Ex-técnico do Botafogo, Franclim Carvalho falou sobre sua passagem pelo clube alvinegro e admitiu que sua “teimosia” acabou impactando no trabalho, citando também que o elenco alvinegro não tinha jogadores com as características necessárias para seu plano de jogo. O português concedeu entrevista ao podcast “Linha Lateral”, do canal português “Primeiro Toque”.
– Eu sou muito teimoso. Quando falo sem bola, a minha equipe tem que ser pressionante, os meus jogadores têm que ser pressionantes. Não me interessa se estou num gramado sintético ou natural, se estou jogando às 11h com 37° no Brasil, ou se vou ao Internacional de Porto Alegre e está chovendo e está frio, ou se vou ao Caxias do Sul, ao Juventude, e está muito frio, porque o Brasil parece que são cinco países lá dentro. Esse compromisso tem que estar, esta predisposição para trabalhar e pressionar, quando nós não temos a bola, de procurarmos isso, isso eu não abdico – iniciou Franclim.
– O que nós tentamos foi dentro deste 4-4-2 implementar esta ideia que eu disse, dentro destas estruturas, três pontos com bola e três sem bola. Nós tivemos a dificuldade, quando chegamos o mercado estava fechado, de não termos nenhum extremo com estas características que eu falei. Nos primeiros três jogos eu tentei jogar com dois extremos de espaço interior e senti que aquilo ficou muito afunilado e que dependia muito dos laterais para criar desequilíbrios ofensivos no último terço. Com o passar do tempo, fomos tentando moldar isto e procurar criar desequilíbrios de outra forma porque não tínhamos esse tal extremo. Acabamos por puxar depois um atleta do sub-20 [Kauan Toledo] que nos dava um pouco isso, acabamos por pedir a outra atleta, o Matheus Martins, que jogasse mais vezes aberto, porque tem um contra um, apesar de não ser muito vertical. Tentamos ajustar com as características dos jogadores – completou.
O treinador está sem clube desde que foi demitido do Botafogo, no dia 18 de agosto, e disse que precisa de “estabilidade diretiva” para aceitar um convite para voltar a trabalhar. A disputa pelo controle da SAF alvinegra foi um fator que fez Franclim quase trocar o Glorioso pelo rival Vasco.
– Estabilidade diretiva. Não sei se isto está bem dito, mas segurança, firmeza, estabilidade diretiva, porque às vezes eu costumo dizer que sou um pouco crente, e às vezes nós acreditamos, e no futebol é preciso ter muita cabeça e às vezes pouco coração, e a cabeça sobreusar-se ao coração. Mas esta estabilidade diretiva, este caminho de “nós queremos chegar ali, mas o caminho a percorrer é este e nós sabemos que vamos passar por estas fases”, para mim é o ponto importante. Esta estabilidade de clube, diretiva, acho que isto nos dá um conforto a nós treinadores muito grande de “vamos trabalhar, nosso trabalho é aqui, não temos de estar preocupados com salários em atraso, com mudanças de direção, com perdemos, estamos a ser contestados e o presidente abana… Não, o caminho a percorrer até ali é este, nós vamos percorrê-lo juntos, nós sabemos que se perdemos cinco jogos seguidos não resistimos, mas sabemos que não vamos ganhar os jogos todos” – respondeu.