O Botafogo iniciou bem o período pós-Copa do Mundo, com sete pontos em três jogos, e subiu na tabela no Campeonato Brasileiro, estando na oitava colocação com uma partida a menos. Perguntado se dá tempo de ser campeão nacional, Franclim Carvalho foi sincero.
– Não, não acho que seja possível o título brasileiro. É impossível, na minha opinião. Porque matematicamente pode ser possível, mas uma coisa é nós estarmos a disputar com uma equipe, outra coisa é termos seis ou sete adversários à frente. Portanto, sendo realista e não estando aqui com meio termo, acho que a questão do Brasileiro é impossível. Obviamente que as pessoas gostariam que eu dissesse que nós temos que lutar pelo Brasileiro, mas isso já começou há 20 ou 30 rodadas atrás. Nós não podemos acordar agora. Portanto, matematicamente pode ser possível, mas, para mim, teoricamente ou na prática, é impossível. Mas não adianta pensar no G4, na Libertadores, na Pré, na Sul-Americana, no evitar o rebaixamento. Não adianta assim. Joga-se um jogo que é muito longo. E como eu já tenho referido, está tudo muito próximo. Faz-me confusão. E acho que aos jogadores também. Se nós olharmos para aquilo, mas se nós ganharmos aproximando do G4 ou do G3, ou se nós perdermos, vamos ficar aqui com embaixo… Mas adianta fazer as nossas contas, que são de três em trê. E depois, no final, fazemos as contas – explicou Franclim.
O treinador, no entanto, não diminui a importância do Campeonato Brasileiro.
– Obviamente, pela proximidade, a prioridade é o jogo com o Fluminense. O que eu disse foi, não estando com meias palavras, no meu entender, é que é utópico que nós pensemos na conquista do título brasileiro este ano. No meu entender. Por razões óbvias, que eu referi anteriormente. Mas a forma como o Campeonato Brasileiro está estruturado permite-nos chegar a alguma levada. Todos temos de lutar por alguma coisa. Pelo rebaixamento, pela Sul-Americana, pela pré-Libertadores, pela necessidade da Libertadores ou pelo título. No meu entender, não adianta nós pensarmos no título, ou na pré, ou na Libertadores. Adianta sim nós pensarmos em três pontos. A partir de sábado, fazemos as contas sobre a Sul-Americana, falaremos sobre isso. E passa a ser assim o nosso foco, a partir de sábado. Então nós agora não estamos a pensar no Cienciano, porque vamos ter um clássico sábado contra o Fluminense – explicou.
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Treino aberto e folga de quatro dias
– Eu tenho referido que eu respeito muito o vosso trabalho, portanto, acho que é importante que nós, de quando em vez, tenhamos esta abertura, porque também temos que dar alguma coisa para vocês e não só cobrar. Mas isto há uns anos atrás em Portugal era usual, depois deixou de ser, sei que aqui também. Obviamente que não há segredos, mas perguntarem a qualquer treinador do mundo, ele vai preferir treinar com o portão fechado. Eu tenho um acordo com a comunicação, portanto, de deixar parte do treino em aberto. Espero que vocês não façam muito barulho. Vou vos pedir desculpa se eu disser algo mais forte (como palavrão), mas digo alguns no meio do campo. Portanto, podem estar preparados para isso. Mas acho que é importante nós termos esta abertura. Não sempre, mas também não pode ser nunca. É importante nós termos isto. Depois, relativamente à questão dos treinos, nós tínhamos um acordo entre comissão e elenco, que dependia de objetivos que fôssemos conseguindo. Eles tiveram direito a quatro dias de folga. Depois trabalhamos muito forte os outros três. Descansamos e agora retomamos para preparar bem este jogo, que sabemos que vai ser um jogo difícil. É muito importante para nós, o adversário ainda joga hoje. Portanto, em termos de preparação e descanso para o jogo, nós estamos em vantagem. Mas depois, no final, vamos ver.
