O Botafogo vive cenário de incerteza nos bastidores em relação à briga societária na Eagle Football, dona da SAF. No programa “Finanças do Esporte“, do “UOL”, o jornalista Rodrigo Mattos trouxe novas informações sobre o tema e disse que a Ares, um dos fundos que mais aportou dinheiro na holding, não tem interesse em gerir o Glorioso.
Ainda de acordo com o jornalista, a Eagle/Ares busca um comprador, que pode ser o próprio John Textor, mas há também outros interessados. A tendência, no entanto, é de que a coisa não se resolva rapidamente.
– A Ares e a Eagle, quem está no controle dela, já demonstrou que não quer ficar com o Botafogo a longo prazo. Vai vender agora? Não, porque não tem ninguém com o dinheiro que eles pedem ainda para comprar o Botafogo. Então, tem que criar um plano de médio prazo que você sustente o Botafogo, enquanto ele está num processo de venda para um terceiro. Quem é esse terceiro? Textor é o principal candidato, ele está procurando dinheiro no mercado e ainda não teve para fazer essa compra – iniciou Mattos.
– Já apareceram outros interessados, essa é a informação que eu tenho, só que eles não conhecem o negócio ainda. Eles precisam entrar, começar a conhecer as contas, tem que fazer todo um processo que o Textor não precisa fazer, porque ele é o administrador atual. Então, eu acho que vai demorar um tempo ainda – completou.
Rodrigo Mattos informou que existe uma negociação em andamento para um “empréstimo-ponte” para o Botafogo conseguir cumprir com seus compromissos em 2026, enquanto a situação não se resolver. Existe a necessidade de um aporte de € 40 milhões (R$ 246 milhões) para iniciar o ano.
– O que está se negociando é alguma espécie de empréstimo-ponte com a Eagle e a Ares para o Botafogo sobreviver durante esse período, até você ter a venda posterior. Esse grupo Eagle/Ares não vai ficar com o Botafogo a longo prazo, não tem esse interesse. Ele quer vender e recuperar a maior quantidade de dinheiro possível com o negócio. “Ah, não foram eles que compraram o Botafogo, foi o Textor”. Verdade. O Textor comprou o Botafogo. Mas aí o Botafogo foi para dentro da Eagle, dentro de uma transação, e a Eagle é onde a Ares colocou muito dinheiro, US$ 425 milhões em empréstimo, e ela quer recuperar esse dinheiro. É um fundo que precisa recuperar o dinheiro dos seus investidores. A mesma coisa vale para a Iconic, que tem um crédito alegado de US$ 94 milhões com a Eagle – explicou.
– Vai demorar mais a definição, a gente achava que em outubro ou novembro iria sair alguma coisa. Provavelmente você vai ter um processo longo para saber quem que vai comprar, se vai ser o Textor ou um terceiro. E, durante esse processo, a Ares vai ter que arrumar um jeito, talvez com um empréstimo, para poder manter o Botafogo. Isso é o que está sendo reivindicado e negociado pelo próprio associativo, que tem interesse em manter o clube saudável. É esse o estágio que a gente está nesse caso do Botafogo – concluiu Mattos.