Centroavante do Atlético-MG na época, Alan Kardec viveu os vice-campeonatos para Flamengo na Copa do Brasil e para o Botafogo na Libertadores em 2024. O jogador recordou como foi viver aquele período, de expectativa e frustração.
– É final. A única coisa que você tem que fazer é ganhar. Não é sobre desempenho, não é sobre ganhar de 10 a 0. Não é sobre isso, é sobre ganhar, cara. Então, assim, você está muito focado em ganhar. Uma coisa que aconteceu e depois que você perde uma, você fala assim, OK, né? Entre aspas, assim, não é que está OK, você perdeu, mas tem mais uma chance, né? E se você pegasse e analisasse o Botafogo e o Flamengo, eu achava mais palpável ganhar a Copa do Brasil – lembrou.
– São coisas da vida, são coisas do esporte de alto rendimento. Você vai imaginar, eu sempre procuro mentalizar as melhores coisas. Só que não tem explicação. Eu acho que muitas coisas aconteceram como deveriam acontecer. Aí entra um pouco da questão espiritual. Sem falar de religião, sem falar de nada. Não estou falando sobre católico, evangélico, ou quem é de umbanda, enfim. É sobre questão espiritual ali. Eu acho que no final das contas, quando você para e analisa, tipo assim, aconteceu o que ia acontecer. Mas aí você vai explicar isso para um torcedor apaixonado? Os caras vão querer me juntar de porrada. Só que assim, não é por falta de dedicação, não é por falta de nada – lamentou.
O centroavante entrou no segundo tempo na derrota por 3 a 1 na final da Libertadores. Ele chegou a ter esperança de título quando Gregore foi expulso com menos de um minuto de jogo.
– Quando ele é expulso com 40 segundos, eu do lado do Mariano falei “Mari, meu faixa, hoje dá nó”s. O que você imagina ao jogar 100 minutos com um jogador a mais? Não estou levando em consideração o que nós temos. E aí você pega um jogo inteiro. Não aconteceu e não vai acontecer mais. Vai acontecer daqui a 300 anos, talvez nós nem estejamos aqui nessa terra. Uma final de Libertadores, um com 10, outro com 11. Pode ser expulso, de repente, com dois, com cinco, mas com 40 segundos é pouco provável – declarou.
– Aí entra aquilo. Da questão do treinador e tudo mais, isso aqui. A gente ficava naquela expectativa, né? Porque o que aconteceu? O Botafogo se fecha. Normal. O Botafogo fez, se não me engano, uma linha de cinco ou até seis. Aí você tem Igor, Luiz Henrique, Savarino e Almada. Você está num jogo posicional, de ter a bola, de ter o controle do jogo. Por mais que você tenha uma linha de cinco, com Arana e Scarpa, os caras estão todos posicionadinhos. E aí, meu amigo, é uma acelerada pra frente e os caras, pum. Não entrando no mérito do que fez, o que não fez. Você começou a final de Libertadores, o adversário foi expulso com 40 segundos e você já vai tirar um cara de imediato, jogo 0x0? Talvez eu não fizesse. Mas você começa a entender o desenrolar da parada. 1×0. 2×0. Opa. Calma aí. De repente no 1×0, opa, eu preciso colocar mais gente ali. Porque o Botafogo se fecha, sobra espaço pelo lado do campo. Começa a ter bola na área, na área, na área, para um centroavante. O jogo se desenrolou 2×1 até o final do jogo, quando sai o terceiro. Foi opção, beleza. Mas essa castigou, cara. Você poderia estar com 18 zagueiros lá e ter ganho o jogo. Poderia ser o contrário. É por isso que eu falo da questão espiritual. Assim, não vou tirar o mérito, nunca. Do que foi feito, do que tanto o Flamengo quanto o Botafogo. Mérito total e tudo. Mas você fica com aquela sensação de que, cara, por que será que às vezes aconteceu isso? Tem coisas que às vezes não tem explicação. De repente, com o tempo, enfim – encerrou.