Bom desempenho recente
– Nós não podíamos partir isso em blocos de três. Se calhar, havia momentos em que estávamos a cair ou a lutar pelo rebaixamento. Não podemos fazer isso, até porque eu tenho dito que o campeonato é uma maratona muito longa. Eu peço aos jogadores para não olharem a tabela, porque aqui ainda está muito confuso. Então é melhor pensar jogo a jogo, que assim não desviamos o foco. Depois a questão da virtude, eu acho que este período que nós tivemos foi muito importante. Não só para trabalhar lá dentro, mas também cá fora. Eu valorizo muito a questão da relação humana. E acho que para nós foi importante isso. Quando nós chegámos em abril, nós tivemos 16 jogos em 52 dias. É impossível nós conseguirmos criar isto, jogando de dois em dois ou três em três dias. Nós já sabíamos as regras do jogo quando viemos. Nunca nos escondíamos, nem queria, nem quero. Mas este período foi importante para nós, comissão, e para nós, elenco. Fortalecemos este lance que eu estou a falar. Porque eu acho que há muito jogo, ou há muito momento na temporada que isto faz diferença à questão do grupo. E eu acho que nós no último jogo que tivemos, tivemos o exemplo disso, que nós agarramos o grupo e fizemos bola parada. Tínhamos tido dois dias de descanso. O adversário tinha tido um dia a mais. Eu disse que iria fazer a diferença e fez. Não é entender a questão física no jogo. E depois nós com bola preparamos coisas que não conseguimos fazer. Mas conseguimos defender bem, conseguimos sofrer. Conseguimos que esta questão do grupo viesse ao de cima e fez diferença.
Conjunto
– Eu gosto, pelo menos, de olhar para a equipe como um todo. Obviamente que nós, quando entramos, entramos num momento que havia um turbilhão grande. Não adianta esconder isso. Mas nós sempre referimos que, e nisso eu sempre ressaltei a atitude e o caráter dos jogadores, que nós conseguíamos fechar a porta e o que se passava lá fora não entrava cá dentro. Eu acho que isso, uma vez mais, fez diferença nesses momentos. Porque se nós nos deixássemos afetar por coisas que não conseguíamos controlar, iríamos passar muito mal. Houve momentos em que passamos mal, nós e a equipe. Vai haver momentos em que vamos passar mal, nós e a equipe. Sem dúvida nenhuma. Mas acho que já estamos muito melhor preparados para uma possível turbulência ou para um possível momento menos bom da equipe. Pode vir a acontecer, nós temos que estar preparados. E aqui um momento menos bom no Brasil é uma semana, por isso são três jogos. Isso pode vir a acontecer, nós temos que estar preparados para isso. E acho que estamos muito melhor preparados para isso.
– Relativamente à segunda parte da questão, eu gosto de olhar para a equipe como um todo, como eu disse. Obviamente que nós, e eu ainda agora referi a questão do Cruzeiro, que nós levámos situações com bola que não conseguimos fazer. Não é que me deixe mais inquieto, mas é uma situação que nós temos de trabalhar, que é a questão da primeira fase de construção. E quando eu chamo de primeira fase é nós, com bola perto da nossa área, do nosso gol, nós temos de ser mais corajosos, medindo bem o risco, porque eu não gosto de jogo de toque toque. Mas nós temos de ser mais corajosos, temos de ser mais impetuosos, imprimir ou impor mais o nosso estilo e a nossa forma de jogar para controlarmos o jogo também com a bola. Não conheço nenhuma equipe do mundo que consiga controlar todos os jogos em 90 minutos sem a bola, sem sofrer gols ou sem perder jogos. Também é uma das coisas que nós temos de trabalhar e temos debatido. No meu entender, nós temos muita margem para melhorar nesse aspecto e temos de melhorar obrigatoriamente.
– O Botafogo está invicto, mas isso já acabou porque era a fase de grupos. Agora não adianta entrarmos na fase mata-mata, como vocês falam, pensando nisso. E é uma nova vida, já disse aos jogadores. É uma nova competição, digamos assim. O adversário que nós vamos encontrar nas oitavas pode ter surpreendido algumas pessoas. Outras não, porque acabam por perder ligeiro fora e depois em casa ganham por quatro. Portanto, nós vamos passar dificuldades se não formos bem preparados para os jogos. Nós tivemos outro exemplo com uma equipe brasileira, com o Grêmio, que provavelmente 99% das pessoas ou da imprensa iriam dizer que o Grêmio iria passar depois de ter perdido por 3 a 2 fora. O que é certo é que perdeu fora e em casa. Portanto, nós temos que ter o pé no chão. O foco certo. Quando chegar o momento desse jogo e encará-lo, não entrar com segurança e pensar que somos favoritos.
