Rodrigo Bellão pegou uma sequência dura no Botafogo. Ter que reverter um 6 a 1 contra o Cienciano (venceu apenas por 1 a 0) e enfrentar Athletico-PR, Flamengo e Palmeiras em sequência. Até agora, duas derrotas no Campeonato Brasileiro, o que técnico interino tratou de minimizar.
– Quando eu falo da sequência difícil de Athletico, Flamengo e Palmeiras, eu quero dizer, não desrespeitando ninguém, mas é uma realidade do campeonato, que eles são os três líderes. Eu acho que não tem jogo não tem jogo fácil, mas se tem três times que estão embalados no momento, são esses três. E acho que é uma sequência… Poucas equipes vão enfrentar esses três ao mesmo tempo como nós estamos enfrentando. Então eu enxergo por essa ótica, né? Por isso que essa dificuldade momentânea é nossa. E talvez na sequência vamos enfrentar equipes em diferentes momentos da competição, assim como a gente está passando por um momento difícil. Eu acho que o torcedor tem que tentar olhar para o lado positivo, como eu disse no início. A gente tende, quando está triste, a olhar muito para o copo meio vazio, sabe? E se a gente não começar a enxergar o lado… Tudo na vida tem coisa boa e tem coisa ruim. Qualquer um de nós aqui dentro tem os seus pontos fortes e pontos fracos. E quando a gente começa a olhar só para o ponto fraco, quando a gente começa a olhar só para o copo meio vazio, a gente deixa de criar perspectiva. Como eu acredito muito, acredito no dia a dia, acredito jogo a jogo, partida a partida, um passo de cada vez, acho que quando a gente olha para o copo meio cheio, quando a gente olha como outros colegas seus aqui disseram da criação, do quanto a gente está conseguindo jogar, o quanto a gente melhora, o quanto a gente está criando chances, acho que é nisso que o torcedor pode se apegar também. A gente não está deixando de acreditar e deixando de produzir. Mas se a gente deixasse de produzir ia ser uma situação um pouco mais difícil para a gente – ponderou Bellão.
O treinador evitou colocar a fuga do rebaixamento como o principal objetivo.
– Eu acredito muito que o Botafogo… Enquanto eu estiver aqui, a gente vai entrar para vencer partidas, sabe? Então, eu sou uma pessoa… Eu falo muito isso. Eu penso sempre um passo de cada vez. Eu não sou uma pessoa de fazer projeções. Eu penso no que eu posso resolver de problema. O problema que eu tenho eu preciso resolver. Então, se no momento a gente está precisando de vitórias, o meu foco é tentar fazer o que a gente está criando, está produzindo, mas não está ganhando. E o meu foco vai ser, tem sido e vai continuar sendo ganhar. Buscar a melhoria para ganhar, algum ajuste para ganhar. Eu não me preocupo com alguma projeção futura ou não. Isso o Rodrigo Bellão dizendo. Aí, cabe talvez a diretoria responder quais são as pretensões do clube. Mas, para mim, é ganhar o jogo. Então, o próximo trabalho que a gente vai fazer é ganhar o próximo jogo. Eu vou trabalhar para isso. E, na sequência, a mesma coisa. E, já, já, a gente está passando por um momento turbulento. E eu tenho certeza que, já, já, é uma tabela difícil para a gente nesse momento. Então, foram três jogos contra os líderes, sem ainda perder o Palmeiras, os três líderes do campeonato. Então, são jogos difíceis que a gente conseguiu jogar criando nos dois jogos. Isso, para mim, não faltou nesse quesito desempenho, mas falta agora o resultado acontecer – disse.
Veja outras respostas de Bellão:
Como melhorar?
– Eu posso comentar em relação ao tempo que eu estou aqui. Eu acho que eu tenho buscado muito esse equilíbrio. Eu acho que a hora que a gente conseguir equilibrar, porque a gente tem um ataque positivo também, um dos ataques mais positivos na competição, e a hora que a gente conseguir equilibrar o nosso jogo ofensivo com o nosso sistema defensivo, porque como equipe, isso para mim não é nada individual, é a equipe, a equipe produz, a equipe cria, a equipe também deixa o adversário não produzir, deixa o adversário ter dificuldade. E acho que esse equilíbrio a gente está tentando encontrar. Assim como foi da outra vez que eu passei e eu tentei criar isso, e é o que eu estou tentando nesse momento. E a gente, minutos antes de tomar o primeiro gol, a gente também faz um gol que é anulado pela arbitragem. Então acho que criamos, fizemos, e aí por uma questão de arbitragem acabou sendo anulado. Não revi esse lance, mas, volto a dizer, estava uma questão equilibrada.
