Seguem quentes os bastidores do Botafogo. Nesta quinta-feira, o jornalista Bernardo Gentile, no canal “Arena Alvinegra”, trouxe novos detalhes sobre a briga entre John Textor e o clube associativo, enquanto o Alvinegro está travado financeiramente e enfrentando uma grave crise também esportiva.
O empresário norte-americano agora estaria costurando um acordo com a Ares, no sentindo de encerrar a disputa na Justiça. Para isso, ele conta também com o cenário de pressão sob os acionistas da Eagle na França. Do outro lado, o Botafogo associativo estaria tentando melar um possível acordo, negociando direto com a Ares para ganhar tempo na busca de um novo investidor mais à frente.
– Está claro que existe uma briga entre Textor e o social. Textor quer seguir no Botafogo e o social quer tirá-lo do Botafogo. Quais são os planos do Textor para tirar o Botafogo dessa enrascada? Primeiro é o que já está acontecendo, a entrada desses novos sócios, esse empréstimo que ele conseguiu pegar com esses fundos e o empréstimo seria revertido em compra de ações. O Textor fez um movimento para se defender e colocou esse dinheiro dentro do clube. Entrou esse dinheiro e agora ele quer transformar esse empréstimo em venda de ações – iniciou Gentile.
– O problema é que o social, enquanto quer tirar o Textor, também está querendo evitar que esse dinheiro entre, porque quando esse dinheiro não entra, a mensagem que o social passa é que o Textor não consegue mais tocar o projeto do jeito que ele quer, ele precisa de dinheiro e não tem mais crédito. Se essa solução acontecer, o Textor vai para o segundo passo, que é fazer o famoso acordo com a Ares. E aí a história começa a ficar bem cabeluda, porque são muitas coisas e quem está ditando o ritmo de tudo isso são as polêmicas na França. Não dá para ignorar o contexto da França em tudo o que acontece no Botafogo – continuou.
– Temos que lembrar que a Ares e os outros sócios da Eagle estão enfrentando uma verdadeira bananada lá na França, com muitas ações. Uma é do próprio Textor, que está os acusando de terem cometido crime para tirá-lo do poder no Lyon. Se a Ares começa a entender que eles vão tomar nesse caso, ela vai precisar entrar num acordo com Textor. O que acontece lá na França é importante para influenciar a Ares a aceitar esse acordo. A Ares pode aceitar um acordo com o Textor, porque a situação dela na França também é ruim. Ela pode estar querendo acabar com essa situação o mais rápido possível. Existe muito essa possibilidade. Inclusive, nos bastidores, dizem que esse acordo verbal com a Ares já existe. Aí fica naquele campo de você acreditar se de fato existe ou não – seguiu.
– Caso Textor consiga botar os investidores aqui, virem donos do Botafogo, aconteça o acordo com a Ares, falta mais uma coisa ainda no plano do Textor, que é correr atrás do dinheiro do Lyon, aquela situação do caixa único. As contas estão sendo feitas. Quem deve quem? Quanto deve para quem? No final das contas, dizem que o Textor ainda tem para receber US$ 35 milhões no saldo. Mas, no dinheiro que poderia entrar se o Textor for cobrar o Lyon, é uma cobrança na casa dos US$ 100 milhões. E ninguém fala que o Botafogo vai ter que buscar esse dinheiro. E aí tem muita coisa envolvida nisso aí. Textor quer a volta desse dinheiro, vai brigar por isso, depois dele botar esses investidores no Botafogo e tentar um acordo com a Ares. Se conseguir, ele vai buscar esse dinheiro e buscar novos investidores também – completou.
Thairo e estratégia do Botafogo social
Do outro lado, o Botafogo associativo, na figura do presidente João Paulo Magalhães Lins, estaria tentando melar esse acordo, buscando uma negociação direta com a Ares. Bernardo Gentile explica que houve até momentos mais tensos entre João Paulo e Textor recentemente, além do ex-CEO Thairo Arruda já ter tentado também um acordo com o fundo, credor do empresário estadunidense.
– Por que esse acordo não acontece? Primeiro, o Textor precisa capitalizar o Botafogo para poder dar o próximo passo. Isso primeiro passa pelo social fazer a assinatura e liberar o dinheiro para entrar. Enquanto isso está acontecendo, o social não desistiu. E como que ele tenta fazer isso? Melando o acordo que teria entre Textor e Ares, oferecendo um acordo que pode ser melhor para a Ares. Foi isso que aconteceu, por exemplo, quando o Thairo [Arruda] estava aqui ainda no Botafogo. Ele, à frente dessa negociação direta com a Ares, chegou num acordo e, nesse acordo, eles tirariam o Textor, o Botafogo receberia o dinheiro e, com esse dinheiro, eles iriam tocar o clube a curto e médio prazo até encontrar um novo comprador.
– O problema é que esse comprador não existe. O sonho do social é encontrar esse comprador. O boom de investidores externos aparecerem comprando clubes aqui no Brasil passou. Vale a pena a gente parar de novo nas mãos do social para eles tentarem esse comprador que não existe? É melhor do que os planos que o Textor tem? Não sabemos – continuou Gentile.
– Thairo saiu, mas o social continua nas conversas com a Ares. Inclusive, numa das vindas do Textor ao Botafogo, o João Paulo [Magalhães, presidente] foi ao camarote do Textor e revelou que estava em conversa direto com a Ares. Nesse momento, o Textor expulsou ele do camarote. Só para você ter noção de como está a situação. E aí, as informações que rolam nos bastidores, confirmei isso até com pessoas do próprio social, é que, diferente do Textor, que vai brigar com o Lyon pelo dinheiro, o social já está fazendo um outro tipo de acordo, que é abrir mão do Lyon, o Lyon fica para a Ares, para a Eagle e para quem quer que seja, e eles pagam um valor para o Botafogo, o Botafogo fica livre deles e com esse dinheiro ele consegue tocar o clube por um tempo até encontrar um novo comprador – encerrou.