O imbróglio entre acionistas pela SAF do Botafogo pode ter uma solução no horizonte. Em longo desabafo, o jornalista Bernardo Gentile, do canal “Arena Alvinegra”, revelou nesta quarta-feira (25/3) que a Ares procurou John Textor e demonstrou interesse em um acordo.
– Eu tenho que, nesse momento, fazer uma contextualização que eu acho importante de por que eu não sou completamente fora Textor nesse sentido ainda. Porque quando você analisa as soluções, você tem que analisar o contexto geral das coisas. O Botafogo hoje deve muito dinheiro para a Ares. A Ares, ao mesmo tempo, está envolvida, até o último fim de cabelo, em vários problemas lá na França. Não só a Ares, como os outros sócios da Eagle. E isso é importante pra contextualizar toda essa crise. Por quê? – iniciou Gentile.
– A Ares procurou o Textor para tentar chegar a um acordo, porque a Ares já não está se vendo resolvendo mais o problema da melhor maneira. “Ah, tiro o Textor, eu assumo, vendo, ganho meu dinheiro”. A situação lá na França se complicou de tal maneira que, de repente, tudo caminha para o famoso acordão, sabe? Fecha aquele acordo que “ninguém sai perdendo tanto, todo mundo sai ganhando alguma coisinha e vamos em frente”. Então, se existe essa possibilidade, e aí a gente vive num Brasil que é o país da pizza, que a gente sabe que tudo sempre termina num famoso acordão, eu estou acostumado com esse tipo de situação, eu vejo isso acontecendo no Brasil o tempo todo… Agora, na hora que o Botafogo pode ir para esse caminho, eu não sei se não é a melhor solução.
– O Botafogo está num cenário muito ruim, muito ruim. Eu não acredito que o Botafogo, com o orçamento que tem, vai conseguir pagar as dívidas que fez. O Botafogo só tem uma solução, que é dinheiro externo. Precisa de entrar dinheiro externo, mas ninguém está querendo botar dinheiro no Botafogo. Ninguém está achando o Botafogo hoje atrativo o suficiente para chegar e para comprar – acrescentou.
Para o jornalista, John Textor é quem aponta um caminho, ainda que incerto.
– Diante disso, o único alguém que mexe com dólar, que faz dinheiro rodar, que está disposto, é o próprio Textor, com suas maluquices e suas loucuras e suas bizarrices administrativas. E não é só uma loucura que pode dar certo, pode ser uma loucura que pode chegar longe e quebrar o Botafogo, beleza? O plano do Textor, se der certo, deu certo. Se o plano do Textor der errado, pode quebrar o Botafogo do mesmo jeito, tá? Deixando bem claro isso. E aí eu estou deixando claríssimo isso aqui. Então, assim, só que esse contexto da França, esse contexto de tudo o que está acontecendo na França é muito importante para o debate. E eu vejo muito pouca gente falando sobre isso – ponderou.
– A Ares, que é a principal credora do Botafogo, está envolvida em um monte de problemas lá fora, um monte de órgão fiscalizador lá na França está em cima deles, e o Textor pode sim ser uma ajuda fundamental no processo para aliviar a barra deles lá. E para isso pode-se conseguir um grande de um acordo que envolva Botafogo, Lyon, Ares, Eagle e tudo mais, e o Textor pode ganhar essa força. Esse é um dos planos do Textor. E não dá pra dizer, conhecendo o Brasil do jeito que a gente conhece, o mundo como ele funciona, não dá pra dizer que essa é uma possibilidade irreal. Não é. É uma possibilidade que pode acontecer, e eu não sei se não é o melhor de acontecer agora, porque, repito, a situação do Botafogo é complicadíssima pra ser resolvida por si própria – adicionou.
Por fim, Bernardo Gentile ainda deixou sua posição, sem tomar lado.
– A maioria das pessoas que eu vejo tentando dar uma solução é do famoso remédio amargo. “A gente vai ter que cortar da carne, a gente vai ter que viver com o que tem, a gente vai ter que pagar conta, a gente vai ter que baixar nossa folha para menos de R$ 10 milhões”. Se fizer isso, cara, é viver por aparelhos. É viver numa cama de hospital por 30 anos. É isso que você quer? Essa é a grande solução? Isso é o suficiente?
– Eu tenho muitas dúvidas. E eu não quero deixar aqui um caminho, eu não quero impor a minha verdade. Eu tenho as minhas dúvidas, e você me deixa com as minhas dúvidas? Deixa eu ter a minha dúvida? Não me rotula de porra nenhuma, não. Eu só tenho dúvidas. Eu não faço a menor ideia de qual é o meu caminho. Não concorri para ser dono de porra nenhuma. Eu não botei dinheiro para comprar ninguém. Não botei meu nome no social para virar presidente de alguma coisa. Não sou eu que tenho que decidir nada, não. Eu vou apenas dar a minha opinião sobre o que eu acho. E no momento, a minha opinião é que eu tenho dúvida sobre muita gente. Só que eu tenho que analisar todos os cenários que podem aparecer – explicou.
– E, para mim, o contexto da França está sendo pouco levado em consideração, de forma proposital, né? Tem gente que quer mostrar que isso não é um caminho para que o único caminho seja o outro, porque defende o outro caminho. Só que não precisa ser assim. Por que a gente não pode ter dúvida, levantar todas as dúvidas e bater todas as dúvidas? Eu acho que o caminho passa pelo debate, pela conversa, pelo entendimento. Não por ficar apontando o erro de cada um, porque todo mundo tem erro pra caralho aqui. Nesse caso aqui, olho por olho, vai ficar todo mundo cego mesmo, porque tá todo mundo errado de todos os lados – completou.