A Eagle/Ares fez críticas ao modelo de caixa único de John Textor em manifestação na Justiça, na madrugada desta terça-feira (31/3), no âmbito de um processo movido pela SAF do Botafogo em agosto de 2026 que cobra uma dívida de R$ 139.845.596,42, revelou a “ESPN”.
De acordo com a reportagem, a defesa da Eagle pede que a dívida não seja reconhecida pela Justiça, mas questiona as cifras e argumenta que o valor real devido é de R$ 127.490.763,84, com a SAF do Botafogo cobrando indevidamente cerca de R$ 12,3 milhões a mais.
A Eagle/Ares sustenta que a cobrança seria inválida por ter sido assinada, em todas as pontas, pelo próprio John Textor – como representante do Botafogo, do RWDM Brussels e avalizador da própria holding na ocasião.
Ainda segundo a “ESPN”, a Eagle acusa John Textor de ter tomado o controle da SAF do Botafogo na “mão grande” e diz que as dívidas foram “orquestradas” pelo norte-americano numa “série de transições” do tipo “Zé com Zé“.
A emissora também divulgou alguns trechos da manifestação da Eagle/Ares, abaixo:
“A pretensão executiva movida pela SAF Botafogo é um retrato ostensivo e inaceitável do exato tipo de abuso que o direito brasileiro se propõe a repelir: a cobrança de título burlesco, engendrado no contexto de uma série de transações ardilosas, do tipo ‘Zé com Zé’, orquestradas por um único gestor antes de seu afastamento da Eagle Bidco, o Sr. John Charles Textor, que sempre ocupou todas as várias pontas da operação objeto desta lide e, agora, sem qualquer constrangimento, instrumentaliza a SAF Botafogo como ferramenta pessoal de pressão e coação em tentativa vexatória e lamentável de asfixiar a Embargante, verdadeira acionista controladora da companhia”.
“Não há dúvidas, neste caso, de que o Sr. Textor – que continua a usar e abusar do cargo de administrador da SAF Botafogo – jamais poderia ter interferido diretamente na negociação, celebração e consumação de empréstimos distantes das condições de mercado com outras entidades do grupo Eagle, agindo e operando a estrutura como se fosse um cofre pessoal a ser utilizado por ele na eventualidade de qualquer problema que pudesse surgir no futuro – como, no caso concreto, a disputa societária entre embargante e embargada, respectivamente, controladora e controlada”.
“Todos os instrumentos que sustentam a pretensão executiva foram celebrados sob a condução direta do Sr. Textor que, à época dos fatos, detinha poder de decisão e influência determinante sobre as entidades envolvidas em cada uma das etapas e frentes da operação. Isso significa que, ao longo de toda a cadeia negocial, a mesma pessoa atuou, direta ou indiretamente, em ambos os polos das relações jurídicas, ora como representante da parte credora, ora como agente vinculado à parte devedora, ora como estruturador dos negócios que culminaram na imputação da incerta dívida à embargante”.
“O perigo de dano é igualmente manifesto. Caso não seja atribuído efeito suspensivo aos presentes embargos, a execução poderá prosseguir com a prática de atos constritivos relevantes, inclusive sobre ativos estratégicos da embargante, com potencial impacto direto sobre sua estrutura societária”.
“Em outras palavras, o prosseguimento da execução poderá acarretar danos de dificílima – quando não impossível – reparação, circunstância que recomenda, com ainda mais razão, a suspensão imediata do processo executivo”.
Textor defende modelo de caixa único
Na manifestação inicial da SAF do Botafogo no processo, John Textor defendeu o sistema de caixa único (leia abaixo). A “ESPN” fez contato com o empresário norte-americano, mas ainda não houve resposta.
“Primeiro, sempre foi do conhecimento de todos, seja no âmbito interno da Eagle Bidco, seja, ainda, no âmbito externo (mídia, mercado, torcedores etc), o sistema de caixa-único (ou cash pooling agreements) mantido entre os clubes integrantes da denominada Eagle. Não havia nada escondido, nada na surdina ou escamoteado”, escreveu a SAF.
“Esse formato, naturalmente, visava a beneficiar todos os clubes integrantes do grupo Eagle. Era um modelo colaborativo e integrado, assim como se dava em relação às transferências (de forma definitiva ou via empréstimo) de jogadores. Era uma via de mão dupla, justamente em decorrência da constante transferência (sem custos) de jogadores entre os clubes”, acrescentou.