Em uma longa resposta em entrevista divulgada pela Botafogo TV na noite desta quinta-feira (29/1), John Textor afirmou que está pronto para pagar do próprio bolso a dívida com o Atlanta United para que o Glorioso saia do transfer ban da Fifa. Ele precisa da aprovação do clube associativo e pediu cooperação, buscando um diálogo.
– Em relação ao transfer ban, minha intenção era ter todas as aprovações internas concluídas até agora, eu queria anunciar que tínhamos finalizado isso antes do jogo. Como as coisas estavam ficando lentas com algumas instituições e as negociações com a Ares, eu disse ao clube social que faria um investimento pessoal equivalente ao valor que precisamos pagar ao Atlanta United para sair do transfer ban. Eu certamente esperava anunciar isso antes do jogo de hoje à noite. Acho que provavelmente conseguirei acertar tudo com o clube social, porque preciso da aprovação deles. Então, acho que vou acertar as coisas com o clube social, talvez antes do jogo ou um ou dois dias depois. Mas estou muito tranquilo em financiar pessoalmente o pagamento ao Atlanta United para encerrar a proibição de transferências. Isso nos permitirá contratar alguns daqueles jogadores fantásticos que temos ouvido falar e que gostaríamos de trazer para o elenco – disse John Textor.
– Peço desculpas por anunciar a aprovação de algo na Eagle Bidco, pois ainda preciso me reunir com o clube social para obter a aprovação deles. Portanto, a decisão agora está entre o SAF Botafogo e o Botafogo de Futebol Regatas. Acho que vamos conseguir. O clube social adora este clube. Eles veem todo o barulho, estão confusos com isso. Eles entendem a briga entre mim e Ares. Mas acredito que o clube social está do nosso lado, e não do lado do nosso credor. Portanto, não tenho receio algum em relação ao relacionamento com o clube social. Só precisamos começar a nos comunicar melhor. E a culpa é minha – completou.
Textor também comentou sobre a decisão da Justiça que proíbe a venda de jogadores. Ele falou que o clube precisa voltar a vender e comprar atletas, como parte do negócio.
– É uma extensão de algo que o juiz já havia decidido antes, onde tínhamos que comunicar ao clube social o que estávamos fazendo. E temos feito isso. Não fazemos isso antes da conclusão de um acordo, porque a confidencialidade é muito difícil de manter. E a perda da confidencialidade torna as negociações muito difíceis. Então, temos cumprido com isso, e o clube social não se opôs. Com toda a repercussão que o clube social tem ouvido, eles pensaram: “Bem, talvez esteja acontecendo algo que eles não sabem”. Então, eles entraram com essa liminar. E o juiz está basicamente me pedindo especificamente para comparecer perante ele e esclarecer o que fiz ou o que pretendo fazer. E estou muito feliz em fazer isso. Essas transações financeiras incrivelmente difíceis sobre as quais as pessoas têm lido, isso não vai acontecer aqui. Como eu disse, todas as transações que estamos considerando com a GDA ou com a Hutton visam nos tornar proprietários integrais do Botafogo e separar isso da estrutura original da Eagle. E também incluir alguns dos acionistas ordinários da Eagle. Portanto, é complexo, e acho que foi por isso que houve um mal-entendido. Mas pretendo voltar imediatamente perante ao juiz e explicar o que estamos fazendo.
– É importante que retomemos as negociações normais de jogadores. Precisamos contratar jogadores, precisamos vender alguns jogadores. Essa é a natureza do nosso negócio. Não acredito que o tribunal queira interferir nisso. Eles só querem que eu compareça e garanta que estamos cumprindo os requisitos de compliance entre nós e o clube social. E eu acho que todos, acho que tudo ficará bem -frisou.
John Textor também deu detalhes sobre os novos parceiros que teria no prometido aporte de US$ 50 milhões. Segundo o empresário, GDA Luma Capital e Hutton Capital estão muito entusiasmados em participar ativamente do dia a dia do Botafogo e seriam credores da Eagle, não do clube alvinegro. Ele também falou na longa resposta sobre estar “em guerra” com a Ares.
– Estou muito animado para ver os torcedores hoje à noite. Temos um técnico dinâmico com ótimas ideias. Temos ótimos jogadores e vamos dar continuidade a isso. Em relação ao investimento que mencionei recentemente, tenho dois sócios. Um delas é a GDA Luma Capital e a outra é a Hutton Capital. A Hutton me apoiou há muitos anos, quando compramos juntos uma empresa de tecnologia. Foi um sucesso incrível, por isso somos grandes amigos. Tivemos sucesso juntos, conheço-os muito bem. A GDA Luma é muitas coisas. Ela é uma instituição financeira, é uma investidora de capital. O principal responsável por esta organização é Gabriel de Alba, muito respeitado na comunidade hispânica global e presidente do renomado Cirque du Soleil. Estou entusiasmado com a iniciativa deles. Temos vários outros investidores cujos nomes ainda não foram divulgados à imprensa.