Clássico com Fluminense
– Relativamente para o próximo jogo, é o que é mais importante. Parece-me que é um jogo importante e muito difícil para nós. Porque eu reconheço que muita capacidade do adversário e do treinador. Eu já disse que era em 24, apesar de estar em outra equipe. Tem algumas coisas idênticas para os outros jogadores. Vai ser diferente. Obrigar que eles sejam diferentes. E principalmente para mim, sem a bola são diferentes do que era o São Paulo 24. Mas vai ser um jogo difícil. É a nossa casa. Nós temos que ir em busca de pontos. Sabemos nós que, como eu disse anteriormente, a caminhada é longa. Não adianta pensar sobre ganhar para se aproximar do G4, adianta sim pensar no Fluminense. É um jogo importante. Vamos ter que trabalhar para conquistar os três pontos. Se não conseguirmos, temos que conquistar pelo menos um ponto. Obviamente que vocês sabem que eu fico muito chateado quando não ganho. Os jogadores também sabem disso. É importante que nós ganhemos. Porque pode ser um passo importante para nós.
Disputa por posição
– Tem que ter disputa no gol, no zagueiro, no lateral, no atacante. É importante que eu sintam e que saibam que tem essa competitividade interna, porque isso depois, no dia de jogo, vai-nos dar respostas diferentes. E para mim isso é muito importante. Por isso é que nós buscamos contratar dois goleiros, e não só um. Puxarmos o Cleber (Lucas), porque vemos que tem uma margem de progressão grande. E vai ter este período, que sem esconder, está atrás dos outros dois, mas vai ter este período para dar resposta. E para nós percebemos se o Cleber tem andamento para isto ou não, para continuar no elenco principal na próxima temporada, ou daqui a duas. Uma equipe como a Botafogo não pode ter três goleiros de 25 ou mais anos. Tem que ter um jovem, e depois tem que ter dois preparadíssimos.
Escolha por Warleson
– Eu acho que tem que ser uma junção de tudo, porque eu não posso dizer que um jogador está preparado para fazer 90 minutos, seja ele goleiro ou não, quando ele está sem competir, há 40 ou 50 dias, que é uma pausa grande. E ele esteve sem treinar em equipe, não foi como nós, porque ele teve o período de féria. A competição na Europa terminou no final de maio, depois ele teve o período de férias. Ele, conosco, tinha feito 11 ou 12 treinamentos. Estava em vantagem, face o Gabi (Gabriel Batista) nesse aspecto, e pesou muito na minha decisão naquele momento. Ele deu uma resposta, mais ou menos, no primeiro jogo. Não tenho dúvidas que vai melhorar, e como melhorou nos outros dois jogos, não tenho dúvidas que vai melhorar. Até porque nós temos o Gabi preparadíssimo para estar a jogar, ou já está mais em condição de. E eu amanhã, se tiver que colocar o Gabi, estou perfeitamente à vontade, e estou muito mais à vontade do que estava no dia do jogo com o Santos. Portanto, pesaram os dois fatores. A questão da coragem, acho que não teve assim tanto de peso, porque eu o colocava um ao outro, e optei pelo Warleson, não só, mas majoritariamente pelo período de treinamento que eu conheço.
Planejamento para a altitude
– Nós, em 24, o primeiro jogo que fizemos, quando chegamos aqui, e jogamos na altitude, foi muito diferente. Eu passei mal, tive dificuldades. Mas nós já temos isso alinhado com o DM. Não quero ir muito tempo antes, até porque nós não temos muito tempo, mas eu não quero ir. Quero chegar, jogar, ir embora, até porque nós depois vamos direto para Salvador, porque temos esse jogo no domingo. Relativamente a isso, vamos direto para Lima, depois chegamos para jogar lá em cima, depois chegamos, iremos embora e arrancamos para Salvador.