John Textor defende Libra, vê Flamengo ‘abrindo mão de parte da sua receita’ e Botafogo ‘estratégico’ para crescimento global

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Por FogãoNET

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John Textor, acionista da SAF do Botafogo, em entrevista ao Fala Fogão
Reprodução/Fala Fogão

John Textor decidiu assinar com a Libra, não com o Forte Futebol, que questiona a divisão de receitas e quer mudança nos percentuais. Acionista da SAF do Botafogo, o empresário americano explicou sua posição em entrevista ao canal “Fala Fogão”.

Ele citou que o Flamengo, no formato proposto pela Libra, já estará abrindo mão de parte suas receitas, detalhou a importância do crescimento global da liga e colocou o Botafogo como estratégico para esta questão.

Todo mundo agora está focado no direito de transmissão doméstico. Em cortar a torta, e a torta não cresceu nada ainda. Então não é realista pedir ao Flamengo para eles abrirem mão de 30% de sua receita e dar para os outros. Esses outros não estão investindo, não estão buscando internacionalizar, só querem o dinheiro. Isso não acontece em lugar algum na vida, no mundo, nos negócios nem no esporte. Então quando as pessoas reclamam sobre um time arrecadar 3,5 vezes mais do que o que arrecada menos, honestamente não soa justo quando você diz isso. Mas a realidade é que o Flamengo provavelmente recebe 9 vezes mais do que os clubes menores estão recebendo no momento. Então, tudo do que eles estão falando agora… Eles (Flamengo) estão abrindo mão de uma parte da sua própria receita. Eles estão aceitando um risco ao fazer isso conosco. É fácil para os maiores clubes continuarem fazendo o que eles estão fazendo, continuarem a “bater” nos clubes menores e usufruírem dos benefícios de sua grande base de fãs. Então, só de entrar nessa discussão eles já estão abrindo mão de alguma coisa. Eu sei disso e quero seguir comunicando, porque eu acho que a história de que os clubes menores não recebem o suficiente essa é apenas a realidade da maneira como a esfera econômica do futebol brasileiro está organizada hoje em dia – comentou.

– Agora, como você corrige isso? Você tem que começar a falar sobre internacionalizar. É só ver o que aconteceu na Premier League 25 anos atrás, em que todo mundo estava focado no doméstico porque era o dinheiro que entrava de imediato. Diretos de transmissão internacional não eram muito. Então eles gastaram muito tempo debatendo sobre internacional. Aqui nós estamos 25 anos depois e no momento que assinarmos o próximo contrato de TV da Premier League o internacionalmente provavelmente será maior do que o doméstico, certo? Tanto o Flamengo, o Corinthians, o Botafogo, vamos fazer um ótimo trabalho construindo nossas marcas globalmente. Porque nós temos os recursos para fazer isso. E essas grandes marcas vão trazer mais atenção para o futebol brasileiro, o que não vai ajudar apenas as grandes marcas, mas vai ajudar todo mundo. Se conseguirmos passar essa fase inicial, dos próximos anos, onde o contrato de TV é mais doméstico, e eu, talvez os rapazes da 777, talvez o Manchester City quando entrarem no mercado, Red Bull já está no mercado… Aqueles que têm negócios globais, vamos trabalhar juntos para tentar atrair mais atenção para o futebol brasileiro. Eu não estou gastando muito tempo pensando em direito de TV doméstico porque não conheço o Brasil, eu conheço o resto do mundo. Eu apenas espero que o foco da Libra e dos demais times que vão aderir, eu espero que eles descubram, rapidamente, entendam direito, todos estão sendo pacientes (os que já aderiram à Libra), e ninguém está falando “o que ele está conseguindo”, é “o que nós estamos conseguindo”. Nós temos que fazer a torta crescer, pois quando fazemos a torta crescer times como Flamengo e Corinthians vão compartilhar ainda mais (receita). Mas você não pode chegar para eles agora e falar “deixe-me pegar o que você tem e o que tem construído”, certo? – concluiu.

Fonte: Redação FogãoNET e Fala Fogão

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