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Ex-head scout do Botafogo é sincero sobre contratação de Santi Rodríguez: ‘Não era um cara para o valor que foi pago’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Santiago Rodríguez, meia do Botafogo | Junho 2026
Vítor Silva/Botafogo
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O Botafogo contratou em fevereiro de 2025 Santiago Rodríguez por um negócio estimado em até US$ 17 milhões (cerca de R$ 85,5 milhões). O meia uruguaio não se firmou totalmente, é cotado para ser negociado com o Columbus Crew e fez dois gols na derrota por 3 a 2 para o Athletico-PR. Afinal, qual era a avaliação interna sobre a contratação?

Ex-head scout do Botafogo, Raphael Rezende deu entrevista ao “Glorioso Connection” nesta terça-feira (25/8) e falou sobre o assunto, admitindo que o clube pagou um valor elevado demais pelo jogador.

O Santi chega na virada de 24 para 25. A gente abre mão de boa parte do elenco, de contrato com jogadores de mais idade, os remanescentes de 23, como Eduardo, o Tiquinho sai negociado, Tchê Tchê sai, o próprio Marçal sai e depois volta. Tem uma série de saídas de jogadores de mais idade, com contratos pesados, de salário que eram mais altos, e o elenco estava muito curto no início da temporada. O nosso debate interno, a gente não tinha treinador, passava muito, quando tinha esses nomes que geravam alguma instabilidade, não eram unanimidade na área, passavam muito por avaliar o jogador e depois mostrar o que seria ele dentro do contexto do Botafogo.

Separar as análises: o Santi é um bom jogador de futebol, para mim é indiscutível. Leitura de espaço, chegada a área consegue articular em espaço curto, é dinâmico. Não é o tipo de jogador do nosso movimento inicial de biotipo, de vencer duelos de competitividade. Não é isso, mas é um cara que poderia agregar num trabalho que já está funcionando se o treinador mostrasse uma predileção por usar jogadores que vêm do lado para dentro, que têm mais característica de meio do que ponta. Tinha uma série de senões para a utilização dele no Botafogo. Só que o elenco estava supercurto, e a gente precisava fazer os negócios para iniciar, ter um desenho, uma montagem de elenco para o início da temporada – iniciou Raphael Rezende.

E aí, o debate era como é que a gente ia substituir as saídas do Luiz Henrique e do Almada. Financeiramente falando, a intenção era não gastar o que se gastou na chegada do Luiz Henrique e do Almada, perto dos 20 milhões de euros ou de dólares. Só que isso muda o patamar de jogador que você está avaliando. Por exemplo, a gente trouxe o Matheus Martins pela metade do Luiz Henrique. Naturalmente, a chance do Matheus Martins não performar como o Luiz Henrique é gigantesca.

O mercado não precifica absurdamente errado os jogadores a ponto dele chegar aqui e virar o Rei da América. Ele poderia ter tido um rendimento, a gente imaginava que ele tivesse um rendimento acima. Beleza, mas quando você está falando da faixa dos 10 (milhões), você está falando de um tipo de jogador. Quando você estica um pouco a corda você está falando de outro tipo de jogador. Para mim, o Santi era muito mais o jogador dessa prateleira mais abaixo que poderia dar um retorno, tecnicamente. Eu imagino que o torcedor aprove o Santi assim, mais uma vez entra, tem um impacto, enfim… Mas não era um jogador do patamar do Almada. Por mais que ele tivesse jogadores números melhores que o Almada na passagem dele na MLS – explicou.

Plano A do Botafogo era outro…

Santiago Rodríguez não era a primeira opção de contratação para o setor. A prioridade era Bitello, do Dínamo Moscou. No entanto, o uruguaio acabou virando reforço.

O Santi não era um cara para o valor que foi pago, na minha opinião. Mas foi pago, foi acordado e tinha que ser pago o desenho original. Tinham dois nomes e aí não eram nomes exatamente da função dos que estavam saindo, mas de impacto para o time. Era o Wendel, do Zenit, que fechou e depois não veio, e o Bitello, que a gente via como um cara dessa prateleira. Só que as condições de negócio do Bitello o Dínamo Moscou endureceu muito, pediu um valor à vista muito alto e ele não veio. A forma de preencher isso, o segundo movimento, entrou o nome do Santi no debate e a gente falou, “cara, a gente aprova o jogador”. Se você for ver, o Artur passou por esse processo quando vem do Zenit, que é o contraponto da venda do Luiz Henrique.

A gente fazia a avaliação do jogador, gerava um relatório e falava “esse jogador aqui tecnicamente é aprovado, ele tem nível, ele tem bom número de participações em gols”. Falava das características, enfim, e depois falava da nossa preocupação sobre o encaixe no que era o momento do Botafogo, o contexto do Botafogo, o acúmulo de jogadores com características parecidas. Isso quando você fala também de perfil físico, mas também de perfil de jogo, se você tiver o Montoro, tiver o Savarino, tiver o Santi, que fila é essa, como é que você desenha todos eles, meias de pé direito que vêm da esquerda pra dentro, preferem jogar abertos, que têm mais espaço pra receber a bola? Enfim, você vai jogar um, talvez dois, se você acomodar. O Santi foi responder jogando do lado direito por exemplo, numa passagem. A gente tentava separar em dois momentos, auxiliar na interpretação do que seria a chegada desse cara aqui. Mas, mais uma vez, você está próximo da decisão, mas você não tem a caneta.

E imagino que tenha havido influência do que o Santi fez na MLS, replicar o que o Almada fez, o impacto que ele teve aqui. A gente não está falando de jogadores da mesma prateleira e talvez isso tenha ficado meio enviesado, nebuloso, lá no momento. E aí eu acho que se pagou mais para um jogador que não teria chegado ao impacto de um extraclasse para a nossa realidade. Isso, cara, etiqueta de preço, pesa muito em avaliação de jogador e acho que isso foi de certa forma traumático para o que é o período dele até aqui no clube.

Veja o vídeo abaixo:

Fonte: Redação FogãoNET e Glorioso Connection

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