– O projeto começou com uma abordagem à Ares, buscando uma maneira pacífica e satisfatória de encerrar a parceria entre a Ares e a Eagle, para que pudéssemos retomar os aspectos positivos da colaboração que tínhamos entre nossos clubes e que nos rendeu um título. Quanto ao financiamento, mencionei um aporte de US$ 50 milhões para capital de giro. Parte do financiamento também se destina à compra da participação da Ares. Isso coloca Hutton e a GDA Luma como uma espécie de novos credores da Eagle. A intenção não é que eles sejam credores do Botafogo, mas sim que sejam acionistas e credores da Eagle. Eles estão muito animados por estarem aqui e por poderem assistir aos jogos. Todos sabem que a Ares é uma grande organização, mas nunca estiveram em um jogo aqui no Brasil, nunca estiveram nos escritórios, nunca vivenciaram de fato a paixão pelo nosso projeto, mas agora estamos falando de dois caras em particular que estão muito sintonizados com o que estamos fazendo e muito animados com isso.
– Acho que havia um aspecto de curto prazo nesse acordo que, de certa forma, tinha a intenção de ser muito rígida. É uma estrutura que cria muita pressão sobre a Ares para concluir o negócio maior. É uma situação delicada em que eles entram para fornecer fundos quando o credor não o faria, quando outros acionistas também não, e uma situação em que nosso clube francês nos deve dinheiro e a Ares está impedindo que esse clube francês nos pague. A estrutura foi projetada para ser robusta, de forma a garantir que esse novo grupo se tornasse coproprietário comigo e com o clube associativo aqui no Brasil.
– Quando os detalhes menores vazam e soam muito mal, é porque ela foi concebida para ser benéfica para todos nós. Mas a imprensa se apropria disso, talvez alguém lá dentro não goste, o clube social não entende. Foi isso que levou o clube social a recorrer à Justiça, porque eles não entenderam o que estávamos tentando fazer. É compreensível, pois as coisas têm acontecido muito rápido. Estou em guerra com a Ares na França. Tornamos públicas algumas coisas muito ruins que eles fizeram lá, e denunciamos isso ao Ministério Público e aos órgãos reguladores do mercado. Hoje vamos divulgar todas essas informações à imprensa em toda a Europa.
– Minha disputa com a Ares no exterior certamente me pressiona aqui, porque eles sabem que este é o clube que eu realmente amo. Então, qualquer coisa que vocês leiam sobre eles tentando me expulsar ou assumir o controle, é porque estão tentando me pressionar de alguma forma, pois sabem que este é o clube que eu mais amo.
– Nesse sentido, continuo sendo o presidente do conselho da Eagle Football Holdings. Todos os membros do conselho da Eagle Football Holdings são meus parceiros próximos. É complicado, mas essa entidade também é a empresa controladora de duas subsidiárias. Sou o único diretor da Eagle Football Holdings Midco, que é a única acionista da Eagle Football Holdings Bidco, da qual continuo sendo o único diretor. A Ares enviou uma carta ao público informando que me substituiria por dois diretores. Bem, esses dois diretores já notificaram as autoridades do Reino Unido de que isso não ocorreu com a permissão deles e que acreditam que suas demissões foram apropriadas. Tenho uma relação amigável com eles. Isso foi feito apenas para restabelecer o controle. Não tenho nada contra eles pessoalmente, mas eles notificaram o governo do Reino Unido de que não são mais diretores e não concordaram em me substituir no conselho. Você pode acessar o site do governo do Reino Unido e verá que ainda sou o único diretor da Eagle Football Holdings Bidco. Portanto, essa batalha continuará, mas isso afeta a Eagle.
– Aqui, existe uma ordem judicial que nos protege a todos nós. Continuo sendo o líder da SAF Botafogo. Continuo sendo parceiro do clube social. Nem sempre nos entendemos, mas isso acontece porque o mundo muitas vezes se move rápido demais para que todos fiquem atualizados. Estou muito ansioso para me reunir com o presidente do clube, JP, antes do jogo, e com algumas pessoas importantes do clube social, e vamos conversar sobre tudo isso. Eles entenderão muito melhor que as notícias veiculadas pela imprensa sobre o que estávamos fazendo não são corretas. As únicas vendas de jogadores que gostaríamos de fazer agora são aquelas que são típicas do nosso modelo de negócios, que são vantajosas. Temos alguns dias restantes na janela de transferências para vender jogadores para a Europa e, depois disso, teremos bastante tempo para contratar jogadores – encerrou.