Bruno Lage está pressionado e a maior parte da torcida do Botafogo quer sua demissão depois de ter deixado Tiquinho Soares no banco durante os 45 minutos iniciais do empate com o Goiás. O comentarista Henrique Fernandes, porém, foi contra a maré. Durante o programa “Seleção SporTV”, o jornalista se disse contra a interrupção do trabalho no momento, apesar de criticar a escalação.
– Falar em demissão de treinador? Vai botar quem? O que vai acontecer depois? Não estou nem falando de pagar a multa, esse tipo de coisa. Isso vai contribuir com o ambiente? Não sei nem o que os jogadores pensam dele. É natural avaliar uma troca, sem dúvida, mas daí a cravar que não tem mais caminho, não podemos falar isso. O futebol que vem apresentando nem é de terra arrasada. A bola do Tiquinho poderia ter entrado e estaríamos aqui falando outra coisa. Eu achava natural que o Luís Castro seria demitido após o Carioca. Eu dou um voto de confiança na direção do Botafogo, vão saber fazer a avaliação também no caso Bruno Lage. Aumentar a fervura com uma demissão agora pode não ser benéfico – opinou.
Henrique Fernandes não colocou em Bruno Lage apenas a culpa pelos recentes resultados ruins do time líder do Campeonato Brasileiro.
– Ele errou fortemente (ao barrar Tiquinho), mas não foi só isso que fez o Botafogo jogar mal o primeiro tempo. Senti o time muito mais ansioso do que de costume, com mais dificuldade de criação, com algumas peças-chave do primeiro turno muito abaixo, Marlon Freitas numa queda de nível, Eduardo irreconhecível, o Marçal também caiu muito… Tem que caber uma divisão de responsabilidades – avaliou.
A decisão de Lage de barrar Tiquinho Soares, por outro lado, foi totalmente injustificável.
– Até o Diego Costa, por mais experiente que seja, entra com uma carga extra, está jogando com o Tiquinho no banco. Talvez tenha influído no gol que ele perdeu, poderia ter feito 1 a 0. A única coisa que o Lage levou em consideração foram os últimos dois jogos, em que ele foi abaixo, mas é muito pouco para tirar o melhor jogador do campeonato da partida. Era uma ótima ocasião, pelo contexto do jogo, pelo Goiás ter um time mais defensivo, para o Tiquinho quebrar a má fase e voltar a marcar – disse o comentarista.
– É um Botafogo que ontem provou que não é o mesmo time do primeiro turno. Não é um time tão impositivo, que não se fecha tão bem, é um time mais vulnerável dentro de casa, está muito mais visado e não está conseguindo dar as devidas respostas. Seja por escolhas do treinador, por capacidade dos jogadores… A barração do Tiquinho é inexplicável, ele tentou explicar na coletiva, mas os argumentos são muito frágeis para o tamanho do jogador que ele deixou no banco. O empate vai além disso, o Botafogo fez os piores 45 minutos do campeonato no primeiro tempo ontem. A conta principal tem que ser paga pelo Bruno Lage. Não acho que valha a demissão, mas tem que ser questionado – concluiu.