começou o trabalho dele, né? Geninho, gente boa pra caramba. Adoro o Geninho – lembrou Ney Franco.
– Não rolou, não deu certo. Eu sei que um dia eu estava em Belo Horizonte na cadeira de dentista, cara. Meu telefone tocando, olhei, cara, 21, 21. Cara, vou retornar. Aí liguei. “Alô, Ney, fala. Ô, Ney, aqui é o (Carlos Augusto) Montenegro. Do Botafogo. Eu sei que você está puto com o Botafogo. Quero ser objetivo com você. Você quer trabalhar no Botafogo?”. Falei, “lógico, Montenegro, que eu quero trabalhar no Botafogo”. “Então esquece tudo que o pessoal falou com você. Vem aqui para o Rio hoje. Vem aqui”. Me deu o endereço, encontrei com ele. Tinha um escritório ali em Ipanema, ali. E ele não era o presidente. Virou para mim e falou “todo mês o seu aluguel aí eu vou pagar. Pode escolher onde você quiser”. Combinou comigo o salário e aí me mandou para o Botafogo lá, para assinar a carteira. Aquelas coisas todas. Comecei o trabalho. Pena que ele não acompanhou a gente, o Montenegro. Porque é um cara arrojado, né? Tem experiência como campeão. Então, assim, tive poucas experiências com o Montenegro. Mas foi positivo. E a minha contratação foi assim, cara. Na cadeira do dentista. E a gente fez um trabalho bom com o Bebeto – contou.
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Campanha em 2008
– Foi um trabalho de recuperação também no Brasileiro de 2008. O time estava muito mal. A gente deu uma arrancada, pulou para terceiro colocado. Aí teve aquela crise econômica de 2008. E o Bebeto tinha se reunido com os atletas, tinha combinado uma premiação se a gente recuperasse. Era tipo assim, de três em três jogos, se você faz nove pontos, tem tanto em premiação. Fez sete, tem tanto. Fez seis, tanto. Cara, eu sei que a gente fez uma sequência de 11 jogos sem perder, se não me engano. Pulamos para o terceiro lugar do Brasileiro. Aí eu me lembro direitinho. A gente estava num jogo de uma Sul-Americana na Colômbia. Na volta, no aeroporto, o Bebeto reclamando. Ele se aproximou e falou “cara, aquele trato lá com os jogadores não vai ter jeito de cumprir”. Chamou o capitão na época, o Túlio. Eu falei, “putz, arrebentou”. Acho que estavam faltando seis ou cinco rodadas para terminar o Brasileiro, cara. a gente em terceiro, cara. O time foi perdendo força, caiu para sexto. Duas, três rodadas. Já tinha jogador acertado com o Corinthians. Acho que foi o Jorge Henrique, o Túlio. Algum outro foi.
– Cara, eu sei que o último jogo foi contra o Palmeiras. Foi difícil montar um time para jogar. Aí eu levei o Créu, né? Contra o Palmeiras. Lembra do Créu? Alexandro Créu. Rapaz, meteu o gol. O Cruzeiro precisava do nosso empate lá, para se classificar para a Libertadores. E esse último jogo o Cruzeiro doido para a gente vencer, né, cara? Eu falei, tem que ganhar aí. Falei com o Lucio Flavio, com o Andre Luis zagueiro, que não queria ir para o jogo. Vamos lá. O Créu fez o gol, 1 a 1.
Ano de 2009
– Foi uma história bacana no Botafogo também. Um ano de Botafogo, muito legal. Pena que depois, o Bebeto sai, entra o Mauricio (Assumpção). Começa a temporada de 2009. O Botafogo tinha cinco jogadores, cara. Aí chega o Maurício, traz o André Silva com ele, diretor. Um cara espetacular. Eu me lembro de eu reunir com o André, cara. Eu morava em Ipanema. E um time sem dinheiro. Aí liguei para o Maicosuel, para o Reinaldo atacante, conseguimos achar o Victor Simões. Fomos montando a equipe. Aí eu lembro do final do mês, o André “porra, minha conta de celular veio, sei lá, 12 pau (R$ 12 mil). “Se vira, cara” (risos). “O Botafogo não tem como pagar isso”. “Não sei, a gente tem que montar o time”. Estou rindo do André, sou padrinho de casamento do André. Gente boa. Deve estar aí no Botafogo ainda, né? Um tempão que eu não falo com ele. Trouxemos o Anderson Barros para diretor de futebol. Ganhamos a Taça Rio, fizemos final com o Flamengo, perdemos nos pênaltis. Mas foi um momento bom a passagem pelo Botafogo. Foi legal. Conheci pessoas bacanas do Botafogo. É um clube muito simpático, né, cara?