Crias da base e da Maré, comunidade no Rio de Janeiro, Huguinho e Justino participaram do “Estação Nilton Santos”, programa da Botafogo TV. Hoje titulares da equipe, os dois celebraram os avanços na carreira e a recuperação do clube.
– Eu e o Hugo chegamos no Botafogo num momento bem difícil, mas a gente sempre teve a cabeça no lugar, sempre esteve forte ali, que a gente sempre acreditava que o Botafogo um dia ia mudar. E agora estamos aí nos profissionais, estamos de espelho para o menino da base. E metendo gol, ele contra o Bahia, infelizmente não veio a vitória, eu contra o Cruzeiro, veio a vitória. E é isso aí, estamos evoluindo bem – afirmou Justino.
– Eu cheguei aqui, eu tinha 14 para 15 anos, já conhecia o Justino, a rapaziada toda que já estava aqui, era 2022, e o Botafogo vivia um momento muito difícil. Só que a gente acreditava que um dia isso tudo ia mudar, focamos, trabalhamos e damos continuidade em tudo isso e hoje em dia a gente viu que valeu a pena – disse Huguinho.
Os dois, Joias do Bairro, hoje são referências no clube e onde moram.
– Dentro da favela, muitas pessoas se espelham na gente, principalmente as crianças, e nós sempre lutamos, sempre trabalhamos para que um dia a gente viver um sonho igual estamos vivendo hoje. – declarou Huguinho.
– Sempre é bom a gente ir lá na nossa comunidade, as crianças vindo abraçar a gente, pedindo camisa, pedindo para tirar foto, sempre é bom, até a gente se emociona lá quando está com nossos pais. Minha mãe quando eu cheguei lá domingo, depois do gol, começou a chorar, todo mundo pedindo para tirar foto com a gente, porque foi uma história bem sofrida para nós dois, para a gente chegar no que a gente está hoje – comentou Justino.
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Justino
– Foi aqui que a gente veio ver o treino do profissional, eu tinha acho que 12, 13 anos, essa foto aí (com Leo Valencia, que viralizou) eu lembro, tem no meu Facebook, os caras pegaram lá. Tem outras, tem com Diego Souza também. A gente acreditava que ia mudar o Botafogo e a gente batalhou bastante no passado para o que a gente está vivendo hoje, está sendo muito gratificante para a nossa família e para o torcedor do Botafogo também.
– Eu acho que mudar mudar o nosso objetivo a gente não mudou ainda, o que a gente quer mudar, mas passo a passo, o que Deus quiser vai ser, a gente está mudando a vida da nossa família, mas a gente almeja mais. Mudar para melhor ainda.
– Foi coisa de Deus que o Botafogo estava no transfer ban, aí com a chegada de jogadores, eles não poderiam jogar, o Martín Anselmi me chamou na sala, falou que eu ia começar jogando. Esse dia jogamos até eu, Bastos e Barboza, Barboza disse no vestiário que se eu fizesse um grande jogo eu não sairia mais do profissional. E foi dito e feito. Eu fiz um grande jogo esse dia, foi uma oportunidade muito boa que. Desde então, não saio mais do profissional, estou até hoje.
– Sempre é bom, né, estrear no profissional. Quando soube que ia ser titular ali, bate nervosismo, mas quando entra dentro do campo, eu fui bem, foi uma boa atuação. Perdemos, mas foi uma boa atuação da gente, a gente ficou com um a menos ali, se atrapalhou um pouco, mas a primeira coisa que eu pensei, eu penso muito mais na minha família, no meu pai, na minha mãe, de mudar a vida deles para melhor, porque quando a gente está ali no profissional é a hora da verdade, de mudar a vida deles.
– Desde quando o Rodrigo Bellão chegou aqui no sub-20, no Botafogo, mudou tudo. Bellão não se preocupa só dentro de campo. Se tu tiver uma coisa que não está boa fora de campo, dentro de casa, ele sempre vai se preocupar contigo, vai perguntar como é que tu está. E isso é muito importante na carreira. Por causa que um dia que eu estiver mal, ou o Huguinho estiver mal, extracampo, e chegar lá dentro do campo e não tiver bem para treinar, isso não adianta. E o Bellão sempre se preocupa com isso. Para mim e para o Huguinho, o Belão foi fundamental na nossa subida profissional.
– Eu e o Huguinho somos muito gratos pelo o que o Botafogo fez e está fazendo pela gente ainda. Não só o Botafogo, a torcida que abraçou a gente quando a gente subiu para o profissional. A gente é muito grato com isso. Desde quando eu saí de outros clubes e o Huguinho teve outros clubes, quem deu oportunidade e abriu as portas para a gente foi o Botafogo. Então a gente é muito grato com isso.
Huguinho
– Hoje em dia a gente alcançou um nível muito alto e que dá para a gente sustentar a nossa família, que não é muito, mas a gente já alcançou bastante, bastante. Uma estrutura legal para a família, um nível que pode hoje em dia morar bem, comer bem.
– Deu um frio na barriga quando ele (Franclim Carvalho) me chamou para conversar no quarto e eu estava esperando essa oportunidade. Fiquei pensando, depois que ele me falou, fiquei pensando ali até o jogo começar, concentrado, e graças a Deus eu pude fazer uma boa partida.
– Durante o momento do gol (sofrido pelo Botafogo contra o Corinthians) eu fiquei pensando, né, mas não deixei me abalar, fiquei focado no jogo que faltava muito minuto, bastante tempo e Deus honrou a gente com os três gols do (Arthur) Cabral e vencemos o jogo.
– Sempre muito bom, né, marcar o primeiro gol com a camisa do Glorioso, depois que eu voltei da Bélgica. E fiquei muito feliz na hora de chegar na favela, todo mundo pede para tirar foto, tudo, e muito gratificante pra mim.
– (Bellão) Foi um cara que, desde quando ele chegou, mudou tudo, sempre me cobrou muitas coisas. Fora de campo, se preocupava comigo, sempre me cobrando para me melhorar. E, hoje em dia, estou vivendo esse sonho e ele faz parte disso tudo.
– Eu sou grato. Foi o clube que abriu as portas para dar oportunidade para a gente. E sempre que a gente for defender o Botafogo vai ser muita raça, dedicação e muito trabalho. E seguimos trabalhando muito para que as coisas aconteçam dentro desse clube.
– Eu olhei para ele assim, na hora que eu estava atrás, eu o vi cabeceando a bola, indo na reta do gol, e quando ele fez o gol (sobre o Cruzeiro), não tive outra escolha, a não ser correr e comemorar junto com ele. Esse moleque aqui sempre me ajudou, o conheço desde pequeno, e eu sempre o considero como um irmão, então o gol dele é como se fosse o meu também.