John Textor apareceu no último fim de semana no Rio de Janeiro, visitou General Severiano, foi ao evento Libertadores Experience e deu entrevistas. Como o Botafogo social reagiu? No canal “Gigante Glorioso”, Guilherme Cardozo deu detalhes.
– Ele veio com uma missão. Missão quase impossível, mas ele veio com uma missão, com uma estratégia. E eu entrei em contato com a diretoria, agora há pouco. Aguardei até para saber o que a diretoria, o que o presidente, a cúpula do Botafogo está pensando da presença do Textor aqui. Eu falei para vocês, eu não encampei o discurso de “olha, o Textor está aí, será que vai colocar alguma coisa em risco?” Não, porque existe uma questão jurídica que está muito bem protegida. Mas existe também do outro lado a criação de uma narrativa que vem para, de certa forma fantasiosa, que vem para botar um ponto de interrogação. E aí eu até transcrevi aqui minha conversa. Eu perguntei se “vocês têm algum receio de que a AGE seja prejudicada? O que está rolando aí? Essa presença do Textor incomoda vocês? Ele está sugerindo algum diálogo com vocês?” Porque ele falou isso. Ele fala em diálogo, ele fala que não é difícil o retorno dele – iniciou Guilherme.
A diretoria, no entanto, crê que Textor não terá sucesso na investida.
– As respostas que eu obtive nessa conversa com a diretoria não mudam muito aquilo que nós já imaginávamos. Existe um compromisso firmado do Botafogo social com um outro empresário. Empresário esse que teve as portas abertas pelo próprio John Textor. E o que me falaram foi o seguinte, que “lá atrás o próprio John Textor pediu para que a gente convocasse legalmente uma assembleia para votar o aumento de capital para a entrada da GDA Luma. Lá atrás, tudo o que a gente está fazendo agora, só que respaldado juridicamente, respeitando os estatutos, tudo o que a gente está fazendo agora, ele queria fazer”. Só que lá atrás, quando o Textor queria fazer isso, ele sabia que ia dar problema. Ele sabia que ia dar problema. Tanto que deu. E aí o integrante da alta cúpula me disse isso. “Cara, tudo o que a gente está fazendo foi ele que quis fazer. E ele pediu para a gente ajudar. Mas como é que a gente ia ajudar sabendo que ia dar problema?” E deu problema. Esses atos foram anulados. A AGE, que foi convocada para julho, foi anulada. A justiça anulou, impediu a realização dessa Assembleia por conta de tudo que estava rolando no Botafogo àquele tempo. E aí eles basicamente enxergam, tem umas frases que foram muito fortes e mostram como uma pessoa que tinha tudo para ser um cara muito querido por todo mundo hoje, dentro do clube, as frases que eu escuto são “esse cara é um artista. Ele criou uma narrativa de vitimismo. A conversa desse cara não é reta, faz curva”. A fama que vem precedendo o Textor, dentro do próprio Botafogo, é muito ruim mesmo. É muito ruim. E a maneira como ele está saindo é pior ainda – acrescentou.
De acordo com Guilherme Cardozo, John Textor não vai poder participar da reunião convocada para quinta-feira.
– Tem a AGE agendada, marcada, convocada. O Textor está aqui no Brasil, ele vai participar dessa Assembleia Geral? Não, ele não vai participar. Primeiro que ela não é presencial. Então não adianta. A assembleia é online. A primeira é a convocação agora, para quinta-feira. E ele não vai participar. Primeiro porque ele está impedido. A própria Justiça foi quem afastou o John Textor. Não foi ninguém de dentro do Botafogo que afastou o Textor. Ele foi afastado da Eagle, pela própria Eagle. E ele foi afastado de todos os times, né? Que ele comandava. Do Molenbeek, do Lyon, depois do Botafogo. Então alguma coisa isso significa. E, na verdade, o que ele está buscando aqui no Brasil é uma aproximação, é uma última estratégia. Criando essas narrativas de que quer dialogar. A narrativa muda de uma hora para outra. Primeiro é, sou o dono. Depois, vou recuperar o que é meu. E, por último, é preciso ter diálogo para que eu volte. Então ele sabe que não é uma causa ganha. Muito longe disso. Muito longe disso. E há um compromisso já do Botafogo com a GDA Luma – lembrou.
– Então o que, na verdade, está acontecendo é que a vinda do Textor para o Rio de Janeiro, segundo o integrante aqui da diretoria é basicamente para “tumultuar o ambiente e criar narrativas fantasiosas para a imprensa que ainda dá espaço”. Então, é o tumulto pelo tumulto. É basicamente isso. São narrativas que não vão ajudar e também não vão atrapalhar. O que elas podem fazer é induzir a opinião pública no momento em que o Botafogo está mal das pernas dentro de campo. Isso faz com que muitas pessoas tenham dúvidas se realmente foi bom ele ter saído, se não era melhor ele ter ficado, se não era melhor ele voltar. O Textor ainda tenta recuperar o prestígio com a torcida, que foi a última dos moicanos a apoiá-lo. De certa forma, foi apunhalada pelas costas com diversas atitudes de gestão que não mostraram comprometimento com a instituição, como ele sempre falou. Gratidão eterna. Sempre teremos gratidão por 2024. Mas, a partir do momento que 2024 acaba e inicia 2025, vem a cobrança, vêm as obrigações. E elas não foram cumpridas. Pelo contrário. Por isso que estamos vivendo essa situação com o social comandando, buscando fechar o acordo com a GDA Luma, exatamente porque o próprio Textor não cumpriu com aquilo que ele mesmo prometeu em contrato – completou.