Técnico do sub-20 do Botafogo, Rodrigo Bellão viveu uma temporada intensa em 2025, com títulos do Campeonato Carioca Sub-20, da Copa Rio e da Dallas Cup. Mais do que isso, o treinador foi um dos responsáveis pela volta por cima na categoria e virou uma das referências internas.
– Não apenas pelo lado esportivo. Rodrigo Bellão é bem avaliado internamente pelo lado humano, por como enxerga a realidade e a formação de jogadores. Em relação ao meu propósito de vida, eu falo muito que o futebol, pra mim, era apenas uma ferramenta do meu propósito. O meu propósito é ajudar as pessoas a fazer o máximo que eu posso, me dedicar pras pessoas. Eu me emociono quando os jogadores falam, porque eu sou meio manteiga derretida. Os jogadores falam que eu sou manteiga derretida. Eu sou chorão pra caramba. Nos jogos, em vitórias importantes. Eu sempre estou emocionado, porque eu faço as coisas de coração. As pessoas dizem que eu sou autêntico, não sei se é a palavra que eu definiria. Eu sou uma pessoa muito coração, muito alma. O pessoal gosta muito. Falam, “pô, Bellão, você escreve bem no Instagram. Pô, Bellão, eu adoro os seus textos”. Porque eu escrevo sem técnica. Eu escrevo com o coração. Então acho que isso atinge as pessoas. Eu vou fazer uma preleção e não é com técnica de oratória, eu faço com o coração. Com a minha alma. Eu já estudei oratória, sei algumas coisas. Mas eu faço do jeito que eu acredito. Do jeito que eu gosto. Eu acho que isso me encanta. Continuar fazendo o meu trabalho há tantos anos, mas do jeito que eu gosto de fazer isso, eu acho que o Botafogo me proporciona muito. Eu sou o treinador no Botafogo que eu gosto de ser. Por isso que acho que dá certo. Porque eu faço dentro daquilo que eu acredito, que é cuidar das pessoas, cuidar dos jogadores. De ter 30 pessoas ali ao meu redor que cada um tem uma história de vida diferente. Cada dia um tem um problema diferente. E eu estar podendo ajudar esses jogadores. Outro dia me perguntaram internamente. “Bellão, você dorme de noite? Porque é tanto problema que você tenta resolver e resolve aqui dentro”. Aí eu respondi “eu não durmo se eu não resolver o problema. Enquanto eu estou resolvendo o problema, eu estou feliz”. E é isso – afirmou Rodrigo Bellão, ao “Botafogo Podcast”.
Após passagem pelo Athletico-PR, Bellão ficou livre no mercado. Foi quando surgiu a oportunidade no Botafogo, em 2025.
– Léo Coelho me liga. Ele era o diretor da base, tinha acabado de subir para o profissional. Ele estava com o Rodrigo Chipp, que era o nosso coordenador técnico da base na época. E os dois trabalharam comigo no Athletico. E aí o Léo me liga fazendo o convite. E foi muito legal. Poxa, vim pro Botafogo, que estava vivendo tudo que viveu ali naquele momento. Eu falei, por que eu não vivia aquele ano (2024) também? Podia ter ligado um pouquinho antes (risos). Mas foi muito legal. Eu fiquei muito feliz. E foi uma honra pra mim. Eu sou um menino que tinha um sonho de ser treinador. E vestir uma camisa como a do Botafogo, já vesti de outros grandes clubes, e cada vez que a gente veste a camisa de um grande clube, dá um orgulho pessoal muito grande. Tipo, “pô, eu venci. Eu cheguei no meu sonho, sabe?” E aqui não foi diferente. Ainda mais, por ter como ídolo o Zagallo. Eu tenho uma pessoa muito marcante na minha história, também no Athletico, que é o Paulo Autuori. O Paulo é um cara que tem uma identificação, um treinador que tem uma identificação com o Botafogo, campeão brasileiro aqui pelo clube. E tanto que eu mandei uma foto de campeão agora pra ele, ele até me respondeu, com aquele vozeirão dele, “minha alegria da semana é ver você campeão no Fogão, Bellão”. Ele foi um cara que me ajudou muito. Ele que me puxou da base pro profissional lá no Athletico. Ele via muito potencial em mim, então eu tive esse privilégio de ter um cara que tem uma história com o Botafogo, também, participando muito ativamente na minha vida. E é isso, foi muito feliz pra mim. Eu estou muito feliz – garantiu.