Tática contra o Flamengo
– A gente tinha uma estratégia de poder controlar o jogo fechando o corredor central. E acho que isso era muito importante, pela qualidade de jogo que o Flamengo proporciona, desestabiliza muitos os adversários, conseguindo construir por dentro. Então, a gente entrou num 5-3-2. E aí, com essa linha de cinco, os três meio-campistas. Fechamos bem o corredor central, por boa parte do primeiro tempo. No final, começamos a não conseguir manter a posse. E essa era a nossa dificuldade. E aí, eles acabaram crescendo mais. Mas, até uma boa parte do primeiro tempo, a gente estava conseguindo até controlar defensivamente. Eles não estavam criando chances, já mais na reta final do primeiro tempo que eles começaram. A partir disso, eu optei para o Danilo Pereira, para a gente conseguir ter mais profundidade. Um jogador que faz muita ruptura, tem muita mobilidade ali, meio como o segundo atacante. Então, eu optei, não sendo ponta, eu optei em manter um centroavante e um segundo atacante por dentro. Eu acho que aí a gente conseguiu desequilibrar. Tendo os nossos dois médios aqui pelo lado. Tanto o Edenílson quanto o Danilo jogando mais pelo lado. Para criar situações, a gente conseguiu atacar o lado deles, até entrar e atacar as costas do lateral, criando um dois para um em cima de lateral. Então, talvez se eu colocasse ponta, ficaria lateral e ponta na mesma linha. Eu queria alguém por dentro para a gente conseguir fazer esse dois para um. Acho que foi esse o sucesso que a gente teve na segunda etapa.
– E depois, quando eu coloco o Júnior Santos, já o Júnior jogando por dentro e não na ponta. Acho que o Cabral fez uma partida em que combateu, lutou muito e estava criando chances. Mas, naquele sprint final, a gente precisava pôr uma gasolina nova, por exemplo. Então, essa foi a ideia de pôr o Júnior com um pouquinho mais de energia ali naquele momento que a gente estava buscando e criando bastante. E o Villalba para manter a linha de cinco, tendo um poder mais ofensivo, porque ele ia entrar com gasolina nova também. Com combustível novo é o termo que eu gosto de usar. Então, para conseguir ter velocidade para bater e voltar. Eu não quis mexer nas linhas de três zagueiros justamente para evitar essa transição. E acho que a gente conseguiu, no seu tempo, evitar muito a transição do Flamengo. Tanto que os jogadores deles acabaram até sendo substituídos para tentarem dar gás novo ali. E o segundo gol acabou sendo não uma transição em um momento em que a gente está lá em cima montado neles, mas uma transição de bola parada, que aí os zagueiros já não estão, estão na área. Enfim, aí acaba tendo alguns reajustes, vamos dizer assim, que a gente não conseguiu evitar como equipe essa transição deles. Que eu acho que foi um ponto forte no nosso segundo tempo. Muitas vezes a gente olha só para o ataque e esquece de lembrar que se a gente não estiver organizado atrás, a gente não consegue cuidar disso. E acho que a gente conseguiu fazer isso com maestria no segundo tempo. Por isso que a gente conseguiu proporcionar a nossa equipe mais na frente.
Cruzamentos
– Eu trabalho bastante. É uma coisa que eu acredito muito, que é a chegada pelos lados. É um jogo pelo lado para depois trazer para dentro. E cruzamento faz muito parte disso. Nós estamos trabalhando, volta a dizer, falando de mim, do que eu trabalho. Eu tenho trabalhado bastante término de jogada pelos lados. E acho que é uma questão de tempo da gente geral conseguir melhorar isso. Acho que não é uma questão individual. Acho que muitas vezes a torcida, o pessoal, olha muito só para um jogador específico. Mas acho que é geral. A gente pode melhorar num todo. Porque podem ser muitos jogadores, na dinâmica que eu entendo o jogo, como eu disse, podiam ser os médios caindo pelo lado hoje. Na última partida, o Edenílson eu fiz cair pelo lado também. E acho que é uma questão geral. De quanto melhor a gente terminar a jogada pelos lados, acho que a gente vai ter mais efetividade. Então é uma questão que nós estamos trabalhando sim nesses dias que eu estou aqui.
Chances no elenco
– Em todas as minhas partidas eu fui variando as escalações, eu acho que todo mundo está tendo muita oportunidade. Lógico que uns mais, outros menos. Alguns jogadores chegaram mais recentes e eu estou precisando até conhecê-los melhor, para entender como usá-los melhor. Eu penso muito no futebol, como eu disse na resposta anterior, em explorar a qualidade e a característica que o jogador pode me trazer. E acho que é isso, por isso que eu mudo algumas escalações. Acho que esse jogo talvez vai ter algum tipo de característica. Eu tento potencializar quem eu posso potencializar. Eu sei que a torcida, em geral, no Brasil, pede há muitos anos, quer conhecer do goleiro ao ponta-esquerda sempre a escalação e acho que é uma realidade que o futebol mundial já passou isso há muitos anos. Eu me lembro de menino, eu menino ouvindo isso da crônica esportiva. Ah, não conheço do goleiro ao ponta-esquerda, não se conhece mais, sim. Talvez desde 70 a gente não conhece. E acho que essa rotatividade, essa intensidade dos jogos proporciona rotatividade. Então, o Villalba, por exemplo, é um jogador que eu ainda não tinha utilizado e utilizei nessa partida. Na partida passada eu utilizei, por exemplo, o Edenílson, que eu não tinha utilizado ainda. Então, assim, aos poucos a gente vai colocando e preenchendo o time com as qualidades que eu acho que os nossos jogadores podem ter.