Capelo critica Regime Centralizado de Execuções: ‘Chance razoável de Botafogo, Vasco e Fluminense não cumprirem acordo’

131 comentários

Por FogãoNET

Compartilhe

Rodrigo Capelo fala da Botafogo S/A
Reprodução/SporTV

Jornalista especializado em negócios, Rodrigo Capelo criticou nesta segunda-feira, em sua coluna em “O Globo”, o Regime Centralizado de Execuções, que possibilita a ordenação dos credores em fila para os clubes pagarem. Em um cronograma mediado pela Justiça, as associações repassam mensalmente 20% das receitas operacionais.

De acordo com Capelo, “Vasco, Botafogo e Fluminense hoje reescrevem suas histórias em páginas amareladas”. O mecanismo foi criado para incentivar a adesão ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol, mas abriu chance de os clubes já aderirem.

– A ferramenta é nova, mas o conceito é antigo. Nas últimas décadas, esses mesmos clubes estiveram no Ato Trabalhista. A diferença para o RCE é a inclusão das dívidas cíveis. A vantagem de enfileirar credores é que eles não executam dívidas todos de uma vez. Interrompem-se bloqueios e penhoras. Com o fluxo de caixa reorganizado, fica um pouco mais fácil praticar futebol profissional, ao mesmo tempo em que se paga o passado – explicou Capelo.

Que mal há em facilitar que os clubes equacionem seus endividamentos? Em princípio, nenhum. Não é do interesse de ninguém que essas instituições se tornem inviáveis: nem dos credores, nem dos torcedores. O problema é a repetição. Como cartolas sabem que sempre haverá um refinanciamento para aderir, não dão importância adequada ao presente – criticou.

Capelo reclamou que dirigentes não pagaram impostos por décadas, cometeram crimes tributários, não foram presos e deram pouco importância ao Profut e à Timemania. Assim, desconfia que os grandes cariocas não consigam cumprir o prometido no novo modelo.

Sabe o que é pior? A possibilidade de Vasco, Bota e Flu não cumprirem os novos acordos é razoável. Não temos caracteres suficientes para basear a afirmação, então fiquemos assim: esses clubes precisarão duplicar ou triplicar receitas para dar conta das promessas – diz Capelo, que cobra do governo regras severas e controle financeiro.

O Botafogo conseguiu em setembro a centralização de dívidas, suspendendo execuções e penhoras. Já este mês o clube, que planeja se tornar S/A, protocolou na Justiça Plano de Credores visando ordenamento e equalização das dívidas.

Fonte: Redação FogãoNET e O Globo

Notícias relacionadas