O Botafogo tem recebido críticas nos últimos jogos por manter seu estilo e não encontrar alternativas para enfrentar retrancas, como foi nos empates contra Criciúma, Cuiabá, Atlético-MG e Vitória. O técnico Artur Jorge admite que é necessário ter mais eficiência, mas valorizou o modelo alvinegro.
– Não perdemos há 13 ou 14 jogos. É um registro que fica. Mas não temos que pensar só em não perder, temos que pensar em ganhar. Nos custa olhar para os três últimos jogos, em que não conseguimos vencer, fizemos mais de 70% de posse de bola, 80 finalizações, fomos dominadores, mas não conseguimos. É frustrante para nós enquanto equipe. Em 80 finalizações, fizemos um gol. É manifestamente pouco, tem impacto na parte emocional dos atletas, aumentando a ansiedade, a dificuldade que criamos a nós. Jogar da mesma forma para mim é ótimo. É um elogio, não uma crítica. Assumo que temos uma ideia, a equipe está enraizada e identificada, que nos tem mantido em primeiro lugar, trazido sucesso. Hoje, se tivéssemos ganho os últimos três jogos estaríamos a dizer muito bem, porque a ideia está assimilada e jogadores estão cumprindo. Ficaria pior se não conseguisse resultados porque mudei estrutura, botei jogadores fora de posição. Isso para mim é mais positivo, tendo em vista o trabalho que desenvolvemos e acreditamos – explicou.
– Falo há muitos meses sobre a importância do aspecto mental de uma equipe. Obviamente, o impacto que tem de não ganhar. Sejamos realistas, nas últimas seis rodadas, não conseguimos vencer e temos três pela frente. Permite adversários encurtarem distâncias, mas isso não abala nem faz com que estejamos desesperados nessa altura. As duas expulsões em campo, a terceira é fora… Fazer apenas três pontos em nove é difícil para quem luta por títulos aceitar. Mas só pode ser revertido se tivermos capacidade de olhar do ponto de vista negativo, em que nos assustamos, ficamos com dúvidas e não conseguimos reagir. Onde o lado positivo pode fazer diferença? Perceber que dependemos de nós próprios. Quero ver por esse lado. Não fiquei satisfeito com os resultados obviamente, mas tenho a capacidade de poder perceber o que é continuidade de longa temporada, que muito nos cria dificuldades. Não é bom porque é fim de campeonato. Mas tivemos períodos excelente que nos permitem ainda estar com a pontuação de primeira posição. Com confiança no trabalho, sendo positivo, no que desenvolvemos diariamente, podemos garantir que vamos lutar até o fim por este título. É a única certeza que tenho. Vamos para três jogos como finais. Não há outra forma de olhar para isso, porque temos daqui a dois dias mais um jogo importante. Nada vai ficar decidido, mas muito pode decidir em relação ao título – afirmou, referindo-se ao duelo com o Palmeiras.
O treinador considera que é possível encontrar formas de vencer os jogos no atual modelo.
– O que me incomoda é não ganhar. Obviamente, temos tido equipes, cada ponto vale ouro na parte final, que vêm jogar muito perto da sua grande área, aproveitando transições ofensivas. São equipes com nove ou dez homens atrás da linha da bola. Faz termos dificuldades naquilo que é a forma de jogarmos, no que podemos encontrar de espaços, ser mais verticais no corredor central. Isso nos obriga a encontrar espaço mais nas laterais e tentar a partir daí ter finalizações para aproveitar cruzamentos. Fizemos mais de 35 nos últimos três jogos, mas falta eficácia. Quando tivemos, por exemplo, contra um Peñarol que todos falaram do desempenho defensivo, nós fizemos cinco gols. Conseguimos desbloquear. Às vezes um gol muda toda a situação. Cada jogo tem uma história diferente. Temos tido histórias parecidas, mas sem nunca deixar de tentar ganhar. É parecida a forma que os adversários jogam, com pouca ambição de ganhar o jogo ou ser mais ofensivo, nós procuramos, tentamos, estamos em cima do adversário, mas não é fácil criar e não concretizar. Foi uma realidade para nós nos últimos três jogos. Muito pode ser erro da nossa parte, da minha também, mas com expectativa de que as coisas possam melhorar. Se eu não criasse, não tivesse volume, estaria muito mais preocupado. A verdade é que temos que ganhar jogos nessa parte final. Eu estar a explicar ou justificar pouco valor tem, tendo em conta os pontos conseguidos. É criar, ter enormíssima superioridade, mas não conseguimos ganhar – encerrou.