O Botafogo vai a Guayaquil para enfrentar o Barcelona-EQU, nesta terça-feira, no jogo de ida da terceira fase da Libertadores, com o pensamento de vitória. Nada de administrar ou jogar recuado. Essa é a mentalidade da equipe, de acordo com o zagueiro Alexander Barboza, que valorizou o conhecimento que o técnico Martín Anselmi tem do futebol equatoriano.
– Ele trabalhou no Equador, contou sua experiência. Conheço muitos jogadores de lá também. E vamos tentar utilizar essa vantagem para, obviamente, ganhar o jogo. A gente vai com essa mentalidade. Sabemos que é um jogo de Libertadores, são 180 minutos, mas o Botafogo tem que ganhar. Não dá para recuar e jogar outra coisa. Esse time está feito para ganhar. Eu sempre falo a mesma coisa – declarou Barboza, à Botafogo, antes de citar os jogadores que conhece.
– Eu tentei ajudar da minha parte também, com o Martín. Conheci muitos jogadores de lá. Eu também conheço mais três. São o Villalba, que é um atacante, o meia Martinez e o zagueiro Báez. Eu sou muito amigo dos três. Temos uma relação fora de futebol. Joguei muito tempo com o Villalba, muito tempo com o Báez. Ele era meu primeiro parceiro de zaga. Ganhamos muito lá também, no Paraguai. E com o Villalba também ganhamos tudo no Paraguai. São seis taças em três anos. E com o Martínez eu me formei no River, com ele. Ele também tem a mesma idade que eu. Desde os dez anos que somos muito amigos. É uma relação fora do futebol. Ontem estávamos na ligação com ele. Ele falou que vai bater na gente, eu falei que vou bater neles (risos). Então, tem uma briga boa aí, sempre com respeito. Mas vai ser um jogo para mim também diferente. Porque tenho que enfrentar amigos do outro lado – acrescentou.
Leia outras respostas de Barboza:
Desafio fora de casa
– Sabemos que o primeiro jogo é no Equador. Eles também são fortes lá e a gente precisa trazer um bom resultado. Eu não joguei em Guayaquil, mas joguei contra outros times do Equador. Então, o futebol é diferente, mas o futebol em toda a América se vive de uma maneira muito especial, muito passional. Acho que é um jogo muito difícil, com um ambiente bom para eles, não assim para a gente, mas estamos acostumados a jogar em estádios lotados também. Acho que não é algo que pode pesar para a gente, não modifica nada.
Bom não ser na altitude
– Muito, muito, muito. A gente passou mal lá na Bolívia, a altitude era muita. Então, eu, pessoalmente, não consigo dormir. Antes do jogo, lá em Potosí, eu dormi só três ou quatro horas, tomei o remédio para dormir e não consegui. Sei que muitos jogadores passaram pela mesma situação. E é difícil, porque o corpo não está adaptado a essas condições.
Pré-Libertadores como em 2024
– Obviamente que a gente, ano passado, queria se classificar para a fase de grupos direto. Lamentavelmente, não conseguimos. Hoje estamos nesta fase. E eu sou um cara muito supersticioso. Sei que o botafoguense também é. E o primeiro time foi um time boliviano. Então, tomara que seja igual.
Parceria com Bastos
– Eu fico muito feliz com a volta dele. Eu sempre falo com ele. Temos uma maneira de conviver no dia a dia também diferente. E no ano passado a gente por momentos tinha que improvisar na zaga, porque não tínhamos muitos zagueiros. Acabou jogando o Marçal de zagueiro, com a minha lesão. Kaio também machucou. Hoje o Bastos, graças a Deus, está de volta. Obviamente que eu ficou um tempo parado, é difícil voltar rápido o corpo às condições que ele tinha fisicamente. É um animal. Eu sempre falo para ele, comento nas suas fotos. É um animal. Fisicamente, é um animal. Então daqui a pouco vamos ter o melhor Bastos que a gente viu em 2024 de volta.
