O Botafogo foi campeão brasileiro e da Libertadores em 2024, parecia em um rumo promissor, mas degringolou após o rompimento do caixa único da Eagle. Qual era a ideia do clube naquele momento? Ex-diretor de gestão esportiva, Alessandro Brito comentou o tema em entrevista ao site “GE”.
– Após os títulos de 2024, nossa ideia nunca foi transformar o Botafogo no clube que obrigatoriamente precisaria ser campeão todos os anos. Sabíamos do tamanho do investimento necessário para isso e também dos riscos envolvidos. O objetivo era consolidar o Botafogo entre os cinco principais clubes do continente. Nosso planejamento para 2025 e 2026 era manter uma equipe extremamente competitiva, mas, ao mesmo tempo, fortalecer a categoria de base e investir ainda mais no desenvolvimento de jovens atletas. Depois de conquistar os títulos, entendíamos que era o momento de consolidar a estrutura construída. Queríamos desenvolver jogadores dentro da plataforma Eagle e manter o clube competitivo por muitos anos. Nunca pensamos que seria necessário investir ainda mais apenas porque havíamos conquistado Libertadores e Campeonato Brasileiro – declarou Brito.
– Nossa preocupação era construir um legado para o clube. Queríamos um Botafogo competitivo não apenas em 2025 ou 2026, mas pelos próximos dez anos. Talvez tenha faltado comunicar isso melhor. Talvez nós, como clube, devêssemos ter explicado para todos quais seriam os próximos passos do projeto. A expectativa do torcedor sempre será ganhar o Mundial, outra Libertadores, outro Campeonato Brasileiro, e isso é natural. Nós também entrávamos em todas as competições para vencer. Mas nosso foco principal era garantir que o Botafogo permanecesse competitivo a longo prazo. Acho que essa comunicação poderia ter sido feita de forma mais clara – admitiu.
O ex-dirigente do clube acredita que o Botafogo passou a ser visto de forma diferente no mercado, o que pode ser um trunfo para os próximos anos.
– O trabalho que construímos entre 2022, 2023 e 2024 colocou o Botafogo em um cenário extremamente competitivo e muito valorizado no mercado. Hoje, quando se fala em Botafogo, tanto jogadores quanto agentes enxergam o clube de uma maneira completamente diferente. Mesmo com todos os problemas que existem atualmente — e que todos nós torcemos para que sejam resolvidos o mais rápido possível —, o Botafogo se tornou uma plataforma muito forte. Os atletas querem jogar no Botafogo. Os treinadores querem trabalhar no Botafogo. As famílias enxergam o clube de outra forma. Quando se fala em Botafogo hoje, existe a percepção de que o clube oferece um ambiente voltado para performance, desenvolvimento e valorização do talento. Por isso, eu separo as coisas. A ruptura entre John, investidores e Eagle não significa que o Botafogo perdeu força. O Botafogo permaneceu estruturado. A estrutura ficou pronta. Independentemente de quem seja o proprietário no futuro, ou de quem venha a investir no clube, existe hoje uma organização consolidada. Esse sempre foi um dos nossos principais objetivos: deixar um legado para o clube e para a torcida. O Botafogo, hoje, é um clube estruturado – completou.