Com 19 anos, Huguinho já tem uma trajetória intensa no futebol. O volante do Botafogo, que teve passagem pela Bélgica, revelou no documentário Joias do Bairro, da Botafogo Films, que foi recusado em peneiras em Flamengo, Fluminense e Vasco.
– O futebol nunca foi uma brincadeira, na verdade. A gente joga por alegria, por gostar. E as coisas boas que vêm em nossa vida a gente tem que agarrar e não pode soltar de jeito nenhum. Quando eu tinha 12 para 13, que eu tinha feito uns três testes no ano, e não consegui passar em nenhum, deu vontade de desistir. Comecei a trabalhar bem novo e não queria mais jogar bola. Fiz (testes) no Flamengo, no Vasco, no Fluminense. Em todos esses, eu fui dispensado, reprovado. E o Botafogo abriu as portas para mim e hoje eu agradeço muito a Deus e a todo o estafe que confia no meu futuro – declarou Huguinho.
– O Botafogo é a minha vida. Eu vivo isso. E todo dia que eu acordo, eu olho nesse escudo e agradeço a Deus. Agradeço a todo o estafe que me deu essa oportunidade de representar esse clube tão grande. E sobre o Botafogo não tem o que falar – comentou.
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Começo no futebol
– Eu sempre quis ter minhas coisinhas, tudo direitinho meu, sem depender de ninguém. Mas muitas pessoas me ajudaram e o Fernando, que me levou para o Maricá, faz grande parte disso tudo. E eu só quero agradecer a Deus e a todos os meus familiares que estavam comigo. Eu tive um amistoso. Eu tinha 14 para 15 anos. Joguei contra o Botafogo, jogo-treino. E nesse jogo eu me destaquei. Me chamaram para fazer um teste no Botafogo. E foi onde eu mostrei meu futebol e, graças a Deus, tive a oportunidade de jogar.
Chegada ao Botafogo
– Aí tinha o Pedrinho, o Raí, o Justino. Diversas moleques também daqui. E acabei indo para o Botafogo e a rapaziada toda da Maré estava lá. Joguei um jogo no (sub-) 17. Desci para a minha idade de novo. Mas no início fiquei seis meses sem jogar. Fiquei só no banco. Depois fui entendendo como era um clube grande. A disputa era muito alta. E, graças a Deus, eu consegui mostrar meu futebol. No meio desses, eu fui escolhido.
Ligação com a mãe
– No primeiro salário profissional eu tinha 16 anos. Eu deixei tudo pra minha mãe, deixei ela fazer as coisas dela, compras para dentro de casa, e eu só jogo bola. Fico bem tranquilo, em questão a isso. Ela ficou muito feliz, porque ela estava desempregada e as coisas não eram fáceis dentro de casa. Meu primeiro salário eu dei tudo pra ela, e até hoje é assim, eu amo muito minha mãe. E isso não tem preço pra ela. Minha mãe é tudo pra mim.
Estreia no profissional
– Meu primeiro jogo foi no Carioca, aqui contra o Bangu. E o Carli falou que eu ia ser relacionado. Isso me deixou muito feliz. Ficava olhando pra minha mãe e falando que consegui. E isso a deixou muito orgulhosa e muito feliz também. Ali, a rapaziada, não tenho o que falar deles, eles sempre abraçam a gente da base. O Alex Telles, o Allan, o Vitinho, o Danilo. Todo mundo ali faz com que a gente se sente dentro de casa, como uma família. E isso nos deixa muito felizes, muito bem. E a gente fica cada vez mais confiante em o que fazer dentro de campo. Eles orientam a gente muito e tratam a gente como se fosse um filho deles. Isso não tem preço. É um cara que não tem palavras pra eles. Então, esses caras são fodas, mano. Eles trabalham com a gente como se fosse uma família. E a gente agarra oportunidade e segue em frente.
Passagem pelo RWDM Brussels
– Na Bélgica foi um novo desafio que eu escolhi para a minha vida. Eu aprendi muitas coisas. E vi que futebol é muito, muito sério. É muito além de futebol. É responsabilidade, é tudo. Sobre o que você comer, tem que se alimentar bem, se cuidar, acordar no horário certo. E lá eu aprendi isso tudo e fiquei lá seis meses. E quando eu volto para o Botafogo, eu já estou meio que preparado para jogar. Já com o costume de cultura profissional, tudo. E isso tudo, se você não tem cabeça, a responsabilidade é estar concentrado no jogo. Você acaba falhando e a torcida acaba caindo no pé. E isso é chato, mas a gente é jogador de futebol, nem toda vez a gente acerta.