Franclim Carvalho fez um comentário interesse sobre Matheus Martins, em entrevista concedida ao site “GE”. O técnico contou conselhos que dá ao atacante no Botafogo e explicou que ele “se arrisca muito” nos jogos, o que já gerou vaias em jogos em casa.
Na entrevista, Franclim passou um pouco da sua visão sobre futebol.
– Acho que o futebol é muito jogo de gato e rato. Está muito no lado estratégico. E eu não quero castrar a liberdade que os jogadores devem ter. O jogador brasileiro tem uma relação única com a bola. Acho que é importante nós não castrarmos isso. Os jogadores sabem que há zonas do campo em que podem arriscar mais que outras. Sabem que se arriscarem três vezes seguidas e perderem a bola, na quarta eu vou dizer para jogarem dois toques em duas vezes seguidas, senão o torcedor começa a fazer muito barulho. Não quero castrar este lado da criatividade, porque acho que o futebol mundial está entrando muito por aí. Isto vem também do trabalho da base. Não quero castrar muito isso, mas há zonas, há regras – disse Franclim.
– Não sou um técnico de dizer “não, porque o goleiro tem que jogar com os pés para jogar sempre curto”. O goleiro tem que ser, primeiro, bom com as mãos e fazer o básico com os pés. Se conseguir acrescentar qualquer coisa com os pés, melhor, porque é uma solução diferente, é uma superioridade que nós acrescentamos naquela zona. Mas eu não quero risco – acrescentou.
Na sequência, o treinador citou o caso de Matheus Martins e também o de Álvaro Montoro.
– Se for no último terço, eu posso falar, por exemplo, do Matheus Martins. É um jogador que em casa costuma ser assobiado (vaiado) na terceira ou quarta ação, porque ele se arrisca muito, perde muitas vezes a bola. Há vezes que eu lhe digo “já perdeu três seguidas, agora joga uma ou duas simples” para voltar a ganhar conforto e confiança. Depois arrisca de novo, porque é um jogador do último terço – pediu.
– Temos visto nos últimos jogos que o Montoro está confiante, voltando, aparecendo. Ele sabe que há zonas que não pode arriscar, e procura não fazer porque é um garoto que percebe muito bem o jogo. Mas é um garoto que perde duas bolas seguidas, tem 19 anos, quer uma terceira bola e vai arriscar na mesma. Eu não posso tirar isso dos jogadores, principalmente desses que são diferentes. Temos que tentar ajustar a equipe para, se o Montoro ou o Matheus perderem a bola, nós estarmos aqui. Isso é importante – concluiu.