Importância do Botafogo
– Representa muito. Claramente mudou a minha vida. Não só por ser o segundo time que joguei fora do meu país, mas também por tudo que vivi aqui. Não vivi em nenhum outro clube. Sou campeão de Libertadores graças ao Botafogo. Sou campeão brasileiro graças ao Botafogo. Eu falo também que ser parte dessa história não é para qualquer um. E eu fui escolhido, claramente. Eu vejo muito que vocês falam que no Botafogo não se escolhe ser Botafogo, você é escolhido. Eu acho essa frase muito boa, porque eu senti isso. Eu tinha outros times para ir em janeiro de 2024. Cheguei aqui, ninguém me conhecia, tentando novamente fazer o melhor na minha carreira para ganhar, como sempre eu me dedico para ganhar, ganhar, ganhar. Graças a Deus a escolha foi boa.
Crescimento de Justino
– Justino eu acho um cara muito bom, muito dedicado. Está novo. Sua capacidade para entender o jogo e jogar, sua personalidade, não é normal para um zagueiro tão jovem. Eu já vi ano passado, a gente tinha treinado com ele ano passado. E eu tinha falado com o Carli, que gostei muito dele. Pela sua agressividade nos treinos. E agora a gente também deu a confiança, ou mais confiança, para ele levando a faixa do capitão. Sendo novo como ele é e sendo capitão de um time que tem jogadores como Arthur Cabral, como Tuco Correa jogando, é uma responsabilidade muito grande, mas muito bonita também. E se ele é inteligente e segue trabalhando desse jeito, acho que pode ter uma carreira gigante daqui para frente.
Saber jogar Libertadores
– São os melhores times do continente, o nível de competição é muito maior. Por isso são poucos os times que ganham na competição. E você precisa do melhor de cada um. De minha parte, eu tento fazer, obviamente, o que eu sei. Que é organizar. Eu me considero também um cara com muita personalidade. Sou uma boa pessoa, mas também tenho muita personalidade. E cobro a todo mundo, quem tem que cobrar. Eles já sabem que eu sou de boa. Mas se tem o que cobrar, eu vou cobrar. Como eles podem me cobrar também, eu não vou ficar chateado. Porque eu gosto também, quando eu não faço as coisas corretas, direitinho, que me cobrem. Eu sou assim. Você precisa do melhor de cada um. E eu tento dar o meu melhor. E uma dessas coisas é ajudar com a liderança.
Presença de jovens
– Vou começar falando que eu também fui menino. Então, eu tento fazer tudo o que fizeram comigo. Eu, graças a Deus, desde que era criança, joguei só com gente boa. Gente muito parceira, que não tentava demonstrar essa diferença de idade. E eu, desde o primeiro dia, que os meninos vêm para jogar com a gente, vêm para treinar, eu já tento falar com eles e tentar que eles se sintam um jogador mais. Não que é um menino e tem que respeitar. Tem que respeitar, sim. Mas dentro do campo. E fora tem que ser um cara bom, tem que ser gente boa. Eu tento, desde a primeira hora, falar com eles, chamar de cria, meu amigo, irmão. Para que eles se sintam também confortáveis. E isso também dá confiança para eles. Para depois evoluir muito e se desenvolver de uma melhor maneira dentro do campo.
Vocação ofensiva
– Eu sou um cara que, como você falou, eu me cobro muito. Eu sou um cara que gosta muito de fazer gol. Gosto muito de participar nas jogadas de gol. Não sou um zagueiro que pega a bola e dá para o cara do lado. Que pega a bola e dá um chutão para frente. Eu tento também armar as jogadas. Tento colaborar com a fase ofensiva. E por isso eu cheguei aqui também, eu acho. Então, hoje tenho duas assistências, um gol. E vou seguir procurando fazer mais. Porque, como falei agora, eu gosto. Mas também tenho que saber quando posso e quando não. Diferenciar os momentos. E isso me aconteceu em outros clubes também, no Paraguai. No primeiro ano no Paraguai eu fiz só um gol. No segundo ano eu fiz acho que dois. E no terceiro eu fiz mais de seis. Então vou tentar, de minha parte, colaborar muito mais com a parte ofensiva.
Recado para a torcida
– Um abraço grande para todo mundo. Esperamos vocês para a volta no Nilton Santos. E para a final do final de semana também (Taça Rio). Vamos precisar de vocês para dar essa força. São muito importantes para a gente. Então, vamos juntos.