Base: como funciona a análise de desempenho e a captação de atletas no Botafogo

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Por FogãoNET

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Hugo Godoy e Humberto Moreira, da base do Botafogo
Divulgação/Botafogo

A observação do lado de fora do campo, vinda de pessoas profissionalmente capacitadas para tal, sempre foi um fator preponderante para o futebol. Estes exames a partir do acompanhamento da prática do esporte em si são mais relevantes ainda quando se trata de atletas em desenvolvimento. Dando continuidade à série de matérias sobre os departamentos das categorias de base do Botafogo, Hugo Godoy, da análise de desempenho, e Humberto Moreira, da captação de atletas, detalharam o trabalho feito em seus setores.

No Glorioso desde junho de 2018, Hugo contou que, na pré-temporada da base do Fogão, são feitas análises qualitativas e quantitativas, a nível individual e coletivo, em que buscam, através da observação dos treinos e amistosos, identificar pontos a serem evoluídos para que a equipe inicie as competições o mais próximo possível daquilo que é considerado ideal. Já no processo de análise do adversário, ele disse que são levados em consideração as características tanto individuais quanto coletivas da equipe. Nelas, é buscado identificar pontos fortes do adversário que devem ser neutralizados através de alguma estratégia, e pontos fracos, onde o Alvinegro pode obter alguma vantagem a ser explorada.

“No futebol atual, todas as decisões tomadas pela comissão técnica são embasadas em dados, não apenas do departamento de análise de desempenho, mas também da fisiologia, nutrição, psicologia… É um trabalho sistêmico, multidisciplinar, que busca fornecer à comissão técnica informações relevantes que possam diminuir a margem de erro nas decisões”, detalhou Godoy, que é formado em educação física e especializado em análise de desempenho pela CBF Academy.

Hugo, de 24 anos, ainda expôs que os dados de treinos e jogos coletados pelo departamento de análise são transferidos para relatórios e, então, apresentados à comissão técnica, através de reuniões diárias, onde é feita a interpretação das informações recolhidas. Ele completou falando que o maior desafio do analista de desempenho não consiste somente na coleta de dados, mas sobretudo na interpretação da informação, para que seja produzido conteúdo relevante para os demais integrantes da comissão técnica e aproxime a equipe de um melhor rendimento em campo, e consequentemente das vitórias.

“A troca entre análise de desempenho e captação, especificamente, ocorre no processo de identificação de possíveis atletas em equipes adversárias nos jogos que disputamos, focando em carências de nossa equipe que precisam ser supridas através de contratações. Então, nós mandamos vídeos das partidas e produzimos vídeos individuais de determinados atletas que estão no mercado e o departamento de captação desenvolve mais o conteúdo sobre eles. Trabalhamos trocando informações e apresentando a perspectiva de cada um sobre o jogador”, explicou Hugo.

Já Humberto, que está no Botafogo desde abril de 2019, afirmou que o departamento de captação está sempre monitorando as competições de base que ocorrem no Brasil, realizando visitas a projetos e escolinhas parceiras, exercendo análise de vídeos e buscando avaliar os jogadores em todos os aspectos (sejam eles técnico, tático, físico e mental). Dissertando mais sobre sua área de atuação, ele contou que faz edição de vídeos individuais quando necessário, treino para os grupos de avaliação, assiste jogos in loco e monitoramento de súmulas e viagens para competições, além de reuniões com a comissão e coordenação.

“Nosso departamento busca incessantemente qualificar a base do clube. A partir do momento que encontramos um atleta com potencial, fazemos uma leve comparação com os jogadores que já estão em nosso grupo, e se o atleta encontrado tiver uma margem de evolução maior, ele certamente será aproveitado pelo Botafogo. Posteriormente, assim que o novo atleta for aprovado pelo clube, se discute junto à comissão qual jogador da mesma posição estaria atrás no processo e tem menos margem para evolução e, assim, fazemos uma avaliação geral do plantel”, relatou Moreira, que também é formado em educação física e possui cursos de especialização em análise do mercado.

Ao lado de André Silva, campeão da Conmebol de 1993 pelo Alvinegro, Humberto comanda o departamento de captação de atletas na base.

Com 22 anos, Humberto concluiu ponderando que é sempre muito difícil prever o potencial que um atleta tem, devido às variantes que o futebol exige e entrega hoje em dia. Porém, em suas observações, ele tenta fazer uma mescla da parte física com a parte técnica do jogador.

“Se considerarmos que o atleta tem boas condições nessas duas competências, o departamento de captação acredita que ele tem tudo para ter um grande potencial. Dessa forma, nossa área busca estar diariamente nos treinos, embora não seja sempre possível devido às outras demandas do departamento, trocando ideias com as comissões a respeito dos atletas que estão em avaliação e sobre as carências das categorias”, finalizou.

Fonte: Site oficial do Botafogo

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