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Evolução do Botafogo, SAF, scout, elogios a Luís Castro e grama sintética: Mazzuco detalha vários temas

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Por FogãoNET

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André Mazzuco, do Botafogo, e Levir Culpi
Youtube/Canal do Levir Culpi

Diretor executivo de futebol do Botafogo, André Mazzuco deu entrevista no quadro “O Outro Lado da Bola”, no canal do Levir Culpi, no YouTube, na última semana. O dirigente detalhou diversos temas, principalmente da evolução do clube após a transformação em SAF, com John Textor como acionista.

Leia os principais trechos abaixo:

SAF

– Vejo hoje que a grande diferença da SAF, como modelo, é que tem um dono e a decisão é técnica. Me contratou, tenho Alessandro Brito como braço direito, head scout, que é um fenômeno, tomamos as decisões do futebol. Quando John fala “e aí?”, dizemos que nossa decisão “é essa aqui e é o melhor para o Botafogo”. “Então está bom, é isso aí” e acabou. Queriam mandar embora o Luís Castro, a torcida quebrando tudo, faixa, mas não era o Luís Castro o problema, mantivemos. Se fosse o clube associativo, não só o Luís Castro, eu tinha saído também. Se torna um cenário insustentável, porque o que o sustenta são os colaboradores, conselheiros. Não tem o salário, o termômetro é o externo, precisam tomar atitude para manter a instituição. Fomos firmes, seguramos, sabíamos que não era o treinador o motivo, precisávamos de mais tempo. Começamos o Campeonato Brasileiro com cinco vitórias, foi bacana, equilibrou o ambiente.

Departamento de scout

– O que fizemos, logo que John me contrata, ele é um cara que pensa lá na frente, o Botafogo é o que é porque ele está 100% envolvido… Ele falou “quero que você venha e traga o head scout que quiser”, porque já tinha ideia de scout para toda a América do Sul para ajudar na Eagle Football. Queria que montássemos departamento que fizesse todo o monitoramento da América do Sul. Não precisa o Crystal Palace ver. Montamos uma equipe top, com profissionais excelentes, determinamos o que queríamos, perfil de jogador, perfil comportamental. Precisávamos elevar muito o Botafogo, porque sobe da B para A com time que não sustentaria a Série A. Assumimos com seis semanas para fechar a janela, foi emergencial, na segunda trouxemos Tiquinho, Marçal, Eduardo, jogadores de alto nível para serem referência para os jovens. É futebol, encaixou, poderia não encaixar, não é ciência exata. Mas encaixou porque realmente cuidamos demais do perfil de jogadores que trouxemos. É um grupo excelente como pessoa e profissional.

Tiquinho Soares

– A gente precisava de um atacante com porte físico interessante, que fosse ter mobilidade, não um atacantão de área, tivesse qualidade pra jogar com a bola nos pés e obviamente fizesse gols. Lógico que tinha outros parâmetros mas não podia ser um baixinho, resumidamente era isso. A gente tinha algumas alternativas e, através de números e análises, queríamos um brasileiro, para não ter tanto tempo de adaptação. Tinha um estrangeiro antes que a negociação acabou não dando certo. Nós chegamos ao nome de Tiquinho Soares, no Olympiacos, monitoramos, entramos em contato, o agente foi parceiro, ele tinha interesse em sair, conseguimos fazer a negociação. O Olympiacos só aceitou liberar se ele jogasse os três últimos jogos. O que aconteceu no último? Ele se lesionou. Falou “e agora?”. Respondi “E agora nada, arruma sua mala e vem. Vamos apresentar e falar a verdade, machucou e vai recuperar em três semanas”.

Evolução interna

– O Botafogo sobe da B para A de 21 para 22 muito pelas pessoas. Não tinha condições nenhuma. Os caras foram firmes lá. Durcesio (Mello), presidente, conseguiu manter o salário em dia, mas não tinha campo para treinar. Era no anexo do Nilton Santos, em um campo que não tinha condição nenhuma. Quando chega o John, em março, o pessoal falando em ser campeão porque chegou dinheiro, mas não tinha lugar para treinar. Chega o Luís Castro, treinador, e eles falavam: “onde que eu vou treinar?” Não tinha. Nosso desafio na primeira semana do Botafogo, quando a gente pisa no clube, era achar um campo para treinar.

– No ano passado, que brigamos até a última rodada por Libertadores, os jogadores jogaram o Campeonato Brasileiro inteiro sem vestiário no Centro de Treinamento, porque não tinha. Eles se trocavam em algumas salinhas adaptadas. A gente conseguiu construir um vestiário que era um próximo passo, mas ficou pronto em novembro. O CT que a gente usa hoje em dia, o Lonier, fomos construindo aos poucos. O que tínhamos lá era o campo, não tinha nem refeitório. Eles ganhavam sanduíche no final do treino. Depois que fomos construindo um refeitório. Ou seja, é um processo que está sendo feito em paralelo e é muito gratificante ver o time desse jeito. Ninguém imaginava que bateria todos os recordes do Campeonato Brasileiro no primeiro turno agora, mas é isso, trazemos uma responsabilidade grande para realmente tentar brigar até o fim pelo título.

Elogios a Luís Castro

– Eu vejo que a escola portuguesa, hoje, é interessante, traz coisas. Mas especificamente o pensamento do Botafogo foi de implementar um Botafogo Way, como o John sempre fala. O Luís Castro foi um ícone disso para nos ajudar, porque era um treinador que vinha da base por muitos anos para implementar uma ideia de jogo. E isso não é algo enlatado. O Luís não foi só um treinador nosso, ele circulou por tudo, pela base, pelos setores, pelos departamentos. Para que pudéssemos implementar algo que fizesse sentido para conectar todo mundo. Hoje, temos uma linha de trabalho no Botafogo totalmente conectada.

Gramado sintético

– Nossa questão é até curiosa. No fim do ano passado, precisávamos mudar a grama, porque não ia ficar boa em nenhum momento. É o principal palco do jogo, precisamos que esteja bom. Iríamos trocar por grama natural, mas o John, até pensando no Estádio Nilton Santos e no Rio de Janeiro, que não tem praça para grandes eventos ao longo do ano, viu chance de capitalizar, porque é receita interessante para o Botafogo. “Vamos trocar a grama, mas se vai ter show não vamos ter campo bom. Então vamos fazer sintético”.

– Não era o que queríamos como futebol, eu, Luís Castro, Alessandro Brito queríamos grama natural, mas pensando na temporada toda era melhor o sintético. Vamos tentar algo inovador, uma tecnologia. Precisava de amortecimento, arrefecimento e o piso, tapete, parecido com a grama. O nosso campo ficou maravilhoso. Top. Os jogadores amam. Na estreia contra o São Paulo, pedi uma opinião sincera do Rogério Ceni e dos jogadores deles sobre o sintético. Acabou o jogo, o Calleri elogiou na entrevista. Nosso campo, sinceramente, ficou top. Nosso campo realmente não parece um sintético, ficou prazeroso para os atletas, com muita qualidade e tudo que podíamos ter de melhor. Resolveu nosso problema.

Fonte: Redação FogãoNET e canal do Levir Culpi

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