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Integração e sub-20 ir para o Lonier
– Em relação à estrutura do Lonier, ela foi muito top para a gente, todas as condições que o clube pode oferecer para a gente no Sub-20 que a gente tem hoje, eu não tenho um A para falar. É algo maravilhoso. Eu acho que o Botafogo nessa mudança ele faz um passo importante para essa transição da base profissional, e não só de conversas, como também os jogadores estão mais perto, é mais fácil puxar para treinar, um dia, outro dia, e aí a comissão do profissional ia conhecendo mais os meninos no dia a dia, dando oportunidades e conhecendo as características. Essa aproximação também traz isso que você falou da academia. Hoje o sub-20 treina na mesma academia, com a mesma estrutura que o profissional trabalha, que a equipe principal trabalha. A gente não compartilha do mesmo refeitório, vamos dizer assim, mas é meio que a mesma comida, o mesmo ambiente.
Kadir
– Kadir foi um título, foi um título assim, é dessas coisas invisíveis que valem como ser padrinho de um casamento, de um jogador que acha que eu fui importante na vida dele, sabe? O Kadir foi muito legal, inclusive no dia seguinte nosso, o dia seguinte dos gols dele (contra o Sport), a gente estava concentrado para a final (do Carioca Sub-20), e aí ele me ligou para o vídeo, a gente ficou conversando uns 40 minutos, me contando, foi muito legal. Me contou tudo, da coletiva, “ah, Bellão, eu falei de você”, “pô filho, legal e tal”. E aí, de repente, ele, “pô, Bellon, é longe onde vocês estão? É muito longe, quanto tempo?”. Perguntei “filho, você quer vir para cá?”. “Eu quero, eu não sabia pedir, mas eu quero, lógico”. Aí ele foi, jantou com a gente, de noite lá, ficou com o grupo, foi muito legal. E foi engraçado que o Vasco estava hospedado no mesmo hotel, e aí eles viram o Kadir chegando, eles acharam que o Kadir ia jogar a final. Imagina o desespero, os jogadores ficaram desesperados, foi muito engraçado. Aí no final da noite ele foi embora, mas foi muito legal, o sentimento de pertencimento dele.
Sentimento de família
– E tem uma coisa muito legal do Justino, que quando ele foi convocado para o jogo contra o Fluminense no Maracanã esse ano, foi uma energia muito legal. Ele treinou no profissional, a gente jogou aqui (no Nilton Santos), não me lembro contra quem, contra o Vasco, mas na primeira fase do Carioca, e aí no dia seguinte pedem para ele se apresentar no profissional. Ele treina e é convocado, e aí quando ele chega lá no profissional, esse é um negócio muito legal também, negócio de família, os meninos todos estão no profissional, eles treinam no profissional e depois eles vão lanchar. Eles comem almoço no profissional e vão lanchar com a gente depois lá, querem ficar perto dos amigos. Então isso que eu acho legal, de ele estar no profissional e não ser do profissional, ele se sentir ainda pertencente ao sub-20. E o dia que o Justino foi convocado, ele vem para lá, para a base, para a nossa parte do sub-20, nossa, mas o clube parecia que ia explodir. Tinha acabado de sair no Instagram a lista de relacionados, nossa, todo mundo batendo na mesa, gritando, todo mundo pulando em cima dele, como se fosse comemoração de um título. Então isso é uma conexão legal de família que a gente tem hoje lá.
Elenco profissional comemorar título do sub-20
– Aquilo lá, para mim, na hora que eu vi no campo, fiquei arrepiado. Para a gente, fazendo o jogo, eu estava arrepiado, acho que é impressionante. Foi sensacional, eu nunca tinha visto isso. Eu sei que já vivi em outros lugares o pessoal assistir e comemorar junto, mas do jeito que foi, foi algo que traz muito a questão de família.